Pelo fim dos camarotes em espaços públicos

16/01/2012

Por Josias Pires
O aspecto escandaloso da iniciativa do Camarote que ocupou a praça de Ondina é que é o tipo de política pública que tem que ser evitada. Os camarotes devem ser instalados em áreas privadas e deixarem de ocupar as áreas públicas.
Este é um tema que vêm à tona com movimentos como o Desocupa! em favor da liberação da praça de Ondina, que bateu de frente com um camarote do Carnaval de Salvador.

Presente no evento, o geógrafo Clímaco Dias vaticiou: este ato representa uma inflexão na história dos camarotes no Carnaval!! Dito assim, pareceu-me surpreendente a assertiva do pesquisador. No dia seguinte, o jornalista Tasso Franco escreveu um artigo exatamente batendo nesta tecla: graças ao movimento Desocupa a presença dos camarotes no Carnaval será tema da próxima eleição para prefeito…

De fato, o movimento provoca inúmeras reflexões e sinais diversos. Sendo o elemento central a questão da privatização dos espaços públicos. Talvez toda a história de Salvador dos últimos 50 anos possa ser resumida nesta frase: privatização do espaço público – daí calar tão fundo o grito de guerra e paz: Desocupa!

No facebook conversei com o professor Paulo Miguez, especialista em estudos sobre o Carnaval de Salvador, que apoia totalmente o movimento, sem ter nada contra os camarotes, como assegura.

“Considero que são um revival dos velhos clubes sociais (Baiano de Tennis, Associação Atlética da Bahia, Yatch Club, Fantoches e, também, os clubes socias não propriamente de elite, a exemplo do Palmeiras da Barra, Periperi, etc.) com uma diferença simbólica absolutamente importante: os clubes tinham muros, faziam uma festa completamente privada. Os camarotes, ao se voltarem para a rua – independente da festa que rola lá dentro – acabam por reconhecer a festa popular, de rua, como o epicentro do carnaval”, ressalta o coordenador do curso de pós-graduação da UFBA.

Depois de lembrar que Caetano Veloso já teria resolvido a equação “pular na rua x pular no salão” quando cantou “todo mundo na praça e manda gente sem graça pro salão”. “Ou seja, cada um tem o direito de brincar onde quiser, desde que não privatize (mais do que já é privatizado pelas cordas) os espaços públicos. Daí, camarote, ok, desde que em espaços privados”, pontua.

É neste sentido que Miguez vê os camarotes como mais um negócio da festa, “com tendência a crescer, como mostram os números dos últimos anos. Portanto, retomando a questão do movimento inciado contra o camarote em Ondina, seria genial se fosse o embrião de um movimento pelo FIM DOS CAMAROTES EM ESPAÇOS PÚBLICOS”, finaliza.

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Uma resposta para “Pelo fim dos camarotes em espaços públicos”


  1. Concordo plenamente que é inconcebível camarotes privados em espaços públicos durante o Carnaval. Os praticáveis da imprensa e das instituições públicas nos circuitos, além da arquibancada popular do Campo Grande a gente entende, mas privatizar a rua é um absurdo. Já bastam as cordas dos blocos! Há muito o que repensar. Espero que realmente essa seja uma das discussões na pauta das próximas eleições.


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