Aruanda, Linduarte Noronha, 1960

08/06/2012

Parte 1 (9min03seg)

Parte 2 (6min11seg)

Filme documentário do paraibano Linduarte Noronha, que em 1960 inaugura –  ao lado de Arraial do Cabo (Paulo Cesar Sarraceni) – o documentário social brasileiro, indo além do lirismo de Humberto Mauro e buscando compreender os processos históricos e culturais do homem  e da terra de cada lugar do país. Filme luminoso a inspirar a fotografia do cinema novo – luz branca estourada captada sem filtros – e inspiraçao também temática. Antropologia visual filmada depois de uma reportagem que Linduarte fez para a imprensa de João Pessoa sobre o quilombo na Serra do Teixeira.

O documentarista baiano Geraldo Sarno garante que decidiu fazer cinema depois de ver Aruanda, numa exibição feita em Salvador. Na oportunidade Glauber Rocha, que até então havia feito apenas O Pátio, disse a Noronha que Aruanda tornava pueris os experimentos formais que ele – Glauber – andava fazendo pois e trazia para o centro da cena, de forma bruta e primitiva, a realidade brasileira.

Portanto, este é um filme seminal.


5 Respostas to “Aruanda, Linduarte Noronha, 1960”

  1. PIERRY Says:

    Passei a ficar inquieto e mesmo a rejeitar esse repasse esquemático por Humberto Mauro em qualquer assertiva sobre essa ou aquela ‘representação da realidade social’ em filmes ancorados no legado do cinema novo. Se o sabor campestre e ingênuo dos vários curtas de Mauro que retratam ‘um’ espaço rural brasileiro podem nos distrair da intenção do seu olhar, já nos anos 30, com Favela dos Meus Amores, o cineasta mineiro mostra alcance em sua intervenção sociológica, antecipando todo um recorte urbano (a favela, o subúrbio) e racial e de gênero (o personagem branco, feminino e estrangeiro na perifa dos negros). O filme (a história da Portela) é raríssimo e dado como perdido. Seu ponto é a plebe do morro descendo a encosta para o enterro de um dos seus nos domínios do burguesia. Sem contar as fontes musicais (Carmem Miranda, Lamartine) e de experiência tecnológica com o ainda recente som ótico.
    Mauro também pavimentou degraus na linguagem fotografia, especialmente ao lado de Edgar Brasil. Todos merecem a ribalta nessa História..

  2. Josias Pires Says:

    O velho Humberto Mauro é uma espécie de pai fundador do cinema novo. A câmara de Aruanda e de Rio 40 graus foram emprestadas por Mauro/INCE. A representação de realidades brasileiras de Humebrto Mauro é fundamental. Contudo a grande diferença da geração seguinte é que os filmes adquirem um papel político – e não apenas sociológico – relevante, formulando discursos compreensivos de problemáticas nacionais. Humberto Mauro naturalmente trafega noutras narrativas.

  3. victoria Says:

    Olá, estou com uma dúvida sobre a frase: “Antropologia visual filmada depois de uma reportagem que Linduarte fez para a imprensa de João Pessoa sobre o quilombo na Serra do Teixeira”. Você não quis dizer Serra do Talhado, ao invés de Serra do Teixeira?


  4. […] Aruanda, de Linduarte Noronha. Filme documentário do paraibano Linduarte Noronha, que em 1960 inaugura –  ao lado de Arraial do Cabo (Paulo Cesar Sarraceni) – o documentário social brasileiro, indo além do lirismo de Humberto Mauro e buscando compreender os processos históricos e culturais do homem  e da terra de cada lugar do país. Filme luminoso a inspirar a fotografia do Cinema Novo – luz branca estourada captada sem filtros – e inspiração também temática. Antropologia visual filmada depois de uma reportagem que Linduarte fez para a imprensa de João Pessoa sobre o quilombo na Serra do Teixeira.Um filme seminal do cinema brasileiro. (Fonte aqui) […]


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