Reflexão para o dia mundial sem carro

22/09/2011

Reinaldo Canto, Carta Capital 

Hoje, dia  22 de setembro, comemora-se o Dia Mundial Sem Carro. Ocasião que serve ou deveria servir para pensar e refletir sobre a crescente dependência de veículos de transporte individual.  Qual o futuro dessa opção? Quais os limites para o crescimento da indústria automobilística? Será possível equacionar o fato de que milhares de novos carros sejam despejados todos os meses nas ruas de nossas maiores cidades com a busca pela sustentabilidade e qualidade de vida de seus habitantes?

Vivemos um estranho e perigoso momento sem que tenhamos ideia de como sair dele. Só no ano passado, segundo a Associação Nacional de Veículos Automotores (Anfavea), foram vendidos 3,5 milhões de automóveis no país.  As grandes cidades brasileiras estão abarrotadas de carros, em geral com apenas um ocupante em seu interior. Nos últimos anos, com o crescimento econômico e a comemorada ascensão social, o automóvel deixou de ser apenas um sonho de consumo de muitas pessoas para se tornar uma realidade ao alcance dos bolsos ou via crediário.  Esse quadro que já vinha se desenhando ao longo do tempo acelerou muito em anos recentes. Os sucessivos recordes de produção da indústria automobilística obrigam a transformar fortemente a paisagem e a arquitetura das cidades. O carro adquire assim um protagonismo absoluto preenchendo e desvirtuando os espaços antes ocupados pelas pessoas.

_____________

Comentário (Josias Pires): O projeto de nação baseado na indústria automobilística, que levou à falência as nossas ferrovias, foi quem estruturou o capitalismo brasileiro nos últimos sessenta anos. A indústria automobilística no Brasil tem centralidade na economia do país. Mobiliza milhões de pessoas, alimenta diversos segmentos de produção e serviços e gigantesca e poderosa cadeia produtiva que começa no petróleo e nos pólos petroquímicos. O Pólo tem como principal cliente os fabricantes de acessórios de automóveis e outros automotores. Os automóveis são embalados como objetos do desejo da população no horário nobre da tevê comercial. Mas o transporte individual não é o melhor transporte nas metrópoles. O automóvel tornou-se símbolo da nossa sociedade de consumo, ou sociedade do consumismo, que está levando a humanidade a um beco sem saída.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: