Maio é o mês da Marcha da Maconha

09/05/2011

Marcha da Maconha no Rio obteve habeas corpus preventivo para garantir que ninguém seria preso durante a manifestação (Foto: Alessandro Buzas. Folhapress

Carta aberta da população de Salvador sobre a Manifestação pelo Respeito à Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos na Elaboração de Políticas Públicas
e Leis sobre Drogas – Marcha da Maconha 2011.

Movimentos sociais, governos e agências internacionais têm se debruçado sobre os efeitos perversos de uma política repressora para o tema das drogas. A violência associada à criminalização do uso e tráfico tem trazido efeitos ainda mais perniciosos à sociedade do que o conjunto de substâncias denominadas como droga. O preconceito a usuários/as impede a procura por instituições de saúde para os casos problemáticos. A criminalização da produção retrai o avanço de pesquisas científicas sobre drogas. E o direito de muitos cidadãos e cidadãs é violado todos os dias em nome da pretensão de um mundo livre das drogas.

Nesse contexto, o judiciário brasileiro tem atentado anualmente contra o direito à livre manifestação de pensamento e de organização de cidadãos e cidadãs preocupados em debater novas políticas públicas e leis sobre drogas no país, proibindo a realização das edições da Marcha da Maconha; uma afronta a Constituição Brasileira (atigos 5, IV, e 220) e a Declaração Universal de Direitos Humanos e um desrespeito à luta de brasileiros e brasileiras que deram suas vidas à promoção de um ambiente democrático no país, contra um regime ditatorial.

As pessoas e instituições abaixo-assinadas entendem a necessidade de defender o direito à organização civil e acreditam ser necessária uma nova postura do Estado brasileiro no que diz respeito à política de drogas que leve em conta a redução de danos sociais e à saúde de indivíduos, diminua radicalmente a violência associada ao tráfico e altere o quadro de encarceramento em massa de nossa juventude – essa nova postura deve ser criada a partir do diálogo entre movimentos sociais e entre estes e os governos, considerando-se a diversidade de opiniões e respeitando-se as divergências.

A marcha será dia 28 de maio

Começou a convocação de todos\as aqueles\as que cansaram de ver problemas cruciais da nossa sociedade e da juventude serem tratados de forma menor pelo Estado brasileiro, a partir dos interesses das grandes industrias da violência (armamentistas, prisionais, etc).

Aquelas que conhecem pessoas em situação de risco pelo consumo abusivo de drogas (lícitas ou não) e que não conseguem achar informação e tratamento.

Aqueles que acreditam que a consciência sobre o consumo de drogas e seus riscos são o método mais eficaz de promoção da saúde pública.

Aquelas que cansaram de assistir na tv números inacabáveis de jovens presos e assassinados nas periferias brasileiras por posse ou tráfico de drogas, sendo que a maioria deles não tem acesso a políticas essenciais como saúde, educação, moradia de qualidade.

Aqueles que, usuários ou não, acreditam que o tabu sobre as drogas, em especial da maconha deve ser quebrado, tendo em vista a educação sobre o tema e a “desmoralização da discussão”..

Todos\as que defendem amplo debate sobre as drogas.

Dia 28 de Maio, às 14:20, no Campo Grande, em Salvador, nos concetraremos para a realização da Marcha da Maconha.

Uma manifestação pela liberdade de expressão e por uma ampla discussão na sociedade sobre o modelo de política de drogas temos hoje e qual podemos construir.

Não é o consumo, mas a ignorância que financia o tráfico. Marche, ajude a construir outra sociedade.

Leia mais:

“Há grupos que querem manter status satanizado da maconha”, diz pesquisador

Professor da Universidade de Brasília defende que uso medicinal da maconha e argumenta que proibição do Estado a esta aplicação é autoritária

Por: Virginia Toledo, Rede Brasil Atual

São Paulo – “A sociedade precisa ter acesso ao remédio que quiser. E o Estado não pode privar ninguém disso. As pessoas que acreditam que a maconha é um remédio já são consideradas criminosas por este mesmo Estado. Isso é inaceitável”. A posição é do neurocientista e professor adjunto da Universidade de Brasília (UnB), Renato Malcher Lopes.

Em entrevista à Rede Brasil Atual, o pesquisador explica os estudos que comprovam os efeitos medicinais da planta, seu uso histórico e o porquê da polêmica discussão que o uso e a legalização da planta causa na sociedade.

Nos próximos meses, 17 cidades participam de um movimento pedindo o fim da proibição do plantio e do consumo da planta. Os organizadores da Marcha da Maconha reivindicam a abertura de um debate público que discuta a lei antidrogas no que envolve a maconha. No sábado, no Rio de Janeiro, uma caminhada pela orla reuniu algumas centenas de pessoas que veem vantagens em regulamentar o mercado da substância.

Confira a entrevista com o pesquisador da UnB.

RBA – O que a planta pode trazer de benefício à sociedade se liberado seu uso?

Em minha opinião,  já há um crime cometido pelo Estado ao impedir que pessoas façam o uso do remédio que elas quiserem. Se as pessoas encontram na planta o alívio para o sofrimento e o Estado impede que ela tenha esse alívio, ele está sendo criminoso por impedir uma pessoa de cuidar do seu próprio bem estar. A gente não se dá conta de que ainda se tem essa mentalidade da época da Inquisição até hoje, que é essa suposição de que o Estado pode controlar o que as pessoas colocam dentro do seu corpo.

Além do dano causado por impedir o uso, tem a questão do constrangimento de ser acusado de um crime. É uma coisa absurda, que daqui alguns anos quando as pessoas olharem vão ficar  perplexas de ver como a gente chegou a esse ponto.

RBA – Já se sabe que o uso da planta é milenar. Por que essa discussão ainda causa polêmica na sociedade?

Já há cinco mil anos que se tem informação do uso medicinal da maconha e só de menos de um século para cá é que, de fato, a maconha começou a criar polêmica, tudo isso por causa da proibição do uso.

Muito mais premente do que lidar com a questão de que se é ou não válido legalizar o uso recreacional, o que é pode até impedir a violência urbana, me interessa nesse momento chamar a atenção para as pessoas que estão sofrendo e que têm de se submeter a diversas condições em busca da planta.

RBA – Hoje em dia ainda é muito freqüente o uso da planta para fim medicinal, mesmo sendo proibido?

Sempre foi. Inclusive muitas pessoas usam sem perceber que estão se automedicando, porque não se discute o fato de que estresse e depressão são condições tratáveis. E muita gente que usa a maconha regularmente, mesmo sem se dar conta, sente um alívio da depressão ou do estresse. O uso medicinal da maconha nunca foi esquecido, é histórico, não é uma discussão. A discussão existe só na esfera do moralismo, da propaganda.

RBA – Como vê a distinção entre remédios de farmácia e a maconha?

Quando um remédio que altera o estado de consciência vem de uma firma farmacêutica rica, ninguém questiona. Se você for nas prateleiras das farmácias, a quantidade de remédio que causa uma dependência que a maconha não causa é enorme. A própria morfina, que é um remédio usado para a dor, é como a heroína, pode levar à morte.

Uma vez descobriram em uma cidade do interior do Rio Grande do Norte que tinha maconha plantada em uma praça central. Perguntaram aos moradores e ninguém sabia que aquilo se tratava da maconha, para eles era apenas uma planta medicinal e que, tradicionalmente, sempre foi usada lá, quer dizer, aí precisa vir um estado estúpido colocar a sabedoria popular como um crime que não tem cabimento nenhum da filosofia ética.

RBA – Esses casos de estudos que foram feitos com a maconha para provar o uso benéfico são brasileiros? Como isso é levado em conta?

No Brasil não dá para fazer pesquisa porque você precisa ter uma fonte de planta para estudar. E nada disso pode ser pesquisado porque não existe uma agência que regule o produto para este fim.

Existe no Brasil um grupo de pessoas, principalmente vinculadas a instituições, que têm interesse em manter o status satanizado da maconha. Valorizando o lado minoritário da planta. Tem muita gente que quer manter tudo como esta e adota um discurso obscurantista de que a maconha é uma ameaça à família e ou à vida das pessoas. Uma coisa completamente sem lógica comparada com o álcool, que é muito mais danoso.

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/saude/2011/05/ha-grupos-que-querem-manter-status-satanizado-da-maconha-diz-pesquisador?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter
Os organizadores da Marcha da Maconha no Rio conseguiram um habeas corpus preventivo para garantir que ninguém seria preso durante a manifestação (Foto: Alessandro Buzas. Folhapress)

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Uma resposta to “Maio é o mês da Marcha da Maconha”

  1. Chico Muniz Says:

    Acredito que haja causas mais nobres a defender.


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