A caminho da força, por Oscar Paris

12/05/2011

Foto: Portal 2014 http://www.copa2014.org.br/

“Jobson tem uma personalidade parecida com a do Garrincha. A vida pra ele não tem problema nenhum”. A declaração publicada nesta quinta-feira (12) na contracapa do caderno de esportes do jornal A Tarde é do treinador do Bahia, Renê Simões, ao se referir ao novo atacante tricolor. Não sei se entendi bem, mas pelo que pude deduzir Jobson é infantil e irresponsável, características marcantes do anjo das pernas tortas que eternizou a camisa 7 do Botafogo e da Seleção Brasileira.

        Não sei como o próprio Jobson vai digerir a declaração do técnico tricolor, mas se ela for condizente com a verdade, ele não fará nada mais do que se divertir com a situação. Por outro lado, entendo que Renê Simões encare Jobson como um crianção que precisa de cuidados especiais para não pisar na bola e não ceder a tentação de dar uma bola, já que  o atleta em questão é reincidente quando o assunto é doping. Então a pergunta é: Jobson é solução ou problema?

Lembro que quando o Internacional contratou Lula no início dos anos 70 a imprensa gaúcha caiu de pau na diretoria colorada, pois segundo os cronistas da época o Inter acabará de adquirir um jogador problema, que gostava de jogo, noite, bebidas e mulheres. A justificativa do presidente do Inter para investimento tão arriscado foi no mínimo original: “contratei o Lula para ser ponta-esquerda do time profissional, não para ser meu genro”. Resultado: o colorado foi bi-campeão brasileiro em 75/76 com Lula envergando a camisa 11 com talento, criatividade e gols. Anos depois, já longe do Beira-Rio, Lula foi baleado na mão durante uma confusão num botequim qualquer.

Resumo da ópera: ou Jobson arrebenta quando finalmente envergar a mítica camisa tricolor ou crônica e torcida arrebentam com ele. Tudo com o aval de Renê Simões que, a meu ver, acaba de colocar a corda no pescoço do pupilo. Você já teve ter ouvido falar que uma das tarefas do treinador é trabalhar o psicológico do atleta. Pois está aí um grande exemplo. Para o bem ou para o mal.

*O comentarista de arbitragem da Rede Globo, senhor José Roberto Wright, é um cara sui generis. Na partida entre Ceará e Flamengo pela Copa do Brasil ele foi taxativo ao criticar o segundo cartão amarelo e a conseqüente expulsão do zagueiro flamenguista Ronaldo Angelim que simplesmente esqueceu a bola e atropelou um atacante do Ceará. Wright disse, com todas as letras, que o árbitro exagerou e que se fosse ele teria agido de forma diferente.

Como a memória não é marca registrada do torcedor brasileiro sou forçado a voltar no tempo para provar que nem tudo que reluz é ouro. Na partida entre Atlético-MG e Flamengo, no estádio Serra Dourada, em 1981, pelas semifinais da Taça Libertadores da América, Wright expulsou por reclamação 5 jogadores do Atlético em sequencia ainda no primeiro tempo. A partida teve que ser encerrada ali mesmo por falta do número mínimo de atletas exigido pela regra. O Atlético foi eliminado e os quase 90 mil torcedores f icaram no prejuízo, já que não usufruiram do produto pelo qual pagaram.

No ano seguinte, Wright apitou um Flamengo e Vasco da Gama com um gravador no bolso e acabou pegando um gancho de 40 dias.  É um exemplo tácito do faz o que eu digo, nunca o que faço ou já fiz. Como microfone no lugar do apito tudo fica mais fácil não é mesmo.

* O Vitória esta a um empate do inédito penta-campeonato baiano. Cá entre nós, somente uma tragédia grega, domingo, no Barradão, pode evitar a festa rubro-negra. Entretanto, é preciso atenção redobrada, pois se o Fluminense de Feira ostenta o apelido de Touro do Sertão, o co-irmão Bahia, também conhecido como Tremendão, luta para se transformar em Cavalo de Tróia em plena arena do leão. Seja como for, o bicho vai pegar.

* Você sabia que…

…o cantor e compositor baiano Cid Guerreiro faz sucesso entre a torcida do Peñarol, time uruguaio multi-campeão e que está praticamente classificado para as semifinais da Taça Libertadores da América? Pois é a mais pura verdade. A música entoada pelos “carboneros”, como são chamados os torcedores do Peñarol, é uma versão/adaptação de Ilarilariê, canção que fez sucesso nos anos 80 na voz de Xuxa, a rainha dos baixinhos. Na época Xuxa e Guerreiro tiveram problemas com vários grupos evangélicos que classificaram a letra como uma louvação demoníaca.

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