Quilombolas do rio do Macaco recebem apoio e Justiça suspende por 4 meses ordem de despejo

04/11/2011

A Justiça Federal suspendeu hoje (4) por quatro meses a ordem de despejo contra os quilombolas do rio do Macaco. O pedido foi feito pela Marinha e Advocacia Geral da União. E cerca de 50 pessoas visitaram hoje a comunidade, levando apoio e solidariedade à luta em favor da permanência das 43 famílias de trabalhadores rurais que vivem e trabalham há mais de 100 anos numa área reivindicada pela Marinha, que construiu no local uma vila com dezenas de prédios de apartamentos ocupados pelas famílias dos militares.

Estiveram com os trabalhadores o deputado Luis Alberto (PT) e militantes de organizações de apoio aos trabalhadores. A marinha acusa as famílias de serem invasores, apesar de entre elas haver pessoas com mais de 100 anos de idade e que nasceram no local. O conflito entre militares e trabalhadores rurais vem desde a instalação da vila militar, na década de 1970, e ganhou contornos trágicos nos últimos anos. Os trabalhadores relatam diversos tipos de agressões praticados pelos militares. Em 2009 a Marinha resolveu pedir à Justiça a desocupação da área, no que foi acatada por um juiz da 10a. Vara Federal.

Aos moradores das áreas contíguas à vila residencial da marinha são dispensados tratamentos próximos ao apartheid: foram bloqueados acesso à água, à luz, aos serviços médicos, à escola – todos são analfabetos – e os trabalhadores estão proibidos de plantar a sua agricultura de subsistência. Para entrar e sair da área, as pessoas devem estar cadastrados na guarita do condomínio dos militares. Ou seja, está interditado o acesso livre e a visitação aos moradores da comunidade do rio do Macaco.

A sociedade soteropolitana – e brasileira – todos os cidadãos devemos refletir sobre esta experiência de exclusão social a que está submetida esta comunidade vizinha a Salvador. A Marinha precisa refletir sobre o tipo de tratamento que dispensa aos moradores, que vivem atualmente assustados, com medo de perder suas casas, suas roças, suas vidas.

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2 Respostas to “Quilombolas do rio do Macaco recebem apoio e Justiça suspende por 4 meses ordem de despejo”

  1. antoniogodi@hotmail.com Says:

    Tamos n. s. XXI!
    Parem c. isso a escravidão dizem acabou…
    Dizem tb. q. a democracia aqui s. instalou…
    Pois é saiu n. “Bahia na Rede” o inusitado…
    A “Pós-ditadura” aí está c. novo fantasma…

    O fato é q. o jornalista d. Blog…
    Apesar de credenciado foi impedido d. adentrar n. comunidade “quilombola”…
    É, surrealista o q., estamos a viver…
    É desumano o fato…
    Marcado por ações pouco democráticas…
    Esse governo q. s. diz democrata…
    Deve rever as teias d. s. ações…

    Antonio Godi

  2. Josias Pires Says:

    Agradeço o gesto solidário do amigo e aproveito a oportunidade para dizer que vejo a democracia como longo processo de aperfeiçoamento. No Brasil ainda estamos dando os primeiros passos. Talvez os mais resistentes às mudanças e que se opõem frontalmente ao diálogo das diferenças são exatamente os membrios das nossas forças armadas, aqueles que têm o privilégio de usufruir de moradias em locais aprazíveis, de condições adequadas de trabalho e salário, enfim… enquanto outros são vistos como lixo! Esta mentalidade que precisa ser mudada. A Marinha precisa sair do seu pedestal de casta e dialogar com o povo. Quanto ao governo acho que agiu corretamente ao suspender a ordem de despejo. O problema é que foi por apenas 4 meses. O que se espera é q neste período o Incra faça a demarcação da terra quilombola e o problema se resolva. Terra na região há bastante para a Marinha e para as famílias de agricultores. Então esta luta tem caráter civilizatório no sentido de romper com padrões estabelecidos. A imprensa baiana – com exceção do Uziel Bueno e Evilásio Jr. – nada tem publicado sobre a situação que reúne cerca de 300 pessoas, mais da maioria crianças e idosos, alguns com mais de 100 anos. De fato, fui impedido pela Marinha de ter acesso às residências dos agricultores. A comunidade vive numa espécie de prisão, apartadas do resto da cidade. Pessoas que temem pelas suas vidas, que sempre ficaram caladas, e que diante do desespero do despejo resolveram falar, gritar os seus direitos sempre negados.


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