Por um novo modelo de carnaval

20/05/2011

Da Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal de Salvador
Artistas e carnavalescos cobraram maior participação popular

O atual modelo do carnaval de Salvador está em crise. Esse foi o tom unânime dos discursos de artistas, autoridades, professores e representantes de entidades carnavalescas que participaram da sessão especial realizada na tarde desta quinta-feira (19), no Plenário da Câmara Municipal de Salvador, com o objetivo de recolher propostas e sugestões para pôr fim à atual configuração da festa momesca, apontada por blocos afro, afoxés e artistas independentes como excludente e discriminatória.

Considerada a maior festa popular do planeta, o carnaval precisa voltar a ser democrático. Essa foi a tese defendida pelo professor e advogado das Associações Carnavalescas, Augusto Aras, que abriu a sessão requerida pelo presidente da Câmara, vereador Pedro Godinho (PMDB). Na avaliação de Aras, o avanço dos camarotes e o enfraquecimento do carnaval de rua estão transformando a folia em um símbolo de apartheid. “Temos presenciado a submissão das manifestações culturais populares a uma prática econômica exclusivista. O baiano já está abandonando a festa”, argumentou.

A rejeição do povo baiano ao atual modelo do carnaval pode ser traduzida em números. De acordo com Otto Pípolo, presidente da Associação dos Blocos de Salvador (ABS), 86% dos soteropolitanos desaprovam o modo como a festa tem sido organizada nos últimos anos. “Antes espontâneo, o carnaval está se transformando em uma festa de elite”, observou.

Assim como os demais representantes de entidades carnavalescas que se manifestaram durante a sessão, ele fez questão de ressaltar, porém, que não é contrário à presença de artistas consagrados na festa, mas exige uma participação nos lucros obtidos pelos proprietários dos camarotes e emissoras de televisão. Só através do pagamento do direito de arena e do direito de imagem, defendeu Otto, as manifestações culturais populares podem ser preservadas e devidamente divulgadas. “Temos que tirar dos milionários para dar a quem de fato faz o espetáculo”, desabafou.

Presente à mesa da sessão, o Corregedor da Câmara, vereador Alcindo da Anunciação (PSL), concordou com a urgência de promover uma reformulação no carnaval e apontou a participação popular como elemento fundamental nesse processo.

Ex-coordenador do carnaval, Reginaldo Santos esteve no Rio de Janeiro no último carnaval para verificar a renovação da festa carioca com a proliferação dos blocos de rua. Para ele, Salvador precisa resgatar um espírito carnavalesco mais livre e espontâneo. “O que acontece no Rio nada mais é do que o que ocorria em Salvador há 50 anos. Em cada esquina se vê um bloco com as pessoas brincando de forma espontânea”, relatou.

Soluções

Além do pagamento dos direitos de arena e imagem, outras sugestões foram apresentadas para reforçar a participação popular no carnaval. Roberto Santos, presidente da Associação dos Blocos Afro da Bahia, e Nadinho do Congo, presidente da Associação dos Afoxés da Bahia, cobraram da prefeitura a isenção de impostos para as entidades que mantém projetos sociais. “A gente não vende fantasia, não tem patrocinador e, muitas vezes, fazemos o papel que o governo deveria fazer. Não temos condições de pagar essas taxas”, justificou Roberto Santos.

Como forma de dar mais visibilidade aos artistas e blocos de rua, o músico e compositor Gerônimo Santana propôs a realização de sorteio para definir a ordem de saída dos blocos. “Isso acabaria com o comércio ilegal para conseguir os melhores horários do desfile”, protestou.

Também prestigiaram o evento os vereadores Geraldo Júnior (PTN), Gilmar Santiago (PT), Pedrinho Pepê (PMDB), Olívia Santana (PCdoB) e Aladilce Souza (PCdoB) e o diretor da Assembléia Legislativa da Bahia, Arnaldo Lessa.

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2 Respostas to “Por um novo modelo de carnaval”

  1. Roberto Palmeira Says:

    Grande amigo de longas datas Nilson … longas datas mesmo.. amigos de infancia .. vc me conhece e sabe que gosto das tradições folcloricas.. sempre gostei dos carnavais puramente folclorico.. com mascaras,fantasias e muita luz.. pois é ,os grande musicos como armandinho,moraes,pepeu e outros ,foram deixado de lado pela industria mediocre e os analfabetos foram promovidos a estrela.. fico tristo quando ouço rebolation viadation, e outras porcarias como campeãs do carnaval.. aqui jazz o carnaval da bahia e pior, o povo fica assistindo os camarotes e blocos puramente para” paulista Brincar ” .. que o carnaval volte para o povo urgente e a musica verdadeiraseja o tema dessa festa maravilhosa .. abraços nilson

  2. Martha Says:

    Para termos um novo modelo de carnaval precisamos ter um novo modelo de cidade. Um é reflexo do outro.


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