Nobres?

18/07/2012

Por Marcus Gusmão, do Blog Licuri

Segunda à noite estive na Assembleia Legislativa. Fui como motorista da professora daqui de casa, depois de um alarme via internet de uma possível desocupação a força.

De fora, os professores na janela com suas bandeiras lembram um motim em presídio. Lá dentro, as barracas, as faixas, os colchões, passam um clima de ocupação estudantil. Sobre as caras circunspectas das fotos da galeria dos ex-presidentes da casa, faixas de protesto.

A ocupação daquele salão tem um simbolismo forte e materializa o encontro de duas realidades.

Aquele lugar vive desplugado da realidade social mas muito bem conectado ao poder executivo da vez. Ao ser ocupado pelos professores, pelas barracas e colchões, é transformado numa trincheira pública. Recebe uma espécie de choque de realidade.

A atitude agressiva e as ameaças, a noite sem ar condicionado e o corte de energia denunciam o fosso entre um dos poderes que se locupleta em altos salários para deputados e a pobreza da educação pública, tratada com indiferença e salários humilhantes.

Aquele lugar costuma se achar nobre. Os deputados adoram se tratar como nobres, não sei se por ironia, falsidade ou bajulação recíprocas.

Mas, na real, nobre mesmo é uma sala de aula.
Quem sabe um dia a gente ainda aprende isso.

2 Respostas to “Nobres?”

  1. artur carmel Says:

    Falou e disse, Gusma !

  2. Alexandro Santos Says:

    Simples. Sintético. Brilhante!


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