Psyfamily

27/06/2011

Psyfamily na estação ferroviária de Iaçu.

Por  Marcus Gusmão

Na lan house o garoto quase encosta o rosto no computador. Seus óculos de grau cinco não dão conta da miopia de 12,5. Entre um golpe e outro do jogo, interage com as outras crianças, muda de tela, ensina uma manha, pede pra alguém uma dica.

No dia seguinte apareceu com a irmã menor e ambos cantarolam Sociedade Alternativa, de Raul Seixas, que vem do meu computador, enquanto navegam no jogo, em meio a muitos meninos.

A forma como as duas crianças estão ambientadas, como se relacionam bem com as demais chamou a minha atenção, parecem íntimas de todos.

– Sou do Rio Grande do Norte, informa. – E sua irmã? – De Itacaré. – E vocês estão aqui há quanto tempo? – Seis dias. – E onde estão morando? – Na barraquinha.

São três barraquinhas armadas na praça. Além de Iamuhu, de 10 anos,  e Diamba, de 8, conheci também Lee Morrison, de 17 e Ahkrã Inpej, de 4. Não estavam com os pais Anjo Sam, de 22,  e Maria, de 15.

E os pais? atraem os olhares curiosos por onde passam pelas tatuagens e piercings. Raul e Daniela comemoram bodas de prata de estrada no próximo ano. Os primeiros 10 anos viajaram por todos os países da  América do Sul. Aí nasceu o primeiro dos filhos, foram para o norte do país. Saíam do Verão amazônico, em junho, para o Verão nordestino, onde vendiam artesanato indígena. Em 15 anos, seis filhos.

Raul,  filho de militar, é formado em Ciencias Jurídicas, em Pelotas. É músico e tem viajado para  festivais na Europa. Recentemente, a convite de um amigo, passaram nove meses na Escandinávia. “As cidades do interior de todo o mundo são muito parecidas. Prefiro o interior, somos viajantes do sertão”, diz. Eles se sentem mais beatniks do que hippies. “O movimento hippie também é  inspirado no desejo de liberdade, mas minha viagem é outra”, diz.

Raul  encara as dificuldades de grana, de sobreviver de artesanato com tranquilidade. Reconhece que  muitas vezes depende da caridade mas considera este gesto sincero. Só não admite a pena. “É muito ruim ser tratado com dó, com pena. Não queremos e  não precisamos disso.

A família, batizada por um amigo de Psyfamily, passou os últimos seis meses em Itacaré, onde tem casa. Tem também outra base na Chapada dos Veadeiros, mas  prefere viajar. “Somos nômades”. A próxima parada é João Amaro, de lá para Itaetê, depois  Vale do Pati,  e em seguida para o Jalapão, no Tocantins. Raul promete mandar notícias pelo powerbook g4 de onde a família se conecta com o mundo.

Veja o perfil da Psyfamily no Facebook e no Orkut.


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Uma resposta to “Psyfamily”

  1. hofman Says:

    olha ja conheci familia feliz mas como esta ainda esta para nascer…ja vi eles pai 2 veses e as crianças sempre muito bem educadas e carismaticas…e daniela com uma paciência gigante com todos os seus filhos que nao sao poucos…e o raul cuidado da parti emocional e musical da familia…que se chama psyfamily…o pouco contato que tive com todos eles,sempre notei a cumplicidade e honestidade e respeito ao mas proximos e total liberdade pra oque quer que seja qnd estao juntos dividindo e se preocupando com todos….pra cima e pra frente.peace loveeee.


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