desocupa Salvador

16/01/2012

Por http://fabriciokc.wordpress.com/2012/01/15/desocupa-salvador/

Desocupa Salvador: É preciso continuar e fortalecer o movimento, obrigando aos invasores a Desocuparem os espaços que nos foram usurpados. E tais espaços, embora representados pela praça dos indignados, não se resumem a ela, mas abrange a retomada da Política, da Cidadania, da Liberdade de Expressão e da nossa responsabilidade.

Ato público “Desocupa Salvador”

Ontem, 14 de janeiro, centenas de manifestantes protestaram – de forma criativa, pacífica e enérgica – contra os abusos que Salvador e a Bahia têm sofrido por parte de grupos de poder que dominaram e ocuparam a política institucional e partidária, subjugando poderes executivo, legislativo e judiciário através de um jogo de interesses e favorecimentos escusos, muitas vezes criminosos, assemelhando-se a uma dinâmica característica das máfias mais perigosas.

O Camarote Salvador, estrutura tão armengada quanto faraônica, representa um símbolo desse contexto: uma invasão arbitrária do espaço público popular por parte de uma empresa, com a conivência da prefeitura, cujo único objetivo é o lucro fácil de seus donos (um dos quais é neto de ACM), através da apropriação indevida de uma importante manifestação popular festiva que é o carnaval de Salvador. Os efeitos: legitimação da exclusão social; cerceamento, por vários meses, do acesso à praça dos Indignados em Ondina; obstrução do acesso à praia frequentada principalmente pelas pessoas das comunidades próximas – e estes são só os efeitos mais evidentes.

No dia 15 de outubro de 2011, um grupo de manifestantes, articulados num movimento global chamado 15-o (15 de outubro), ocupou literalmente a praça dos Indignados – hoje ocupada pela estrutura do Camarote Salvador – e lá permaneceu acampado por mais de um mês, até sofrerem pressões da SUCOM (órgão da prefeitura que “licitou” a praça) para saírem. A ocupação – chamada #OcupaSalvador (http://www.ocupasalvador.org conheça o blogue do Ocupa, suas ações e propósitos), promoveu debates abertos, realizou ações diretas criativas e intervenções e atos de protesto, abriu o diálogo com pessoas das comunidades circundantes e com moradores e pequenos comerciantes do Bairro de Ondina e, sobretudo, iniciou a discussão sobre a praça, renomeando-a para Praça dos Indignados, e sobre a conjuntura de extravios generalizados perpetrado pelos poderes públicos, que, dependentes de negociatas com poderes financeiros e empresariais, intrumentalizaram a estrutura dos partidos políticos e dos órgãos públicos para atenderem os seus interesses privados.

Ontem, diversas pessoas, espontaneamente articuladas a partir da internet, foram à praça protestar – mas não puderam ocupar a praça – que já estava ocupada pelo camarote – e foram obrigadas a ocupar a rua. Com um discurso político forte, mas não partidarizado, muitos falaram no microfone aberto, lembraram antigos carnavais genuinamente populares, levantaram faixas e cartazes criativos, e gritaram que a praça é do povo e ordenaram aos invasores: “Desocupa!”.

Tratou-se, evidentemente, de uma manifestação simbólica e pacífica. A Polícia Militar, presente para proteger a estrutura do Camarote sob ordem judicial que ameaçava a liberdade da manifestação, estimou que mais de 400 pessoas compareceram, e tudo transcorreu – graças aos manifestantes – sem incidentes de violência e conquistando o apoio de muitas pessoas que passavam pelo local, inclusive dentro dos ônibus.

Entretanto, não basta indignar-se, embora a indignação seja inevitável em todos os cidadãos livres que não dedicam a sua vida a atender subordinadamente aos interesses desses restritos grupos de poder destrutivos. É preciso transformar a indignação num vetor de ação e não de impotência – ação articulada, genuinamente política, cidadã e livre. A manifestação deste sábado mostrou que queremos e, sobretudo, sinalizou que podemos. É preciso continuar e fortalecer o movimento, obrigando aos invasores a Desocuparem os espaços que nos foram usurpados, para que sejam novamente ocupados por aqueles que verdadeiramente são responsáveis por eles: o cidadão livre. E tais espaços, embora representado pela praça dos indignados, não se resumem só a ela, mas abrange a retomada da Política, da Cidadania, da Liberdade de Expressão e da responsabilidade que nós temos para com o Sentido de Comunidade politicamente organizada, que deve prevalecer em qualquer país, estado ou cidade que se aproxime de um ideal de democracia.

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