Uibitu Smetak quer saber sua opinião

14/04/2011

Curioso perceber que só os seres da nossa “caverna” (TCA e OSBA) postaram comentários a respeito dessa situação, digo, a falta de público, adequação de repertório, OSBA X Bahia etc.
A nossa própria opinião já conhecemos. Gostaria de saber a opinião de seres além do nosso pequenino perímetro, aqui no planeta Terra mesmo, Salvador da Bahia. Onde estão os nossos intelectuais, a nossa “Inteligentsia”? Em idos anos nossa terra foi célebre pela profusão de mentes brilhantes e contestadoras. Bons tempos aqueles…

Comentário publicado no post Prazeres quer revolução

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Uma resposta to “Uibitu Smetak quer saber sua opinião”

  1. Josias Pires Says:

    Estou aqui atendendo ao chamado de Uibitu Smetak. Não nos conhecemos mas nutro enorme admiração por seu pai. Vivo diariamente repetindo uma frase dele como um mantra: “Salve-se quem souber; porque poder não poderemos mais”. Smetak capturou o espírito do tempo e ajudou a reiventar a música. A experiência criativa dos anos 1950 e início da década seguinte foi fenomenal. Mas aquilo não foi um espasmo nascido do nada. Tem uma história. Talvez o marco inaugural tenha sido ainda na década de 1920 com Anísio Teixeira, gigante que a Bahia insiste em ignorar os seus ensinamentos. Mas que plantou e semeou pelas décadas seguintes. Edgar Santos foi discípulo de Anísio e tantos e tantos outros. Foi Anísio Teixeira quem inventou a escola pública na Bahia. Todos os grandes artistas daquela época, todos os estudiosos etc, passaram por escolas públicas. Era outro tempo, é certo. Mas somos contemporâneos dos milênios.

    Desde a invasão militar e policial da II Bienal de Artes Plásticas da Bahia, em 1968, e prisão e tentativa de prisão de vários artistas plásticos naquele momento, começou outra história na Bahia. No lugar do projeto revolucionário, nacional e popular ficou a mercantilização da cultura, pura e simplesmente ficamos entregues às feras do mercado. Submetendo a cultura ao turismo mal informado.

    Uibitu Smetak tem toda razão: precisamos debater, conversar, trocar dúvidas e idéias, construir novas consciências críticas coletivas e individuais. Fazer a ponte com a força criativa da Bahia dos anos 50 e 1960 é uma idéia que tenho pendado muito. Estou concluindo a realização de um filme documentário de longa metragem sobre o poeta popular Cuíca de Santo Amaro, que viveu e atuou nas ruas da Bahia nas décadas de 40, 50 e início dos anos 60. Revisitando aquela época nos damos conta de novo da grandeza e força daquelas gerações. Aquilo ocorreu aqui, em nossa cidade, aquilo ainda existe. A memória, as obras, os objetos, as narrativas. É uma história que precisa entrar em nossos corpos por todos os poros.

    Uma das coisas que mais me fascina da criação cultural soteropolitana daquela época é a sinergia de linguagens distintas e a colaboração de fontes diversas. Ao saber que a Ópera dos Três Vinténs, de Bretch, foi encenada no TCA por atores da Escola de Teatro, o cenário feito pels Escola de Belas Artes e a música pela Escola de Música – todos da UFBA – fiquei emocionado com este espírito colaborativo, que foi galvanizado por Lina Bo Bardi e pelo reitor.

    Assim, Uibitu, falei alguma coisa. Mas não disse nada sobre a música de concerto. Sou analfabeto em música sinfônica, apenas apreciador. Mas jornalista é sujeito meio abestalhado que se mete a falar muitas vezes do que quase nada sabe. Mas como cidadão sinto que devo dizer o que penso. Tenho acompanhado a crise de gestão na OSB, li algumas reportagens, manifestos e cartas de agravo ao maestro. Não conheço os bastidores do caso mas parece que ele fez papel feio.

    Li recentemenete na excelente revista PesquisaFapesp, cuja editora é a jornalista baiana Mariluce Moura, uma entrevista com o maestro Isaac Karabtchevsky muito interessante. Recomendo a todos a leitura http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=4357&bd=1&pg=1&lg=.

    Acredito que o jornalismo pode propiciar exatamente isto: o debate e circulação de idéias, opiniões, iniciativas que nos conduzem em diálogo, compreendendo o nosso tempo e a nós mesmos.

    O nosso blog quer ser um instrumento a serviço da música sinfônica da Bahia. Estamos divulgando os concertos, mas queremos fazer reportagens, debater os assuntos que interessam aos músicos, ao público, a todos. E queremos que todos possam deixar os seus comentários e escrever textos para serem publicados no blog.

    Por isso essa idéia de fazer jornalismo opinativo e colaborativo. Vamos ao debate!!


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