Orquestra de asteriscos até quando?

17/03/2011

Um concerto bonito,  sonoro,  correto. A Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) abriu ontem (16) o calendário de 2011 com novo maestro, Carlos Prazeres. No programa, Wagner, Woolorich e Tchaikovsky.

Quem olha da platéia vê tudo normal. A orquestra é relativamente pequena, cerca de 60 músicos no palco, mas dá conta do recado. É no programa onde aparece o primeiro indício de problemas: os nomes dos músicos seguidos de asterisco. Embora o programa não explique isso, indica que se trata de convidado de outras orquestras.  Nesta condição tivemos no concerto o spalla e mais cinco violinos, três violas e dois violoncelos.

A OSBA completa 30 anos em 2012. Mas em vez de amadurecer e crescer, definha. O último concurso foi há mais de cinco anos e no próximo ano quatro músicos se aposentam. O que fazer para a reversão dessa trajetória declinante? As duas principais orquestras do país, a Osesp paulista e a Sinfônica de Minas Gerais funcionam como Organização Social (OS), o que reduz o cipoal burocrático para o pleno funcionamento. É esta a solução para a OSBA?

O pianista e ex-diretor da orquestra, Ricardo Castro, apostava nessa saída. Houve resistências dos músicos e a coisa desandou. Resta saber quais são os planos do novo regente e do secretário de Cultura para deixar a OSBA novamente de pé.

Anúncios

8 Respostas to “Orquestra de asteriscos até quando?”

  1. Jorge sacramento Says:

    Bom dia sr. Wolfgang Berim Bau, td bem?
    Gostaria de parabenizá-lo pelo artigo. A sociedade baiana de fato precisa saber o que está acontecendo na OSBA. Só ressalto que acerca do comentário do último paragráfo. Onde o sr. afirma que houve resistência e o sr. Ricardo Castro não conseguiu implementar a OS. Na verdade o que aconteceu é que tínhamos muitas dúvidas acerca de OS e essas dúvidas não foram oficialmente respondidas nesses três anos. Tivemos muitos debates com o sr. Castro, mas as respostas continuavam as mesmas. Temos outros problemas que precisam ser resolvidos antes de pensar em OS. E também, vale chamar a atenção, se de fato a gestão anterior desejasse transformar a OSBA em OS, teria feito. Pois, não dependia e ainda não depende da resistência ou não dos músicos.
    Sacramento, Jorge

  2. bahiaflaneur Says:

    Bom dia,
    Me parece totalmente fora do dever moral e da ética de qualquer músico desse OSBA, de desejar criar “OS” & Cia. Se possibilitará assim, depois, a cobrança privada, e a criação de entitades de direito privado para qualquer músico de lá.
    O estado da Bahia bancou as formações e os salários bons desses músicos durante décadas e os mesmos vão querer receber de fora, fazendo que quiser, esquecendo como eles foram crescendo na experiência musical ?
    Precisa de escolher: ou um músico se dedica a um órgao público, ou ele sai.
    Tenho na mente, assim, algumas declarações de trompetistas e tal querendo empresa privada, etc. !!! Mamando há décadas no Estado e querendo mais ainda !!!!

    AGORA, o fato que “essas dúvidas não foram oficialmente respondidas nesses três anos” me parece focar na ineficiência total dos gerentes desse setor na SECULT durante esse tempo… Sem dúvida.
    Cordialmente
    BF

  3. Jorge Alves Dias Says:

    Mais uma vez, caro Berim Bau,
    Fico feliz por perceber seu interesse em nosso “mundo”; na verdade, precisamos deste tipo de participação.
    Apenas gostaria de observar alguns pontos: decididamente o que falta realmente é vontade política das autoridades da cultura, e por extensão, do governo em geral, em relação aos investimentos necessários para a alavancagem de uma instituição como uma orquestra sinfônica.
    Cheguei aqui, em 1984, através de concurso público, e vi uma orquestra com excelente potencial artístico, pela qual me apaixonei, e ainda mantenho este sentimento pela orquestra que aprendi a ter como minha tambem.
    De lá para cá, apesar das dificuldades, vi um Corpo Estável do TCA, fazer grandes concertos, assumindo grandes compromissos e responsabilidades, como acompanhar companhias do porte de um balé Kirov, Bolshoi, ou da Cidade de Nova York; turnê com Monserrat Caballé, apresentação com luciano Pavaroti, alem dos populares, como Naná Vasconcelos, Caetano Veloso, Zizi Possi, Nana Caymmi, Gal Costa, Maria Bethânia, Leo Gandelman, Wagner Tiso, Milton Nascimento, e tantos outros.
    Entendo como infeliz a manifestação do meu colega Jorge Sacramento, ao declarar que o governo, se quizesse, já teria implantado um outro modo de gestão em nossa OSBA, que eles denominam O.S.. Nem no tempo do Carlismo, viu-se tal truculência, pelo menos não em relação à orquestra; tenho certeza de que esse não é o meu PT.
    Pergunto: quantas vezes se viu autoridades da cultura presentes a concertos da principal orquestra sinfônica do estado da Bahia? Ora, o fato real é que, com raras exceções, nossas autoridades não apreciam o que fazemos, e acham que desenvolvemos uma atividade elitista, a não ser quando se trata de um projeto que contempla orquestras jovens, e que vem com a marca de “inclusão social”.
    Sejamos francos: como podem defender o que não conhecem? E pior, não se propõem a conhecer.
    A verdade é que trata-se de um crime privar uma sociedade inteira da oportunidade de apreciar, por exemplo, as Bachianas, do nosso Villa-Lobos, ou a Pastoral de Beethoven, ou o Concerto No.1 de Tchaikovsky, para Piano e Orquestra, e tantas e tantas maravilhas da música universal.
    Porém, os que estão comprometidos, hão de lutar sempre para reverter este estado de coisas, conscientes de que educação, cultura, segurança, saúde, habitação, são responsabilidades do Estado.
    NÃO À “PRIVATIZAÇÃO BRANCA”!
    SALVE A ORQUESTRA SINFÔNICA DA BAHIA!
    Jorge Alves Dias
    Principal Trombonista da Orquestra Sinfônica da Bahia.

  4. Aurélio Justus Says:

    Mister Jorge Alves Dias, como sempre, primando pelo cavalheirismo e educação, suas incontestáveis marcas registradas, foi extremamente elegante ao classificar de “infeliz” o comentário do Sr. Jorge Sacramento. O texto confuso e por vezes tendencioso do Sr. Sacramento, me traz à lembrança uma certa frase fascista, “vomitada” desrespeitosamente em uma reunião, por, pasmem!, um músico da OSBA: “O Governo já deveria ter enfiado essa O.S. goela abaixo”. Então, Sr. Sacramento, qualquer semelhança é mera coincidência?

    Nota da redação: O anonimato do autor desta coluna é lúdico e sadio. O anonimato de comentários como este de “justus”, é injusto por ser covarde. Qual o problema e assumir as suas opiniões?

  5. Aurélio Justus Says:

    Ilustríssimo Sr. Berimbau,
    Peço-te perdão pela demora em responder, mas, só agora, tomei conhecimento da nota da redação. Quero tambem desculpar-me pelo “anonimato” do meu endereço eletrônico; anonimato que o senhor, justa? e corajosamente?, acusa de injusto e covarde, enquanto que o nobre colunista, sendo o “dono da bola”, se auto-intitula lúdico e sadio. Estamos falando da mesma justiça? Ou da mesma verdade? Não menti nas minhas afirmações; mencionei fatos que são do conhecimento de muitos. E o senhor? Será que antes de escrever no seu blog colorido (colorido com um “l”, por favor) de maneira tão tendenciosa e superficial sobre assuntos tão sérios e importantes, que dizem respeito à vida de dezenas de pessoas, profissionais talentosos e altamente qualificados, com anos e anos de experiência e luta, checou imparcialmente as informações recebidas, como se espera de um jornalista em busca da verdade? Pelo visto, não. Antes preocupou-se em investigar e rastrear autorias que contrapoem-se aos interesses que o senhor, supostamente, defende.
    Finalmente, estou lhe enviando o meu email. Se não o fiz anteriormente, foi porque, credulamente, achei que seria irrelevante e não suscitaria tanta atenção, pelo simples e democrático fato de discordar de um comentário, no intuito de refrescar as memórias e lembrar que “A Luta Continua, Companheiros!”.
    Caríssimo Sr. Wolf gang Berimbau, eu existo, sim. Aurélios existem! Assim como Mozart existiu um dia, e continuará existindo, mas através dos músicos de todas as orquestras do mundo. E por falar em existir, e resistir, (permita-me Mestre Jorjão) “Viva a Orquestra Sinfônica da Bahia”!
    Caríssimo anonimus: o seu e-mail não chegou, portanto, o seu “anonimato” permanece. O comentário foi covarde sim, porque atacou nominalmentee uma pessoa sem dar a ela a chance de saber de quem veio a agressão. O debate sobre o destino da orquestra vai continuar aqui, fique a vontade para continuar opinando. Mas se quiser citar alguém nominalmente, assuma.

  6. Uibitu Smetak Says:

    Realmente devo concordar com Aurelius Justus que jaz uma certa superficialidade em resumir uma problemática controversa e labiríntica (falo da não aceitação da OS)numa sentença: “…houve resistências dos músicos e a coisa desandou…” Esse assunto é muito complexo, duvido até que possa ser tratado aqui. O que sei é que ninguém deseja que aconteça com a OSBA o que está acontecendo com a OSB. Esse é o maior espectro que uma OS poderia libertar, dos profundos calabouços dos corações humanos que têm sede de poder. Lembra Wolfgang? “Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen”. A Rainha da Noite pode aparecer a qualquer momento!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: