Urbanista vê prefeitura como entrave para resolver problemas de mobilidade em Salvador

15/04/2011

A péssima qualidade da gestão pública soteropolitana é o principal entrave para a solução dos problemas urbanos da cidade, sobretudo para o ordenamento do uso e ocupação do solo, que tem estreita relação com o sistema viário. A afirmação foi feita pelo arquiteto Armando Branco, durante a mesa-redonda “Salvador e a Copa 2014: Mobilidade Urbana”, promovida pelo Observatório da Copa Salvador 2014 (http://www.observatoriosalvador2014.com.br/) e realizada ontem (dia 14), no auditório da Faculdade de Arquitetura da UFBA. O evento foi coordenado pelo professor Marcos Rodrigues e contou com a participação do engenheiro e professor Juan Moreno Delgado.

Armando Branco, que também é professor universitário e ex-presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil – Secção Bahia, disse que a desqualificação da prefeitura é tamanha, que sequer informações sobre a Copa 2014 (a Copa da Fifa, como ele chama) podem ser encontradas no site oficial do município. A prefeitura tem se revelado incapaz de compreender os desafios de gerir e encontrar as soluções para um território marcado pelas desigualdades, que ocupa o 26% lugar entre as 27 capitais brasileiras com a pior renda per capita. A maior parte da população ocupa, sobretudo, o miolo da metrópole, cujas áreas estão servidas com baixíssima infra-estrutura urbana.

A população de alta renda concentra-se na borda atlântica e bolsões como Pituba e Itaigara, principais beneficiárias da atual infra-estrutura viária. Armando Branco não acredita que os investimentos para a Copa da Fifa irão conseguir resolver os problemas de mobilidade urbana de Salvador. “Nas cidades em que ocorreram Copas do Mundo os problemas de mobilidade não foram resolvidos”, comentou. Considerou o caso de Barcelona peculiar, pois a cidade tinha projetos urbanísticos anteriores à decisão de sediar a Copa do Mundo, por isso foi capaz de aproveitar os investimentos para fazer obras estruturantes e definitivas.

“Há trinta anos estamos falando sobre a gravidade dos problemas urbanos de Salvador mas não somos ouvidos”, protestou. Com ironia, o arquiteto disse concordar com a proposta do sindicato das empresas de ônibus para decretar feriado municipal no dia dos jogos da Copa a fim de facilitar o fluxo urbano dos turistas e torcedores. “Independente da Copa, porém, a cidade requer providências urgentes para resolver questões graves de mobilidade urbana”, ponderou o arquiteto. Ele informou que Salvador tem atualmente 430.064 automóveis em circulação e 100 novos veículos entram diariamente no tráfego da cidade. Na medida em que o principal centro financeiro e de serviços de Salvador está localizado numa área por onde cruzam os principais corredores de tráfego (a região do Iguatemi-Rodoviária), a tendência dos próximos anos é haver um colapso do sistema de transportes baseado exclusivamente em veículos sobre rodas.

Bogotá – Armando Branco defendeu que a prioridade dos investimentos dos recursos da Copa 2014, em termos de sistema de transportes públicos, deva ser no modal ferroviário (veículos sobre trilhos). Tanto ele quanto Juan Moreno concordam, porém, que deve haver a combinação de vários modais, inclusive a criação de melhores condições para o deslocamento a pé e por meio de bicicletas. Delgado informou que em Bogotá houve um incremento de 40 mil para 400 mil bicicletas circulando na cidade. Assim como foram criadas condições favoráveis, em Bogotá, para os deslocamentos a pé. Um dos focos da política de mobilidade urbana de Bogotá foi a retirada dos automóveis das ruas.

Os especialistas reafirmaram que os sistemas viários são determinantes vetores de adensamento e ordenamento do solo, criação de centros e sub-centros de produção e serviços e, por isto mesmo, a decisão sobre a natureza dos projetos que receberão recursos da Copa deveriam ser melhor esclarecidos e debatidos pelos cidadãos, poder público e estudiosos.

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2 Respostas to “Urbanista vê prefeitura como entrave para resolver problemas de mobilidade em Salvador”

  1. Paranaguá Says:

    Há uma suspeita que muitos na Bahia assim como no Brasil, não quereriam a copa aqui principalmente pela incapacidade administrativa ou gestão pública que temos com isso não passariam por incompetentes só que agora não tem como se esconderem. Todas estas questões estão vinculada a justiça precisamos começar a propagar mudanças e execução da justiça, mas tenho medo porque assim como as promessas por melhoria na educação, segurança, saúde e até reforma agrária foram banalizados, se banalizar também as promessas por melhoria na justiça estamos acabados. Educação é a solução mas sem justiça o caos acontece.

  2. Paranaguá Says:

    Mais uma acho que os responsáveis pelas obras do metrô de salvador todos das empreiteiras ao presidente se assim tiver culpa deveriam ser presos, sabemos que é um absurdo estas obras, o quanto se gastou com recurso federal, estadual e municipal, dinheiro que anos some pelos ralos dos desperdício, acho que para isso algumas instituições de cunho da engenharia e urbanismo deveriam entrar com uma ação pública.
    Esta primeira etapa que não é a comb
    Cadê a prestação de contas? Quando termina todo o projeto? Cadê o dinheiro?


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