Mozart para poucos

30/03/2011

Oquestra Sinfônica da Ufba. Músicos afinam instrumentos 5 minutos antes do concerto de abertura da temporada 2011

Após a execução da abertura de A Flauta Mágica, de Mozart,  o maestro José Mauricio Brandão dirige-se  à platéia, menos numerosa do que uma orquestra completa: “Boa Noite, esta é a Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Bahia. Temos aqui músicos funcionários da universidade e alunos em prática de orquestração. Nossa orquestra está,  literalmente,  caindo aos pedaços e a presença de vocês nos ajuda a evitar que ela acabe”

A platéia do  início, que deixaria Salieri radiante, vai aumentando. Chegam mais pessoas durante a execução da segunda peça, um adágio,  também de Mozart, a quem é dedicado todo o programa, impresso numa folha de ofício. O estudante de regência João Flávio dos Santos distribui o programa na entrada, mas ainda tem um calhamaço na mão, que não vai chegar às mãos de ninguém.

“Esta orquestra já foi uma das melhores do Brasil, mas pode acabar porque  não tem apoio. Vem milhões para a escola de medicina, mas para a música não vem nada” protesta.

“Não sei quantos seremos, mas que importa?! um só que fosse e já valia a pena” , diz o poema de Miguel Torga, publicado por Muadiê Maria há pouco aqui no Bahia na rede. Sincronicidade. O poema reflete o espírito do concerto.

A OSUFBA tem apenas um primeiro violino. Mas vale a pena. Teodoro Salles, o spalla, músico de experiência internacional, como muitos ali. A ele se juntam três alunos para formar o naipe. E assim, com alunos e músicos convidados, a orquestra de 20 integrantes  se compõe com 31 e vai tocando.

O  próximo concerto é dia 14 de maio, no Museu de Arte Sacra, com um repertório Barroco e Clássico, sob a regência do maestro Pino Onnis.

Haverá público? O Bahia na Rede assume o compromisso de ajudar a divulgar este próximo concerto, se juntar ao flautista Tuzé de Abreu, responsável por parte do público ao divulgar em listas na internet e no seu facebook o concerto desta noite.

No final,  a platéia, que teve liberdade de entrar durante o concerto, já era mais numerosa, o dobro do ínício.

Como não há trombone na Sinfonia  39 de Mozart, que fechou o programa, o maestro e trombonista Fred Dantas se juntou à platéia na segunda parte do concerto. “E aí maestro, mesmo com estudantes, a orquestra soa bem?”

– Soa porque aí temos músicos experientes e de qualidade, que poderia estar em qualquer orquestra do mundo”. E elogia a entrada dos estudantes. “Foi uma boa providência chamar os alunos da casa, esta pode ser a saída para a orquestra.”

Após o concerto, o maestro ratifica suas palavras  “Sim, caindo aos pedaços. Criada pelo reitor Edgard Santos, em 1954, esta orquestra acadêmica já foi a melhor do Brasil” repete o que já havia sido dito pelo estudante João Flávio. O maestro tem esperança ainda na sensibilização do governo federal para a abertura de concurso. “Temos hoje 20 músicos e precisaríamos em torno de 70”.

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