Os pais da ponte

17/01/2012

Por Marcus Gusmao

O fracasso é órfão e o sucesso é filho de mulher-dama, ensina a sabedoria popular. O abandono da estação ferroviária de João Amaro, por exemplo, é órfão. Já a ponte que liga os municípios de Itaberaba e Iaçu sobre o Paraguaçu e a estrada Iaçu-Milagres estão com fila pra teste de DNA. Tem ex-prefeito, prefeito, ex-ministro e governador disputando paternidade. 

É uma peleja intrincada. O ex-prefeito, que fez dois mandatos coligado com o PFL/DEM, hoje é PT desde criancinha e amarga geladeira nos direitos políticos por conta de contas não aprovadas. O atual prefeito é PMDB, aliado nacional mas inimigo local do PT. Será que Wagner vai conseguir reunir este saco de gatos sobre o palanque no próximo sábado, em nova data prevista para a inauguração oficial?

Mas o verdadeiro pai da ponte é o contribuinte, que de cada 10 reais gastos, tem 4 recolhidos como impostos. Os barnabés que assinaram a ordem de serviço, seja prefeito, ministro ou governador, não fizeram mais que obrigação. E demoraram.

Disputas políticas à parte, a ponte é bonita e deságua de forma elegante sobre a cidade. Mas no conjunto fica meio esquisita, apertada entre a velha ponte de ferro e madeira, inaugurada em 1904, e a ponte ferroviária caída, da metade do século passado.

Ao observar a imagem do Google, ainda desatualizada, dá pra ver que a decisão foi prática. A locação da velha ponte é precisa, num ponto de menor distância entre as duas margens. Acima e abaixo o rio se abre em ilhas e exigira obra bem maior e mais cara. Acima um pouco, pela imagem, parece até que daria, mas exigiria desvio da estrada.

A ponte e a estrada também são filhas do momento econômico que vive a região. Em breve será asfaltada a estrada Iaçu-Itaetê, que servirá de escoamento para o ferro que vem de Marcionílio Souza e Piatã e será embarcado na ferrovia num ponto próximo a João Amaro, distrito de Iaçu.

Então, como já explicaram em outro contexto, “é a economia, idiota!”

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Uma resposta to “Os pais da ponte”

  1. Reinaldo Costa Says:

    Parabéns! Excelente texto! Só faço o seguinte questionamento? Seria necessário mesmo uma ponte deste porte? Por que não recuperaram a antiga como foi feito em Cachoeira x São Felix?


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