GOTT IST NICHT TOT

20/05/2012

Foto de Antônio Queiroz, do Correio da Bahia

Ingresia, por Franciel Cruz

20/05

Na tarde deste sábado, conforme é de conhecimento do Norte e Nordeste de Amaralina e de uma banda do Vale das Pedrinhas, o Esporte Clube Vitória estreou no Vacarezzão-2012 diante do cigano Barueri. Estreou é um modo simpático de dizer, pois quem entende um tanto assim de bola sabe que aquela insossa peleja não pode ser classificada dignamente como uma estreia.

Aliás, a única coisa digna de registro foi a narração do gol, feita de forma magistral pelo estreante locutor Márcio Melo. Às aspas: “39 minutos da segunda etapa e Riberildo, o mago, deu uma de Mandrake. Deixou de lado a sua hombridade e se doou pelo time e, num ato de extrema coragem, empinou sua bunda, que deve ser menos feia do que sua cara, nas partes baixas do zagueiro adversário. O atônito defensor do Barueri nada pode fazer – a não ser empurrá-lo pra frente e derrubá-lo na área, decretando, antecipadamente, nossa arrancada rumo ao título”.

Touché!

Além disso, a partida serviu apenas pelos três pontos e por alguns lampejos do gênio franzino no segundo tempo. Então, por conta disso tudo, nada mais falarei sobre a partida. Vou agora tratar de uma questão de muito mais relevância: discutir se Deus existe ou não.

Seguinte, amigos de infortúnios.

Esta dúvida sobre a existência do divino era uma das inquietações que mais angustiavam Carlos Fuentes, segundo ele mesmo confessou numa de suas últimas entrevistas, concedida a Geneton Neto no final de fevereiro e reprisada neste mesmo sábado no Dossiê Globonews.

Inclusive, com bom e premonitório humor,  o referido  escritor mexicano, que  deixou este vale de lágrimas logo depois,  no último dia 15,  largou a seguinte: “Em breve irei tirar esta dúvida”. Se Fuentes tivesse esperado mais um pouco saberia que Deus realmente existe. Sim, amigos, Deus está vivo. A prova final de que Ele não morreu, ao contrário do que afirmou Nietzsche, ocorreu na tarde do mesmo sábado.

Seguinte foi este.

Depois de perambular por todos os bares da cidade que, colonizados, exibiam a final daquele torneio chinês, a xampionlig, finalmente encontrei o paraíso celestial e a prova definitiva da existência de Deus: uma budega de respeito com cerveja gelada e barata, transmitindo o único jogo que realmente deveria importar para todos os homens de bem que ainda habitam esta província.

É fato que o nível técnico da labuta entre Vitória x Barueri não fez jus à dignidade do estabelecimento, mas os habituès pouco se importavam com isso. Enquanto eu gastava meus últimos litros de cepacol, reivindicando mudanças urgentes no time, uns frequentadores jogavam dominó e outros  entoavam canções de Raul Seixas. Do lado de fora, ainda se escutava o grunhido do vendedor de taboca, torcedor da sardinha, que inutilmente secava o Leão.

Traduzindo: um lugar ideal para ver futebol. Ou melhor, quase ideal, pois, para mostrar que Deus não só existe, mas também é generoso deveria existir lá na budega garçonetes de mini saia e seios grandes.

Porém, como já ensinou Benito de Paulo, nem tudo pode ser perfeito, nem tudo pode ser bacana. Assim, botei meus três pontos na sacola e, na noite aquática de Soterópolis, naveguei por ruas etílicas, gritando meu novo mantra: a altivez vencerá a pusilanimidade, seja lá que porra isto signifique.

P.S E, quarta-feira, acho bom os coritibanos dançarem com a bunda na parede porque a madeira vai gemer em 29 idiomas.

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