STF derrota preconceito e homofobia

06/05/2011

Por Vitor Angelo, do Blogay

“Homem não chora, lágrimas são coisa de mariquinhas”. Essa frase foi, durante anos, ensinada para todos nós na infância. Na adolescência, tivemos uma outra: “Quem faz advocacia ou trabalha no Judiciário é sempre mais conservador”. Nesta quinta-feira, 05, essas duas máximas caíram por terra.
Deixando para atrás tanto o Executivo como o Legislativo, o Judiciário deu um grande passo em direção aos direitos civis dos homossexuais e colocou o país no mapa da tolerância e dos direitos humanos. O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu por unanimidade à favor da união estável de homossexuais, ao direito de adoção, herança, plano de saúde e pensão para casais gays. É uma grande conquista tanto para os gays como para o estigma de conservadores que os advogados sempre são carimbados. São 60 mil casais homossexuais no Brasil, segundo o último Censo, que ganham legalidade e respeito por parte do Estado.

Tirando o lamentável parecer do advogado da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que confundiu e fez uma afronta ao misturar homossexualidade com incesto, promiscuidade e poligamia, os ministros do Supremo, laicos, fizeram discursos de dar inveja a muitos militantes. Frases, como “o sexo das pessoas não se presta como fator de desigualação jurídica“, dita pelo ministro relator Ayres Britto, ou “daremos a esse segmento de nobres brasileros mais do que um projeto de vida, um projeto de felicidade”, do ministro Luiz Fux, foram emocionantes.

A cada relato, me vinha à cabeça casais gays que quando um deles falecia, a família – que sempre desprezou a relação e vivia afastada -, se apropriava de todos os bens, deixando o companheiro sem nada e sem proteção jurídica. Famoso é o caso do pintor Jorge Guinle Filho, casado com o fotógrafo Marco Rodrigues. Depois da morte do artista plástico nos anos 1980, até hoje Marco Rodrigues trava luta pelos seus direitos na herança e no reconhecimento da união. Pensei neles. Pensei nas inúmeras humilhações que casais de lésbicas e gays enfrentaram em filas de pensão, nas impossibilidades de dividirem um plano de saúde. E chorei.

“Uma sociedade decente é uma sociedade que não humilha seus integrantes”, disse a ministra Ellen Gracie. Chorei não pela humilhação, não por parecer orgulhosamente um maricas, mas sim pelos homens e mulheres que tanto lutaram pelo dia de hoje, com certeza histórico para o nosso país atravancado no pior do patriarcalismo e da subversão perversa de religião em ódio.

A Justiça cega abriu os olhos e ampliou o conceito de cidadania.

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Uma resposta to “STF derrota preconceito e homofobia”

  1. camilla oliveira Says:

    De fato, a decisão do STF somente vem reafirmar, cabalmente, a realidade vivida por brasileiro que certamente hj estão de alma lavada. Os princípios constitucionais devem ser aplicados a todos os cidadãos, independente de sua orientação sexual. A liberdade, a igualdade, a não discriminação devem, acima de tudo, prevalescer num Estado democrático de direito. Parabéns aos Doutos Ministros e aos que hj viram sua trajetória recompensada.


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