Prazeres quer revolução

07/04/2011

OSBA: twitter, faceboolk e site para atrair mais público

Um minuto de silêncio, orquestra e público de pé em reverência às crianças mortas hoje numa escola do Rio de Janeiro, a pedido do maestro Carlos Prazeres.
Noite de música, homenagens e celebração.  O programa começa com Liszt,  pelos seus 200 anos de nascimento, lembra o maestro, que apresenta o concerto de forma didática.

No ponto alto da noite, o jovem violinista Daniel Guedes conduz com vigor o Concerto para Violino e Orquestra,  de Prokofiev.
Com vigor é a adjetivação  encontrado por este colunista, ignorante em música, para tentar classificar uma performance que arrancou um som exuberante do instrumento e muitas crinas do arco.

Daniel retorna para o bis, com Luisa, de Tom Jobim. Aí este colunista ignorante em  música pode garantir que do seu instrumento sairam todas as nuances da música e um pouco mais.

Intervalo
No café do foyer, Moacyr Gramacho, diretor do TCA,  tenta responder à indagação. Cadê o público?
Cadê os músicos desta cidade de tantos músicos? Responde Gramacho com outra interrogação.

O público veio no dia anterior,  disputou a tapa um convite  para a casa lotada de músicos  para o  troféu Dodô e Osmar.

Gramacho também espera virar o jogo da casa vazia e diz que vai apostar alto na formação de plateia para reverter uma realidade de 40%  de ocupação média nos concertos da Osba. Não sabe ainda se por contratação de novos músicos ou transformação da orquestra em OS, um assunto polêmico, mas espera que até o final do ano uma solução seja encontrada.

A Orquestra hoje  se apresenta com praticamente a metade dos músicos convidados ou contratados  temporariamente pelo regime especial, conhecido como Reda. Mesmo assim, o conjunto parece entrosado, soa harmônico, empenhado.

E o programa segue novamente com o ucraniano Prokofiev e sua quinta sinfonia. E Prazeres continua a revezar batuta e microfone.

Saúda o homenageado da noite, Jorge Amado, saúda Paloma e João Jorge, filhos do escritor,  que estão na plateia. E anuncia uma revolução, a conexão entre a música e os ícones baianos, com as séries da OSBA.

“Tenho certeza que ainda voltarão 200  pessoas desta porta” diz para uma plateia que sequer enche a parte de baixo da sala principal do TCA. E apresenta a última peça do programa. Informou ser eta a composição  menos bélica de Prokofiiev no período soviético e  exaltou seu lado revelador da grandeza humana.

De fato, a música passa uma mensagem de vida, de energia, embora aqui e ali seja possível “ouvir” o campo de batalha, de um país que como nenhum outro pagou  caro pela vitória na guerra,  com mais de 20 milhões de vidas.

A música foi composta em 1944, quando os soviéticos  já haviam vencido a batalha de Stalingrado, virado a guerra  e libertado Leningrado.

Fazendo  esta conexão  histórica é possível “ouvir” também a alegria pela iminente vitória.

Paloma Jorge Amado não economiza  elogios. “Papai adoravava Prokofiev, tem tudo a ver, foi tudo maravilhoso” diz ao final do concerto. Paloma vive no Rio de  Janeiro, mas por coincidência estava estes dias em Salvador e veio com o irmão prestigiar o lançamento da série Jorge Amado, prevista para continuar nos próximos quatro anos.

“Quando vi a sala vazia, percebi  que estou diante de um desafio”, avalia o maestro depois do concerto, no  foyer, ao lado de uma montanha de programas impressos, cujo destino  mais nobre seria a reciclagem. E enumera as  armas para a revolução anunciada: ”Internet, por meio das redes sociais. Estamos usando o twitter e o facebook, vamos investir forte num site, vamos também  levar a orquestra a todos os lugares”, anuncia.
Só nos resta “curtir”, com o polegar para cima. E compartilhar.

Programas: na melhor das hipóteses, reciclagem. Sem terem sido lidos

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16 Respostas to “Prazeres quer revolução”

  1. Rose Lima Says:

    Marcus,
    Nos ajude neste desafio!
    Divulgue!!!
    Cada um fazendo sua parte, vc tem o dom de escrever… e então, a casa poderá ficar bem cheia.
    Bj, Rose

  2. Heinz Karl Schwebel Says:

    Que bom que alguém se dedica agora a escrever sobre nossa orquestra. Isso pode ajudar a encher a sala também!

    Saudações!

  3. Joatan Nascimento Says:

    Que bom! Acredito ser este um dever da sociedade baiana: não mais ser uma agente passivo da cultura.
    Cabe a todos os seguimentos da sociedade se colocar e ajudar de todas as formas possíveis na divulgação dos nossos bens culturais.
    Abraço,
    Joatan

  4. Uibitu Smetak Says:

    Temos que fazer o público gostar de música clássica. Nesse sentido seria fundamental um intenso programa de formação de plateia, executando repertório de diferentes períodos e teores, de Pachelbel a Wagner, de Vivaldi a Arvo Pärt. Frequentamos quem amamos. E só amamos quem conhecemos.
    Já sobre o ponto OS versus concurso público, sou partidário do concurso.

  5. Antonio A. Sarquis Says:

    Já está na hora da Bahia tomar vergonha na cara, e assumir a música sinfonica,principalmente empresários,poderes público constituido. Música Sinfonica é patrimônio de toda a sociedade.
    Abraço fraterno
    Sarquis

  6. Jorge Alves Dias Says:

    Quando eu era menino, um belo dia, ouvi, num disco que emprestaram à minha mãe, as valsas de Chopin, orquestradas. Fiquei como que em transe, encantado. A partir dali, percebi que a música “clássica” era algo mágico, que me atraía profundamente. Mais tarde, na adolescência, excursionei pela música popular, já como músico profissional, porém, apesar do prazer experimentado ao fazer boa música popular, porque o que existe é boa música ou má música, em qualquer gênero, sentia uma atração mais forte pelo gênero clássico.
    Tem gente que gosta de futebol, e tem gente que não; outros adoram tênis de mesa, como eu, outros não.
    Ora, porque eu defini estas coisas em minha vida? Simplesmente porque tive a oportunidade de conhecê-las, e até, eventualmente, experimentá-las.
    Concordo com voce, querido Uibitu: “PROGRAMAS ADEQUADOS”. Eu tive a sorte de ouvir as valsas de Chopin; tive uma reação: encanto, romance, dança. Não sei se teria tido a mesma, ouvindo, com meus ouvidos virgens, ainda, Prokofiev no. 5.
    Evidentemente que, nem tanto ao mar, nem tanto à terra, como terminar uma temporada de uma orquestra do nosso calibre com valsa de Strauss e “pecinhas” italianas, sob Pino Onnis, em 2009. Questão de bom senso!
    Mas, para isso existe uma comissão artística, para não se “pagar o mico”, por exemplo, de tocar um Concerto da Independência do nosso país, com um programa todo composto de autores estrangeiros, regido por um aprendiz de maestro venezuelano. O Hino Nacional Brasileiro só foi incluído porque, em tempo, “botamos a boca no trombone”.
    Exijamos um bom programa de formação de platéia, de modo a encher o TCA, com 1.500 lugares, conquistando deste universo, muitos, que como eu, um dia, fui arrebatado pela magia da música dos grandes e abençoados mestres. Simples assim!
    Cordiais Saudações,
    Jorge Alves Dias
    Principal Trombonista da OSBA.

  7. Jorge Alves Dias Says:

    Obrigado, Marcus. Aceite meus cumprimentos pelo bom gosto nos detalhes.
    Abraço,
    Jorge.

  8. Uibitu Smetak Says:

    Curioso perceber que só os seres da nossa “caverna”(TCA e OSBA)postaram comentários a respeito dessa situação, digo, a falta de público, adequação de repertório, OSBA X Bahia etc.
    A nossa própria opinião já conhecemos. Gostaria de saber a opinião de seres além do nosso pequenino perímetro, aqui no planeta Terra mesmo, Salvador da Bahia. Onde estão os nossos intelectuais, a nossa “Inteligentsia”? Em idos anos nossa terra foi célebre pela profusão de mentes brilhantes e contestadoras. Bons tempos aqueles…


  9. [...] Uibitu Smetak em Prazeres quer revoluçãoTuzé de Abreu em Movimento defende veículos leves sobre trilhos para SalvadorCiro Alexande em [...]

  10. Pedro Says:

    Discutir com respeito só traz resultados positivos. Ricardo Castro quis fazer um blog de discussão sobre o futuro da OSBA mas pouca gente se envolveu. Vamos ver se agora possamos botar nossa idéias civilizadamente…

  11. Jorge Alves Dias Says:

    É interessantíssimo como determinadas pessoas falam em respeito e civilidade. Tipo assim: -Voce concorda comigo? -Ah,voce é realmente muito respeitoso e civilizado. -Voce não concorda comigo? -Ora, seu desrespeitoso, seu bárbaro!
    No começo da “gestão” do Sr. Ricardo Castro, foi fundada uma comissão artística, composta por um representante de cada seção da orquestra, eleito pelos seus pares, que arrastou-se por estes quatro últimos anos, metendo-se em tudo, menos em questões de ordem artística, particularmente empenhando-se em promover a mudança do modo de gestão da OSBA, objetivando transforma-la numa O.S.. Para mim uma forma de “privatização branca”.
    O recém-chegado maestro Carlos Prazeres, novo gestor, ou diretor, já não se sabe; porque até um diretor executivo nós tínhamos, mas que estava longe de ter, sequer, a postura de um diretor, e descobriu-se, recentemente, que ele é apenas um assessor técnico, comunicou-nos, ele, Sr. Carlos Prazeres, que precisava de uma comissão artística. Eu me manifestei, declarando que já não tínhamos uma, pois que a eleita, no começo da “gestão” do Sr. Ricardo Castro, teria “caducado”, considerando os quatro anos em que vigorou. Isto, se raciocinarmos em termos de saúde moral e democrática! Mas, qual não foi minha surpresa, quando fomos informados de que a mesma comissão artística fôra oficializada, à revelia dos músicos da orquestra, em ato administrativo da direção da Fundação Cultural do Estado da Bahia, com publicação no Diário Oficial de 23 de fevereiro de 2011. Nomeados foram Eduardo Torres, que não fazia parte da mesma, Heinz Schwebel, que já fazia parte, Juracy Cardoso, que já fazia parte, Lucas Robatto, Oscar Mauchler, estes tambem já membros.
    Temos uma outra comissão que é denominada Comissão de Orquestra, esta, com a missão precípua de tratar dos assuntos referentes aos interesses funcionais dos músicos, fazendo assim o papel de interlocutor entre o corpo da orquestra e suas autoridades superiores.
    Recentemente, como de praxe, esta comissão se submeteu à eleição de novos membros ou reeleição de todos ou alguns de seus componentes.
    Isto é democrático. Isto é saudável. Isto é respeitoso. Isto é civilizado.
    Ai daqueles que têm medo das urnas. Só lhes resta o “golpe” da truculenta e imoral imposição, através do “instituto do goela abaixo”. E agora, por conta deste Ato Administrativo, passamos a ter uma comissão artística “chapa branca”.

    “Tu me amas, PEDRO?”. “Claro que te amo, Senhor!”. “Pois, hoje mesmo, antes do cantar do galo, tu me negarás tres vezes!”.
    Apesar de tudo, o grande apóstolo se arrependeu, se redimiu e se tornou a Pedra Fundamental.
    Palavra boa para esses tempos.
    Ainda é tempo, independente de “achismos”, cristianismos, budismos, taoismos e outros “ismos”.
    Respeito é bom, e eu gosto!

    Jorge alves Dias
    Principal Trombonista da Orquestra sinfônica da Bahia.

    • Marcos Desprazeres Says:

      Não sabes a história desse novo maestro. Da missa, sabes sequer a metade. De nada diferencia dos outros, tão déspota que é. Tenho pena de vocês.

  12. Aurélio Justus Says:

    Bravo, Mister Jorge! Bravo, Uibitu Smetak, beleza de DNA! Bravo ´para voce tambem, Berimbau!
    Pensei em não mais aportar por aqui, mas seu blog está tão bom que não resisti. Pode me chamar de Anonimus, não me importo, e prometo, de acordo com sua recomendação, não citar nomes.
    O fato é que, como cidadão e contribuinte, gostaria de entender melhor o funcionamento da OSBA, já que tambem sou responsável, como todos os baianos, pela sua manutenção.
    O comentário de Mestre Jorge, esclarece algumas questões, mas outras dúvidas ainda me tiram o sono. Por exemplo:
    1. Essa comissão artística, que não foi votada, e ainda assim empossada (ACM, onde estiver, deve estar gargalhando), não é a mesma das valsinhas de Pino Onnis, do Concerto da Independencia sem o Hino Nacional, e de tantas outras “bolas fora”?
    2. Essa mesma comissão, não é quem define, junto com o maestro, entre outras coisas, os solistas dos concertos de câmara da nova “Série Carybé”?
    3. Os músicos que tocam nesses concertos de câmara não ganham gratificações extras pelas participações?
    4. Quais são os critérios para a seleção desses músicos?
    5. Têm que fazer parte da comissão artística?
    6. Devem ser aparentado a algum membro da comissão artística?
    7. Precisam ser muito amigos dos membros da comissão artística?
    8. Necessitam comprovar ser, irrestritamente, a favor da transformação da OSBA numa O.S.?
    Desculpe, Berimbau, é que quanto mais eu tento, menos eu consigo entender!
    Quero a nossa orquestra, a Orquestra Sinfônica da Bahia, tocando bonito para o povo, como sempre fez, e não servindo de “massa de manobra” para a promoção dos interesses egoístas e mesquinhos de um determinado grupo, seja ele qual for.

  13. Uibitu Smetak Says:

    Ave Aurelie!
    Por incrível que pareça, as suas dúvidas como elemento externo à Orquestra Sinfônica da Bahia são as mesmas dúvidas que eu tenho como elemento interno desta mesma instituição. Infelizmente ninguém se digna de responder-nos. Aliás, quando o fazem, justificativas insatisfatórias são utilizadas. Carissime Aurelie:
    “Hac in hora
    sine mora
    cordum pulsum tangite;
    quod per sortem
    sternit fortem
    mecum omnes plangite!”
    (Carmina Burana, O Fortuna)

  14. Uibitu Smetak Says:

    Tradução do “carmen”:
    Nesta hora
    sem demora
    tange a corda vibrante;
    porque a sorte
    abate o forte,
    chorais todos comigo!


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