Manifesto monarquista

26/04/2011

Por Nilson Galvão

Os ingleses estão certos: a monarquia é o caminho. A começar pelo feriado desta sexta-feira, 29 – só lá na Inglaterra, só pros ingleses, esses privilegiados. Se você é capaz de não ter ideia sobre sexta-feira, uma canja: como têm gritado pela mídia afora, é o dia do casamento do príncipe com a princesa. Encantada, como diz a Veja. E, dizem, dois bilhões de pessoas em todo o mundo vão parar pra ver o casório, tipo assim Copa do Mundo. E aí, vai negar a tentação de virar súdito de uma família real?

Vai negar o maior vexame da nossa história? Pois é: tivemos a nossa monarquia e fomos incapazes de mantê-la. Fico me perguntando onde o povo brasileiro estava com a cabeça quando resolveu mandar embora aquele sábio imperador de barbas brancas, qual Papai Noel nos trópicos. Um cara fissurado em ciência, amigo de cientistas e artistas globais em pleno século XIX no Brasil. Um luxo!

Desperdiçamos para sempre esse barato de sermos o único país do novo mundo a ter um rei, uma rainha, príncipes e nobres pra cima e pra baixo. Condes, condessas, marqueses, marquesas: imagine esse povo nobre em pleno sertão. Imagine a novela Cordel Encantado na vida real!

Seríamos muito mais glamurosos, sem dúvida. Imagine quanta gente não ia querer assistir, pela tevê, ao casamento daquele tal de Dom Joãozinho. Imagine as canecas e todas as quinquilharias com a foto do casal, disputadas nos camelôs por turistas e afins. Imagine todas aquelas fofocas, lenitivo infalível contra o tédio e outros males da alma britânica, mas negados para nós desde aquele fatídico ano de 1889?

Uma confissão: cheguei a flertar até com o anarquismo na juventude, mas agora vejo com clareza as vantagens do monarquismo. Monarquismo de esquerda, claro. Convenhamos: a realeza é muito mais interessante. Política é o fim, isso Caetano decretou faz tempo. Pois os reis transcenderam a política, pelo menos na Inglaterra. Hoje eles só fazem encenar a glória do império. Como fazer o mesmo por aqui, se perdemos a chance de termos um império a ser gloriosamente emulado?

A proposta, portanto: se estão querendo fazer de novo o plebiscito sobre as armas, então vamos voltar a perguntar também sobre a monarquia. Se o problema é com os Orleans e Bragança, escolhamos outro rei: Roberto Carlos? Reginaldo Rossi? Ronnie Von? O Rei da Pamonha? Well, seja quem for, vamos combinar: caso vença a monarquia não vamos nos rebaixar a ponto de escolher o rei pelo voto. Rei é sangue, é destino, é pompa e circunstância.

Nada de republicanismos vulgares, por favor! Poderemos eleger critérios mais justos para a escolha. Os britânicos, por exemplo. Quanto mais barraqueira a família, quanto mais mulherengos os candidatos a príncipes, quanto maior a possibilidade de pintar uma Camila Parker-Bowles pra azucrinar a Lady Di de plantão, maior a chance de brilhar a família real, maior a chance de coroação.

E o melhor: quanto mais casamentos principescos, mais feriados nacionais. Pô, Joãozinho de Orleans, esse argumento devia ter sido lembrado naquela malfadada campanha. Por sinal vencida, com certeza de forma fraudulenta, pela república. Essa república urdida pelo diabo, como bem observava, cheio de ira divina, o nosso profeta Antônio Conselheiro.

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8 Respostas to “Manifesto monarquista”

  1. Mônica Says:

    Acho um luxo a monarquia. Façamos um plebiscito!

  2. martha Says:

    Eu voto em Tim Maia, já foi síndico e é o Rei do Suingue.

  3. Neto Says:

    E implantada a monarquie você será o Barão de Brumado.

  4. Bernardo Says:

    reservo logo o título de Conde do Baixo Sul. Ou Sir Lobisomem, prefiro.


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