Jirau e Metrosal é tudo Camargo Correia

28/03/2011

Lembro perfeitamente do economista Rômulo Almeida, herdeiro das experiências de planejamento econômico que marcaram a Bahia nas décadas de 1940 e 1950, dizer que a lógica de primeiro construir as instalações industriais para depois as condições de abrigo das pessoas é perversa. Rômulo estava falando em Camaçari, na década de 1980,
época configurada pelo caos urbano em que havia se transformado o antiga balneário de Camaçari.

Agora parece estar repetindo-se os mesmo fatos durante a construção das grandes hidrelétricas da Amazônia brasileira. Os empreendimentos atraem milhares de pessoas para cidades sem infra-estrutura, que não tem como abrigar tantas pessoas ao mesmo tempo e tudo tende ao caos. E as construturas, as milionárias construtoras, escusam-se das responsabilidades sociais. Recebem recursos públicos por meio de incentivos diversos e a montagem de infra-estrutura também diversa, deveriam, portanto, funcionar como agentes públicos. Mas nada disso: querem recursos públicos para fazerem negócios privados.

Sorteio de motos e brindes com performance de Rita Cadilac, no Natal de 2009 para os operários de Jirau.

Os trabalhadores de Jirau fizeram uma revolta dentro das instalações da empresa, ateando fogo a alojamentos e veículos, depois de cobrarem condições mais adequadas de estadia para o trabalho. A empresa – a Camargo Correia – fez ouvido de mercador. Depois levou o troco.

A Camargo Correia de Jirau é a mesma do nosso metrosal. Este mesmo que iria custar originalmente R$ 450 milhões. Já consumiu R$ 1,3 bi e é um elefante branco. Como disse o jornalista Levi Vasconcelos na coluna Tempo Presente, do jornal A Tarde. “Pelo passado e presente, a única alegria que o metrô pode dar ao povo de Salvador é se alguem for para a cadeia”. É o que todos esperamos da polícia, ministério público, justiça que todos ajude-nos a fazer o Brasil um país melhor, em que bandidos de colarinho branco vão para a cadeia e a juventude negra da periferia possa estudar e virar cientistas, médicos, engenheiros, físicos, matemáticos, jornalistas, enfim, que possam virar gente e sermos felizes.

Segundo o site O observador, a festa de Natal reuniu 3 mil operários e teve a participação também de políticos.

O Brasil de Jirau é um país que precisa deixar de existir, que devemos superar, que Jirau possa tornar-se símbolo da revolta por um país diferente deste que ainda temos, em que os poderosos ainda mandam até na Justiça.

Trabalhadores de Jirau afirmam que estão sendo vigiados pela Polícia

Por Danilo Augusto

Além de acusarem a empresa Camargo Corrêa de superexploração, os trabalhadores da usina hidrelétrica de Jirau, no estado de Rondônia (RO), estão sofrendo outro problema. A força policial está tratando os operários da obra como bandidos. Alojados em abrigos improvisados, eles afirmam que estão sendo vigiados pela Polícia.

Na última semana, após dias de tensão e ameaças de greve, os 21 mil profissionais que trabalham na construção da usina – de responsabilidade da Camargo Corrêa – realizaram  uma manifestação e exigiram, entre outras coisas, melhores salários.  Desde então, o clima está tenso na região.

O integrante do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Rondônia, Altair Donizete de Oliveira, reforça a afirmação dos trabalhadores. Ele relata que a força policial, com a conivência governador do estado, Confúcio Moura (PMDB), está sendo usada para reprimir os trabalhadores.

“Veja a falta de controle da situação. O governador pediu para os trabalhadores ficarem no canteiro de obras, que iria mandar ônibus para buscá-los. Dez minutos após a saída do governador, a Polícia chegou e disparou bala de borracha e gás lacrimogêneo em todo mundo, inclusive em mulheres.”

A Camargo Corrêa afirma que vai encaminhar os funcionários para seus estados de origem.  O jornal Folha de S. Paulo acompanhou, no último sábado (19), a tentativa de embarque de 150 operários em um avião fretado até Belém (PA). Porém, com um atraso de mais de oito horas, os funcionários foram informados que teriam de esperar do lado de fora do aeroporto. Muitos ficaram irritados com a situação. O fato foi suficiente para a Polícia Federal mandar reforço ao aeroporto.

* Reportagem da Radioagência NP publicada em
http://carosamigos.terra.com.br/index/index.php/noticias/1541-trabalhadores-de-jirau-afirmam-que-estao-sendo-vigiados-pela-policia

Fotos: site O observador

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