Lixo atômico clandestino?

15/05/2011

O controle das informações e a falta de transparência do setor nuclear são assustadores.

Organizações do município de Caetité – Comissão Paroquial de Meio Ambiente de Caetité, Associação Movimento Paulo Jackson- Ética, Justiça, Cidadania e Comissão Pastoral da Terra – encaminharam esta semana ao governador Jaques Wagner, ao ministro da Ciência e Tecnologia Aloísio Mercadante, a ministra do Meio Ambiente Izabella Mônica Vieira Teixeira, o presidente do Ibama e diveras autoridades federas, estaduais e municipais uma carta em busca de informações sobre suposta carga radioativa que estaria sendo encamihada para a Bahia. No início da semana dizia-se que a carga chegaria em cerca de dez dias. Contudo, para surpresa da população de Caetité e Lagoa Real, chegou hoje à noite (15), distribuída em treze caminhões.

Em Caetité e Lagoa Real, na Bahia, funciona a única mina de urânio em atividade no país. Há um muro informativo entre a empresa Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e a comunidade. Esta semana emisoras de rádio local fizeram programas sobre a última novidade – o anúncio da chegada de um comboio com carga radioativa na região – e ninguém da INB se prontificou a usar o microfone da rádio para informar minimamente a população do que realmente se trata.

A carta às autoridades pede esclarecimentos sobre o conteúdo da carga a ser depositada no município; e pergunta se seria “material das antigas usinas paulistas, a USIN – que guarda cerca de 1.500 toneladas de Torta II (concentrado de urânio e tório)– e a USAM, que também guarda toneladas desse material atômico – ou do Planalto de Poços de Caldas, que estoca cerca de 12.500 toneladas de Torta II?

Estarão vindo lixo atômico das experiências da construção do submarino nuclear e mais toneladas de material radioativo de urânio, em diversas formas, do Centro Tecnológico da Marinha (Iperó-SP), para reprocessamento em Caetité?

Será que, devido ao gasto de 40 milhões de dólares com a importação de urânio, por causa da queda da produção de Caetité, querem “misturar” o minério caetiteense, de alto teor, com a Torta II (urânio de baixa qualidade), e, assim, colocar o produto no mercado externo, diminuindo o prejuízo?

Por que este material está vindo para Caetité?”, pergunta os assinantes da Carta.

O documento lembra que, por se tratar de uma empresa federal que é a gestora do material radioativo, deveria a comunidade ser previamente informada. “Autoridades rodoviárias dos estados, municípios e da União autorizaram o transporte, como define a Lei, e tomaram as providencias cabíveis? E a Prefeitura Municipal e o Estado da Bahia autorizaram a importação deste lixo? Os órgãos fiscalizadores federais, estaduais e municipais não devem explicações à população de Caetité?”.

São muitas as perguntas da população e poucas são as respostas dos responsáveis pelo setor nuclear e ambiental. Até hoje o Ibama não divulgou o relatório da inspeção feita na Unidade de Concentração de Urânio, realizada em 4 e 5 de abril passado. “O que será que viram os inspetores? Ou nada viram?”, pergunta os peticionários.

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