Geografia e Cinema no Brasil – revisão bibliográfica

14/11/2011

Cena de Terra Estrangeira, de Walter Salles

Por Tiago de Almeida Moreira

Geógrafo Licenciado (UEFS-BA) – Mestrando em geografia (UnB-DF)

“Hoje, a indústria cultural aciona estímulos e holofotes deliberadamente vesgos, e é preciso uma pesquisa acurada para descobrir que o mundo cultural não é apenas formado por atores que vendem bem no mercado”. Milton Santos (2002).

Os estudos envolvendo Geografia e cinema tiveram sua difusão na década de 1980, principalmente nos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, vindo a se difundir no Brasil dez anos depois. Escher (2006) aponta que Béla Balázs foi um dos pioneiros em discutir representações de paisagens nos filmes, em trabalho de 1924, vinte e nove anos depois da primeira exibição pública de um filme pelos Irmãos Lumiére no Grand Café de Paris. O autor informa que desde este primeiro estudo até a década de ‘80 houveram poucos e esporádicos trabalhos, como os de Arnheim (1932), Wirth (1952), uma série de artigos da revista inglesa The Geographical Magazine (1957), e um trabalho de Yves Lacoste de 1976.

Na década de 1970 começaram a surgir pesquisas com maior rigor científico sobre representações do espaço geográfico no cinema, como aponta Lukinbeal (1995). Este destaca os trabalhos de Gold (1974) e de Relph (1976), como referências para os estudos geográficos sobre cultura de massa. Escher (2006) ressalta também os trabalhos de Lotman, nos anos de 1972 e ‘77, como fundamentais para o estabelecimento das bases teórico-metodológicas iniciais para análises geográficas dos filmes. Já no decênio seguinte esta área se expande, tendo como destaque os trabalhos de Zonn, de 1984 e ‘85, o de Johnston et al., produzido em 1986 dentre outros.

Esta revisão cobre o período de uma década de produção acerca de representações sobre espaço geográfico no cinema, entre os anos de 1999 e 2010 no Brasil. O estudo resultou em uma compilação com mais de quarenta trabalhos, entre teses, dissertações, monografias, artigos, resumos expandidos e capítulos de livros. A busca e obtenção dos trabalhos se deu através de pesquisas em sites, bases de dados, portais de programas de pós-graduação, livros e periódicos, tendo como palavras-chave de busca: Geografia, Espaço Geográfico e Cinema. A produção nesta área de investigação tem crescido no Brasil, porém, a escassez de estudos mais aprofundados, apenas três trabalhos de mestrado e três de doutorado, nos descortinam um caminho em construção.

Oliveira Junior (1999, p. 154), em tese de doutorado, argumenta, a respeito das possibilidades de análise, que “Um filme nos propõe o momento da criação de um outro mundo, onde estão se organizando, como pela primeira vez, espaço, tempo e homens. (…) A cada filme produzido um mundo é fundado”. Esta perspectiva norteou a condução da pesquisa sobre o papel simbólico da chuva em dois filmes: Antes da Chuva (Milcho Manchevski, 1994) e Blade Runner – O Caçador de Andróides (Ridley Scott, 1982). Esta segunda obra já havia sido analisada por Harvey (1992, p. 277), como um filme emblemático para se compreender as dinâmicas sociais da pós-modernidade. Este autor afirma, a respeito do cinema, que “(…) dentre todas as formas artísticas, ele [o cinema] tem talvez a capacidade mais robusta de tratar de maneira instrutiva de temas entrelaçados do espaço e do tempo”.

Blade Runner

A ampliação do diálogo entre ciência e arte, e a incorporação das obras cinematográficas como elemento de leitura e análise do espaço geográfico, é a idéia defendida por Barbosa (2000, p. 86). Para o autor, “A arte de representar nos oferece um caminho de reconhecimento do mundo, da vida, da memória e dos sonhos que pulsam do/no espaço geográfico”. A partir desta premissa, discute-se que as obras artísticas, e sobretudo o cinema, têm papel importante na produção, reprodução do imaginário social. Em um mundo cada vez mais imagético, os limites entre realidade e ficção se confundem e os diálogos dialéticos entre vida e arte se estreitam.

Nagib (2001 1 e 2) aponta que imagens do mar são uma temática recorrente no cinema brasileiro, desde o Cinema Novo, passando pela Retomada, dos anos 1990, até a produção mais recente. Em muitos filmes há a representação dos pares dialéticos mar – sertão, urbano – rural, modernidade – tradição, como metáfora para se discutir a questão dos grandes contrastes socioeconômicos e culturais existentes no Brasil. A autora destaca que em toda a história do cinema, elementos espaciais são utilizados ora de maneira direta, ora de maneira transfigurada, para se criar ambiências, desenvolver discursos e evocar o imaginário social nas obras fílmicas.

O espaço urbano tem sido o cenário preferido dos cineastas para a ambientação de suas obras, como informa Name (2003 1). Em sendo o cinema uma forma de arte eminentemente urbana, não é de se estranhar tal constatação. Os filmes difundem o modo de vida urbano, mas por muitas vezes tendem a encobrir muitas das contradições sócioespaciais das cidades. Em trabalho posterior, Name (2003 2) retoma esta discussão afirmando que “Filmes e cidades têm lugares onde ocorrem vivências – respectivamente mentais e empíricas – das quais emanam representações em que se configuram sentimentos positivos ou negativos”. Estes ditos sentimentos são mobilizados pelos autores a depender de sua intencionalidade.

Ao se utilizar de uma abordagem melodramática e pitoresca sobre uma dada realidade, a dimensão histórica é deslocada de seus aspectos mais importantes em um filme, como criticam Freire-Medeiros e Name (2003). Esta problemática foi investigada pelos autores na análise de quatro filmes estrangeiros ambientados na cidade do Rio de Janeiro, sendo constatado que de maneira mais ou menos explícita, a cidade tem sido representada ou pelo seu lado hedônico e carnavalesco, ou pelo seu aspecto de violência endêmica. Este tipo de tratamento narrativo acaba por apresentar uma imagem distorcida da cidade, propagando clichês falaciosos.

O estudo de Andrade (2004) analisa as representações de exílio e desterritorialização na obra do diretor brasileiro Walter Salles (1). A autora aponta que o diretor tem uma produção preocupada em dialogar com o período histórico e as contradições sociais do contexto em que suas histórias são realizadas. A desterritorialização e a gradativa perda de identidade territorial nas obras analisadas não aparecem de forma aleatória, mas vinculada às crises e incertezas próprias do mundo contemporâneo. Geiger (2004) é outro pesquisador que se debruçou sobre a produção de um único cineasta, neste caso, David Lynch (2). O autor defende a potencialidade do cinema na representação do espaço geográfico.

Com a capacidade de produzir as representações fotográficas do espaço real, o cinema pode abranger tanto o quadro natural, como o espaço construído, assim como cobrir as experiências vividas da população, inclusive as suas práticas do imaginário e do simbólico. Ele o faz quer na forma de documentário, quer na forma de ficção. (GEIGER, 2004, p.12).

Medeiros (2004), por meio de estudo comparativo entre filmes brasileiros e canadenses, buscou através de similitudes e diferenças entre ambas as produções, realizar um esforço de síntese da multicultural e fragmentada identidade territorial no continente americano. A autora ressalta que o olhar despido de etnocentrimos no encontro com o cinema do outro, pode auxiliar ao espectador a rever o seu próprio cinema, e por extensão, a sua própria realidade social. Em meio a esse diálogo dialético, as diferentes culturas se comunicam, ressignificam a sua forma de apreender e produzir o espaço geográfico.

A idealização do rural no cinema brasileiro é o foco do trabalho de Farias (2005), que identifica e analisa diferentes pontos-de-vista em relação à imagem do nordeste – sertão no cinema nacional. Em alguns filmes o rural aparece como espaço de dominação, conflitos e resistência popular, ao passo que em outros é retratado de forma cômica, lírica, com a valorização do aspecto humano sobre outros elementos. Múltiplos olhares são possíveis, mas a autora frisa que só a própria audiência dos filmes por parte de cada sujeito, considerando sua subjetividade e o seu contexto formador é que podem permitir o posicionamento sobre que imagem se aceita como coerente em relação ao meio rural.

As representações sobre a cidade do Rio de Janeiro nos filmes de Holywood são revisitadas por Freire-Medeiros (2005, p. 1), destacando o fato de que “Os registros fílmicos de uma cidade, em sua polissemia, levam à difusão de um conjunto de valores que tanto podem corroborar as estruturas de dominação cultural, política e econômica como lhes fazer oposição”. Entender o papel dos filmes na formação do imaginário social sobre uma cidade é o ponto de partida para se desconstruir muitos estereótipos indefinidamente repetidos nos filmes.

Oliveira Junior (2005 1) defende a idéia do desenvolvimento de uma nova área de pesquisa, as Geografias de Cinema. Segundo sua concepção, a ênfase na análise geográfica dos filmes não deve estar nas representações geográficas estritamente falando, mas sim nas formas como os filmes influenciam o fazer geográfico cotidiano das pessoas. Prioriza-se nesta proposta o aspecto dialógico entre a vida real e suas representações, ou melhor, como cada sujeito apreende essas duas dimensões e se posiciona diante de ambas.

A análise do filme Blade Runner (Ridley Scott, 1982) é o mote do trabalho de Oliveira Junior (2005 2, p. 105) pela segunda vez (o filme já fora analisado antes pelo mesmo autor em 1999). A partir de suas reflexões, o autor ressalta que personagens e ambiente se confundem nas obras fílmicas, já que para ele, “No Cinema, os personagens humanos não antecedem ao ambiente em que vivem. São criados concomitantemente, uns para os outros”.

Extrapolando-se esta ideia para as análises geográficas, pode-se afirmar que sociedade e espaço geográfico não são dissociados, pelo contrário, se relacionam dialeticamente. A produção de vídeo documentários pode ser uma ferramenta bastante útil ao ensino de Geografia, como destaca Ramos Filho (2005, p. 9), afirmando que, “… o cinema e o vídeo na escola devem ultrapassar a dinâmica do lazer porém sem negá-la. A escola deve ser ambiciosa e instrumentalizar o aluno para que ele se torne um espectador mais exigente e crítico”. Neste sentido, o uso de filmes em sala de aula pode despertar o interesse dos estudantes para vários temas e questões trabalhados pela Geografia, bem como estimular uma mudança de olhar sobre sua própria realidade.

Taú (2005), em estudo de caso sobre o filme O Primeiro Dia (Walter Salles, 1999), informa que por mais que muitos diretores queiram retratar questões polêmicas da organização sócioespacial e dos espaços de exclusão, muitas vezes esbarram em dificuldades práticas do cotidiano. Como alternativa a este impasse acabam por filmar em estúdios ou em cidades cenográficas recriando o ambiente a ser representado. Segundo palavras da autora: Como se sabe há uma grande dificuldade em gravar nesses espaços representativos da exclusão. Locar em um presídio para um filme exige muita burocracia (…) Nas gravações do espaço da favela, por exemplo, as dificuldades se convergem para outro problema: a presença do poder paralelo do tráfico de drogas. (TAÚ, 2005, p. 7).

A intertextualidade e a profusão de imagens nos tempos atuais influenciam fortemente nosso olhar sobre o espaço geográfico, passa-se a ver as cidades, as paisagens e os lugares com um olhar cinematográfico, como aponta Costa (2006). A autora discute o papel dos filmes e da propaganda na difusão de discursos, ideologias, padrões de consumo e de comportamento, questão diretamente associada ao desenvolvimento e difusão das tecnologias de comunicação e informação e ao processo de globalização.

Campos (2006, p. 5) chama atenção para o uso de recursos audiovisuais em sala de aula por parte dos professores de Geografia. Além de tecer várias considerações sobre a questão, o autor indica uma lista de filmes, relacionando-os com temas clássicos da Geografia, como sugestão para o uso em sala de aula. Apesar de destacar o potencial dos filmes como recurso didático no ensino de Geografia, o autor adverte que todo filme tem uma intencionalidade e, “O cinema não é, portanto, um registrador da realidade (…) Além de subjetivo, não é uma construção isolada do sistema sóciocultural do qual se origina”.

Leituras urbanas da cidade de Porto Alegre, através da análise de filmes sobre este lugar, é o tema do trabalho de Cuty (2006, p. 112), que identifica e interpreta múltiplos olhares sobre a capital gaúcha. Para ela, “O cinema vem se transformando junto com as cidades. (…) O cineasta busca muitas cidades ou apenas uma. (…) Busca uma mescla de cidades visitadas em algum momento, por algum motivo”. A cidade e suas contradições é representada com maior ou menor grau de criticidade, a depender da intencionalidade e do contexto formador de cada autor (roteiristas e diretores), e o fazer cinema é entendido como leitura – interpretação – representação de uma dada realidade sócioespacial.

Name (2006) chama atenção para a questão da escala nas análises geográficas dos filmes, já que nenhum filme pode dar conta da totalidade e complexidade social. Todo filme é um recorte de uma dada realidade, recorte de espaço, de tempo e dos grupos sociais representados em um filme.

Neste sentido, o autor ressalta que é importante identificar qual ou quais categorias de apreensão e análise geográfica são mobilizadas no filme. Quem analisa geograficamente um filme deve estar atento a esta questão, porém sem se prender a uma regra rígida, pois nenhum filme é um fazer geográfico teórico, e os conceitos geográficos são articulados de forma livre pelos diretores.

O cinema é uma representação subjetiva do real, tanto para quem o produz, quanto para quem o acessa. Neves e Ferraz (2006, p. 13) afirmam que, “O mundo nunca é sua representação exata, mas sim fruto das interações entre o real, o representado e o arcabouço ideológico de cada ser”. Nossa memória dos lugares, das coisas, das relações sociais, nossa bagagem cultural é que são os mediadores entre o que vemos representado na tela e o que vivemos e entendemos por realidade.

A capacidade de apreender e analisar criticamente um filme está relacionada com a capacidade de se posicionar frente à própria realidade vivida.

A possibilidade dos filmes atuais de ficção científica em antecipar a criação e difusão de novos aparatos tecnológicos é analisada por Novas (2006, p. 67). O trabalho discute como as futuristas cidades cinemáticas se confundem, cada vez mais, com grandes metrópoles contemporâneas, o diálogo entre cinema e crescimento urbano se estreita nos dias atuais. A autora cita que, “Quanto mais recente a produção cinematográfica em análise, mais as cidades do futuro se parecem com as cidades contemporâneas”. Muitos arquitetos e urbanistas se inspiram em elementos presentes nos filmes, assim como diretores se inspiram em elementos da realidade.

As relações entre Geografia e cinema são discutidas em três artigos de Queiroz Filho (2007 1, 2 e 3), o primeiro destes focado em questões teórico-metodológicas da pesquisa geográfica com imagens, o segundo aborda uma discussão sobre a área de pesquisa denominada Geografias de Cinema, já trabalhada anteriormente por Oliveira Junior (2005 1), e o terceiro artigo retoma esta mesma discussão, buscando aprofundar e estreitar o diálogo e as relações entre Geografia e cinema.

Queiroz Filho trabalhou ainda com representações de território e territorialidades no cinema, em tese de doutorado que será comentada mais adiante. Em tempo, o autor afirma que: Ressonâncias da espacialidade fílmica. Permanências históricas, arquetípicas, simbólicas, são memórias, possibilidades de entendimento que deslizam entre uma imagem e outra e saltam quando essas percorrem pelo universo cultural e imaginativo que compõem aquele que as vê. E assim elas ocorrem. (QUEIROZ FILHO, 2007)

Bentes (2007) chama atenção para o fato de que, muitas vezes representações de processos sócioespaciais nos filmes são tratados de forma distorcida e truncada. Através da análise do filme Cidade de Deus (Fernando Meireles, 2003) a autora observa que a favela é retratada como um foco endógeno de violência, aparecendo como isolada do resto da cidade, autônoma e autofágica. Em contraponto a esta perspectiva, Bentes discute que o problema do tráfico de drogas nas favelas existe ligado a toda uma estrutura que se organiza fora dela, tanto da rede produtora e abastecedora, quanto do público consumidor. Ela afirma que em lugar da estética da fome, da época do Cinema Novo, surge hoje em dia uma “cosmética da fome”, que espetaculariza as mazelas sociais das favelas.

O sentido de deslocamento, de isolamento e a sensação de compressão tempo-espaço nas cidades são temas discutidos por Fernandes (2007), ao analisar o filme Jogos Subterrâneos (Roberto Gervitz, 2005). Referenciando-se na idéia de Geografias de Cinema, já trabalhada por outros autores citados anteriormente, Fernandes destaca que o dito filme trabalha com vários tipos de sensações e comportamentos humanos típicos das grandes cidades. Ele argumenta ainda, que os filmes podem propiciar aos espectadores a elaboração de “territórios subjetivos” que se confundem com a própria realidade vivida.

As reflexões sobre a realização de um vídeo documentário no Semiárido pernambucano serviram de base para o trabalho de Maciel (2007, p. 39), que se fundou em construir pontes entre o conhecimento acadêmico e o conhecimento popular, entre a manifestação artística espontânea e a linguagem cinematográfica. Para o autor, “É muito instigante chegar ao reconhecimento da ponte entre a experiência dos habitantes, a interpretação dos pesquisadores e o meio de expressão do resultado final, um documentário para televisão”. O estudo ressalta a potencialidade dos documentários para o registro e as análises de processos sócioespaciais.

Fernandes et al. (2007, p. 7) chamam atenção para o uso de músicas nos filmes, como elemento criador de ambiências da vida cotidiana nas grandes cidades. “O cinema tem este poder de sedução dos sons a partir das imagens, e o espaço urbano oferece um laboratório de reinvenções neste campo sonoro de experimentação que é a vida tanto de forma objetiva quanto subjetiva”. As palavras do autor ressaltam que a memória sonora dos habitantes das cidades está impregnada de sons e ruídos, que são utilizados pelo cinema para se criar alusões a locais e situações corriqueiras do espaço urbano.

A relação entre produção – reprodução do espaço e a vida cotidiana são discutidos por Martins (2007, p. 143), através da análise do filme O Show de Truman – O Show da Vida (Peter Weir, 1998). A cidade imaginária do filme é pensada como um grande reality show urbano, no qual Truman é o protagonista, sem saber que sua vida é vigiada e filmada todos os dias, e que todas as pessoas que ele conhece representam papéis neste show da vida. O autor ressalta que a cidade do filme não deve ser vista como algo surreal e distante, pois afirma que, “… Seaheaven é uma límpida expressão da realidade urbana produzida no âmbito de uma sociedade crescentemente orientada pelos termos da reprodução capitalista da riqueza”.

A busca de aproximações entre ciência e arte, em especial entre a Geografia e o cinema, é discutida por Neves e Ferraz (2007, p. 77), que citam que, “A imagem no cinema (…) é a materialização lógica das contradições, paradoxos e limites da sociedade industrial moderna”. Os autores defendem que a Geografia deve buscar realizar leituras e análises de diferentes formas de apreender e representar o mundo, transcendendo o mundo das palavras do discurso científico, rumo a uma leitura da espacialidade que considere também, a produção imagética e simbólica do cinema e suas relações com a realidade concreta.

Prysthon (2007) analisa a recente produção cinematográfica nos países periféricos, com destaque para o Brasil, que nos últimos quinze anos tem tido uma crescente e diversificada leva de filmes, depois de certo período de ostracismo durante a década de 1980. A autora enfatiza a percepção de que, os novos diretores e roteiristas brasileiros têm tido uma preocupação em construir uma estética própria, sintonizada com as dinâmicas sócioespaciais de nosso país e de nosso tempo, e contrapondo-se ao modelos estrangeiros. Neste efervescente contexto, é papel dos geógrafos escrutinar as novas narrativas e representações do cinema nacional.

A discussão desenvolvida por Barbosa (2007, p. 113) destaca que o cinema tende a ter um olhar fetichista sobre o espaço geográfico e sobre os processos sócioespaciais que mobilizam a sua produção- reprodução. Neste sentido, muitos filmes acabam por glamourizar certos fenômenos sociais, reduzir e distorcer algumas realidades e seus condicionantes. Para o autor, “… o diálogo da geografia com o cinema é um vir-a-ser, capaz de contribuir para superar a nossa condição de meros objetos de representação”.

A imagem como forma de representação do mundo sempre fez parte da Geografia, como salienta Pontuschka (2007, p. 266), desde as aquarelas dos antigos viajantes, passando pelos mapas, cartas, fotos, maquetes, globos, imagens de satélite etc. A autora defende que a linguagem cinematográfica deve ser incorporada ao elenco de técnicas de registro e representação, seja no uso voltado ao ensino de Geografia, seja na análise geográfica dos filmes, ou mesmo como instrumento de registro dos processos estudados pela geografia. “Para nós, geógrafos e professores de Geografia, o filme tem importância porque pode servir de mediação para o desenvolvimento das noções de tempo e de espaço na abordagem dos problemas sociais, econômicos e políticos”, afirma a autora.

Andrade e Navarro (2008) analisando o filme Tropa de Elite (José Padilha, 2007) discutem a questão dos espaços especiais na cidade do Rio de Janeiro, locais de difícil acesso e de dinâmicas territoriais que subvertem a gestão oficial da cidade. Os autores ressaltam que o filme mobilizou uma grande discussão na opinião pública, ao evidenciar um certo clima de guerra velada vivido nas favelas cariocas, bem como a intrincada rede criminosa que mobiliza o tráfico de drogas, sobretudo com a conivência e participação de parte dos quadros policiais.

O cangaço revisitado e recontextualizado é o mote de investigação e discussão de Araújo Sá (2008), através da análise do curta-metragem Lampião Revisitado (Zoroastro Sant’Anna, 2004). O trabalho constata que o filme representa este fenômeno sócioespacial fugindo dos estereótipos de banditismo, miséria e seca que tantas vezes estiveram presentes nos filmes sobre o tema. A obra busca retratar os diversos condicionantes da questão, relatando que muitos indivíduos entravam para o cangaço por necessidade, outros por pura maldade e alguns por uma questão de classe, parafraseando o músico pernambucano Chico Science.

A relação entre a Geografia e as Artes de maneira geral, e o cinema em especial, é uma preocupação filosófica para Bluwol (2008, p. 101), pois para o autor, “A arte pode ser de importância fundamental na confecção de uma Geografia preocupada com questões ontológicas, com questões referentes à dimensão geográfica da existência das pessoas”. Partindo desta tese, Bluwol defende que o acesso às representações artísticas da realidade contribuem de maneira fundamental no desenvolvimento do que se pode chamar de imaginação geográfica ou mesmo “consciência geográfica”.

Costa (2008) analisa as relações de gênero e o papel da mulher nas representações do espaço no cinema brasileiro contemporâneo. A autora destaca que na tradição cinematográfica nacional a mulher, em vários momentos, foi retratada através do estereótipos do sexo frágil, e em suas relações com o homem estando sempre em posição de submissão. Porém, na produção mais recente do cinema brasileiro, esta perspectiva tem se modificado, e a mulher passa, paulatinamente, a ser retratada como agente, ao lado do homem, das novas dinâmicas sócioespaciais, culturais e de suas representações.

Elementos teóricos de Michel Foucault são relacionados ao filme Dogville (Lars Von Trier, 2003), em discussão de Da Rolt (2008). Mobilizando o conceito foucaultiano de disciplina, o autor destaca que as relações entre os personagens do filme se dão através de um ambiente de vigilância mútua constante. A invasão da vida privada, e a exposição dos possíveis desvios de conduta na ética predominante naquela cidade alegórica, são formas de se tentar enquadrar os indivíduos em um modo de vida linear, determinado pela previsibilidade de comportamento.

Os road movies, de origem estadunidense, ou filmes de estrada, são uma tradição no cinema brasileiro, desde a década de 1960 até os dias atuais, como informam Fechine e Mansur (2008). As autoras analisam a recente produção do cinema pernambucano, e chamam a atenção para o grande interesse dos cineastas deste estado por esta temática, em uma inventiva cinematografia que acaba por inaugurar um novo subgênero, o árido movie. Este tipo de filme tem tido a paisagem sertaneja como pano de fundo, e ao mesmo tempo personagem das novas dinâmicas sócioespaciais no Nordeste. Pelas estradas do sertão tencionam-se dialeticamente tradição e modernidade.

Name (2008, p. 251) defende a tese de que a produção cultural contemporânea, que é aparentemente múltipla e heterogênea em sua diversidade de representações, é em verdade marcada por repetições. Essas repetições reverberam no imaginário coletivo, e revelam, com um olhar mais acurado, que certas representações possuem mais similitudes do que diferenças entre si. O autor afirma que, “… se a geografia está em toda parte, o cinema também está, realizando repetições de repertórios de representações tão compulsivas que acabam por unir espaços distintos…”. Este processo de aproximação naturalizante de contextos dispares, pode nutrir sentimentos de etnocentrismo entre diferentes culturas.

As representações do sertão no filme Deus e o Diabo na Terra do Sol (1963, Glauber Rocha), são o foco de investigação de Pereira (2008). Para este, o sertão aparece no filme como uma grande alegoria da nação, com cada um dos personagens representando uma classe social, seus conflitos e as contradições sociais advindas desta dinâmica. Estão representados lá o poder político, na figura do Coronel José Rufino, seu aparato coercitivo – o matador Antônio das Mortes, a igreja, na imagem de São Sebastião, e os pobres e desvalidos Manuel e Rosa. Vários momentos e personagens históricos do sertão são evocados, como Canudos, Lampião e o cangaço, Padre Cícero etc., em um sertão dilacerado, mas também campo de resistência.

Rocha (2008) propõe uma abordagem metodológica para a análise de conteúdo em linguagens midiáticas, com destaque para o gênero televisivo, proposta esta que com alguns ajustes também pode ser aplicada à análise de conteúdos no cinema. A autora mescla uma metodologia quantitativa, a análise de conteúdo, com uma outra qualitativa, a análise de gênero televisivo, para discutir representações sobre as favelas brasileiras em programas da Rede Globo de Televisão. Tendo analisado quatro programas, Rocha destaca que houve uma certa dificuldade em se relacionar os conteúdos de um programa informativo, de cunho jornalístico, com um outro voltado ao entretenimento.

As veiculações de discursos imperialistas no cinema, sobretudo o produzido nos Estados Unidos, são discutidas por Sousa Neto (2008, p. 156), que destaca que muitos dos filmes Holywoodianos sobre guerras e conflitos tendem a defender o discurso belicoso, em lugar do diálogo e conciliação entre as partes conflitantes. Esta perspectiva reflete a política externa daquele país na década passada. Segundo Sousa Neto, “O cinema é portanto essa máquina, essa indústria cultural e do entretenimento que fabrica hoje a ideia de que os problemas do mundo se resolvem por uma lógica militar (…) em que a força da violência se sobrepõe à política do diálogo”.

O espaço público representado na obra do cineasta Eric Rohmer (3) é o objeto de análise de Santos (2009, p. 29), que chama a atenção para o importante papel da dimensão espacial na obra do diretor. Para a autora, o espaço geográfico, em particular o espaço público urbano, tem importância fundamental na produção de Rohmer, seja na construção de ambiências e na mobilização de simbolismos, seja através de alusões ao espaço real da cidade de Paris, onde o diretor ambientou vários de seus filmes. De acordo com a autora, “As mensagens que encontramos nos códigos elaborados por Rohmer são mensagens que, em grande medida, dialogam com o discurso geográfico”. O espaço público aqui é visto como lócus de interesses múltiplos e por vezes contraditórios, espaço do encontro e do acaso.

Figueiredo et al. (2009) chamam a atenção para a ideia de que não só aspectos políticos, econômicos e sócioespaiais podem ser objeto de análise geográfica no cinema, mas também temas da chamada Geografia Física. Os autores analisaram representações sobre cavernas em 72 filmes, brasileiros e estrangeiros, através de estudo comparativo – quantitativo de análise de conteúdo. O trabalho evidenciou que muitos dos filmes representam as cavernas como um local funesto e claustrofóbico, reforçando certos esteriótipos. Porém outros filmes valorizam o aspecto estético das cavernas, a beleza de suas formações, ou até mesmo o seu potencial turístico.

O uso de filmes de ficção, documentários e desenhos animados no ensino de Geografia são defendidos por Pereira e Silveira (2009). O trabalho visa refletir sobre a necessidade de se estimular nos alunos a busca da construção de um senso crítico, tanto no que é visto por eles nos filmes, documentários e desenhos, bem como na televisão e na internet. Outro aspecto é a valorização do uso destes veículos de comunicação, informação e entretenimento como recurso didático no ensino de Geografia. Os autores constroem um esboço de proposta metodológica a ser adequada a cada realidade escolar, sugerindo atividades, formas de avaliação e uma lista de filmes que tratam de diversos temas geográficos.

Para Queiroz Filho (2009, p. 155), “… o cinema nos faz repensar o próprio conceito de espaço geográfico, que deixa de ser apenas superfície, para a qual se dirige o nosso olhar, para ser um modo de pensar o mundo, o próprio olhar”. Baseado nesta tese o autor defende a ideia de territórios fílmicos, são territórios e territorialidades representados pelo cinema, e que a depender do ponto de vista de quem assiste a um filme, podem estabelecer pontes de significado com os territórios e as territorialidades da realidade concreta. A partir da análise do filme A Vila (M. Night Shyamalan, 2004), relacionando com as teorias do panóptico de Michel Foucault, o autor discute a questão do território como espaço de vigilância e de embates de poder.

As relações entre cinema e Estado no Brasil são discutidas por Morettin (2010), através da análise feita pelo autor sobre o papel do cinema na construção de uma imagem do país diante da comunidade internacional. Ações idealizadas pelo governo de Artur Bernardes visavam difundir a imagem de um Brasil próspero e repleto de potencialidades de produção econômica, entre os anos de 1922 e 1923. Contudo, o autor ressalta que as limitações orçamentárias e técnicas da época não permitiram que tal intento tivesse pleno êxito. A indústria cinematográfica brasileira só iria se sedimentar na década seguinte, com a criação do Instituto Nacional de Cinema Educativo, durante o governo de Getúlio Vargas. O trabalho ressalta o papel ideológico do cinema desde o início do século passado.

O papel do cinema no Ensino de Geografia para o Nível Médio é o mote de discussão de Santos e Chaves (2010) e Santos e Silva (2010), ambas as duplas de autores defendem que o cinema tem um papel bastante profícuo na mobilização e discussão de conteúdos geográficos em sala de aula. Apesar de ressaltarem as potencialidades lúdicas e didáticas da arte cinematográfica, os autores apontam que existem também algumas dificuldades de se utilizar filmes na escola, citando como exemplo a inexistência de salas adequadas para as exibições, a falta de acervo de filmes, a precariedade das instalações e dos equipamentos disponíveis etc.

Name (2010, p. 1) defende a idéia de uma “geopolítica da imagem”, através da análise dos discursos políticos presentes na série holywoodiana do arqueólogo inglês aventureiro Indiana Jones. Para o autor: “Desde sua origem, os filmes registraram e reproduziram imagens dos mais diversos lugares, povos, elementos da fauna e da flora, hábitos e culturas, promovendo uma organização imperialista e visual do planeta”. De fato, o cinema tem feito, ao longo de sua história de pouco mais de um século de existência, um inventário dos distintos modos de vida por todo o mundo, contudo, tem contribuído também para a difusão de discursos geopolíticos diversos.

 

Frente a isto, ressalta-se o papel do geógrafo e de outros cientistas sociais na análise crítica dos filmes. A estruturação da área de pesquisa denominada Geografias de Cinema, já trabalhada por Oliveira Junior, citado anteriormente neste artigo, é defendida também por Neves (2010, p. 133), que afirma que: “Ao Cinema não cabe dizer como é ou o que é o espaço, mas sim, a partir da interação com a Ciência Geográfica, apresentar novas possibilidades de leituras a partir desta interação”. Como já foi apontado por Harvey (1992), citado anteriormente, o autor ressalta o papel da análise do cinema para melhor se compreender a sociedade contemporânea. Em um mundo cada vez mais imagético e influenciado pelas imagens, realidade e representação dialogam dialeticamente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O cineasta não deve só fazer filmes, ele deve se interrogar sobre a sociedade em que vive. Jean-Jacques Beineix (2008).

 

Esta revisão bibliográfica sobre Geografia e Cinema, e de maneira geral sobre representações do espaço geográfico nos filmes, cobre a produção acadêmica brasileira entre 1999 e 2010. Esta nova área de pesquisa ainda está em gradativo desenvolvimento no país. Pode-se destacar um maior crescimento nos últimos três anos, com a publicação de trinta dos mais de quarenta trabalhos arrolados nesta revisão. Ainda são poucas as pesquisas mais aprofundadas, e a lacuna da omissão de algum trabalho publicado no período, que por ventura não tenha sido acessado pelo autor da pesquisa, poderá ser preenchida em revisões futuras.

Quanto à temática dos trabalhos analisados, pode-se perceber que existem cinco grandes eixos de interesse que têm chamado a atenção dos pesquisadores sobre Geografia e cinema em nosso país, são eles: 1. análise geográfica de vários filmes sobre um mesmo tema; 2. análise geográfica de um único filme; 3. análise geográfica da produção fílmica de um único autor 4. trabalhos teórico-conceituais sobre o tema; 5. o uso do cinema no Ensino de Geografia. Nota-se que há uma diversidade de temas que têm sido trabalhados pelos cientistas sociais brasileiros, porém outros, já bastante difundidos em outros países, ainda começando a ser desenvolvidos no Brasil.

As leituras, análises e discussões engendradas neste trabalho evidenciam que, as pesquisas sobre Geografia e cinema, na produção acadêmica brasileira, ainda estão em estruturação. Existem poucos trabalhos mais aprofundados, uma gama de interesses em pauta e várias lacunas a serem preenchidas. Nos dias atuais, cada vez mais a vida se parece com um filme, assim como os filmes se parecem com a vida, cabe aos geógrafos e outros cientistas sociais investigarem a relação dialética realidade – ficção – realidade. O presente estudo dá uma contribuição inicial às discussões envolvendo Geografia e cinema, temática que deverá ser aprofundada em trabalhos futuros.

NOTAS

  1. Walter Salles é um dos mais talentosos diretores brasileiros da atualidade, tendo tido dois filmes premiados com o Urso de Ouro no Festival de Cinema Berlin: Central do Brasil (1998) – Melhor filme, e Linha de Passe (2008) – Melhor Atriz, para Sandra Corveloni, dentre outras obras.
  2. David Lynch é um mestre norte-americano do suspense, diretor de, dentre outros filmes, Veludo Azul (1986), Twin Peaks – Os últimos Dias de Laura Palmer (1989) e Cidade dos Sonhos – Mulholland Drive (2001). Seu cinema é eminentemente urbano, focado nos dilemas e contradições da vida moderna.
  3. Eric Rohmer é o pseudônimo do cineasta francês Jean-Marie Maurice Schérer, integrante da geração da nouvelle vague francesa, roteirista e diretor de Minha Noite Com Ela (1969), O Raio Verde (1986) e A Inglesa e O Duque (2001). Faleceu no início de 2010, aos 89 anos de idade, ainda trabalhando.

 

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Publicado originalmente em Revista Eletrônica: Tempo – Técnica – Território, V.2, N.1 (2011), 1:19 – ISSN: 2177-4366

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Uma resposta to “Geografia e Cinema no Brasil – revisão bibliográfica”

  1. Geografia Contemporânea Says:

    Parabéns pelo ótimo trabalho.


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