Peckimpah destruiu a mitologia do western

29/05/2012

Peckimpah no set de filmagens de Pat garret & Billy the Kid (1973), numa maca, cercado pelo elenco, recebendo soro intravenoso com whisky, em resposta aos boatos que diziam que as filmagens iam mal e Peckimpah estava sempre bêbado.

Por Sandro Santana

Peckimpah foi o responsável pela transição do western clássico para o moderno. Podemos dizer que John Ford passou para ele o bastão. “Pistoleiros do entardecer” (1962) é o próximo passo depois de “O Homem que matou o fascínora” (1962), de Ford, o ultimo dos grandes westerns clássicos. Em “Pistoleiros …”, ainda que tenha  ingredientes do western clássico, Peckimpah inaugura o realismo, a densidade psicológica no gênero e até o “anti-americanismo” dentro do gênero mais  americano, ao retratar e louvar a epopéia dos fracassados, glorificar o perdedor.

Ao escalar dois ícones do western dos anos 50, já em decadência, Randolph Scott e Joel Mc Crea para viverem dois ex-agentes da lei acabados, sem dinheiro nem perspectivas, vivendo fora  do seu tempo, Peckimpah  já analisa e aponta para o fim de um gênero numa simbologia crepuscular. Em “Meu ódio será sua herança” (1969) ele vai mais longe. Além de trazer definitivamente para o gênero mítico um mundo real, personagens reais e destruir a mitologia do gênero, o que seria ainda mais evidente em “Pat Garret & Billy the Kid” (1973), a estetização e o realismo das cenas de violência é uma revolução não só no gênero, mas no cinema.

Quanto a Sergio Leone, com “Era uma vez no oeste” (1968) e  “Quando explode a vingança” (1971) ele marca  seu nome entre os grandes diretores de western, dialoga com as raízes do gênero, mas para mim, ainda assim, é um olhar estrangeiro, o que necessariamente não é ruim. Assim como Django Reinhard no jazz, Leone foi o primeiro a influenciar cineastas americanos  num gênero que é sinônimo e mito fundador da cultura americana.

Em relação a Clint, cabe pontuar que quando me referi a Peckimpah como o “ultimo dos grandes diretores de western” me referia ao período  cronológico áureo do western. Indiscutivelmente Eastwood é um dos maiores de todos os tempos e com “Os Imperdoáveis” (1992)  fez um epitáfio à altura do gênero que produziu alguns dos maiores filmes da cinematografia mundial.

Leia também: https://blogbahianarede.wordpress.com/2012/05/02/eu-so%CC%81-quero-entrar-em-minha-casa-com-dignidade/

Uma resposta to “Peckimpah destruiu a mitologia do western”

  1. setaro Says:

    Belo texto, Sandro. Arguto e penetrante.


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