Jornada de Cinema: O mundo segundo a Monsanto, de Marie-Monique Robin

11/09/2011

Nesta segunda (12), na Sala Walter da Silveira, às 15h.

Por Sandro Santana, do Jornal da Jornada

Marie-Monique Robin – Filha de pequenos agricultores, sempre dedicou o seu trabalho a questões ligadas a direitos humanos e agricultura. Jornalista, escritora e documentarista com diversos prêmios no currículo, Robin nunca se esquivou de temas polêmicos e inimigos poderosos.

Em 1995, realizou “Ladrão de olhos”, documentário sobre o tráfico de órgãos, pelo qual recebeu o importante prêmio Albert London. Em 2004, causou frisson na Europa ao dirigir “Esquadrões da Morte: a escola francesa”, que trata da Operação Condor e denuncia táticas do sistema secreto francês e suas conexões com as ditaduras da América do Sul na década de 70. Publicou seis livros, entre eles “O Mundo segundo a Monsanto”, que vendeu mais de 80 mil exemplares na França e levou a escritora a analisar durante cinco anos mais de 500 mil páginas de documentos e a viajar à Grã-Bretanha, Estados Unidos, Índia, México, Brasil, Vietnã e Noruega.

No documentário homônimo ao livro, exibido no Brasil pela primeira vez na Jornada de 2008, Robin chega a conclusões alarmantes em relação às atividades da Monsanto, líder mundial no ramo da indústria de transgênicos que responde por 90% dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM) mundialmente cultivados, principalmente soja, milho, algodão e canola. Suborno de entidades sanitárias, contrabando de sementes transgênicas e manipulação de dados são apenas a “ponta do iceberg” detectado por Robin.

Segundo a documentarista, o mundo segundo a Monsanto é um mundo impregnado de pesticidas e mentiras. “Cerca de 70% dos alimentos geneticamente modificados são feitos para serem plantados com uso do agrotóxico Roundup. Ao comer um transgênico, a pessoa está praticamente ingerindo Roundup. E, ao contrário do que propagou a Monsanto, esse pesticida não é bom ao meio ambiente e muito menos biodegradável. Ele é muito tóxico. Tenho certeza de que nos próximos cinco anos ele vai ser proibido no mundo, tal como aconteceu com outro produto da companhia, o DDT”.

A diretora francesa ainda alerta para o poder de opressão e monopólio da empresa, que detém a patente de mais de 647 plantas, a maioria delas originárias da América do Sul, e mantém uma “polícia genética” que visita os campos, colhem amostras e exigem que os agricultores apresentem as notas fiscais de compra de sementes e herbicidas da Monsanto, e caso eles não as tenham, são processados. “O mundo segundo a Monsanto também é dominado por monoculturas. O que é um problema para a segurança alimentar, pois concentra a produção de alimentos na mão de poucos. Também considero arriscado deixar a alimentação mundial na mão de companhias que no passado produziam venenos e armas químicas, como o agente laranja despejado por tropas americanas no Vietnã”, alerta Robin.

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