Choveu no sertão

24/07/2012

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Por Marcus Gusmão

Emoção ontem ao ler no Uol  sobre o prêmio principal do Festival de Campos de Jordão conquistado por um músico baiano de 20 anos, estudante do primeiro ano de regência da Escola de Música da UFBA mas já “veterano”  no Neojiba, desde os 17.

Impressionam as palavras de Arthur Nestrovski, diretor artístico da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) e do festival: “Foi mais do que uma unanimidade; foi uma unanimidade entusiasmada. Yuri é o próximo grande maestro brasileiro.”

Lembrei então do primeiro concerto do Neojiba, descrito assim no coco pequeno,  naquele sábado, 20 de outubro de 2007:

“Teatro Castro Alves. Programa gratuito.

Eu, Soraya e nossa  renca  ocupamos cinco poltronas na parte de baixo.

No palco, o primeiro concerto do Neojiba. E as lágrimas desceram nos primeiros acordes da música que encheu a sala.

Senti a mesma coisa num Carnaval em 1985 ou 86, quando me vi em meio ao som dos tambores do Olodum,  na descida da Castro Alves. É a musica que bate forte na alma.

Do palco do TCA  vinham trechos carimbados de obras conhecidas de Beethoven, Wagner, Dvorak, Brahms, Rossini que todos ali  – parentes, amigos, colegas, o governador e o distinto público em geral  –  ouviram em algum momento da vida, nem que seja num comercial.

E os meninos mandaram bem. Não tenho como avaliar o concerto, não tenho ouvido, mas minha intuição ignorante diz que aquilo era música das boas. Verdadeira e vital como deve ser qualquer arte.O som saía vigoroso de cada naipe. Muito claro, decidido, seguro.

E a platéia respondia. Aplaudia de pé e demoradamente a cada finalização. E os meninos agradeciam meio encabulados, meio que não acreditando no impacto da sua música.

E teve o bis divertido cancan que incluiu as palmas da platéia regidas pelo venezuelano Manuel Lopéz Gomes, de  24 anos. Uma figura a parte.

Deveria ter levado a câmara pra registrar. Este concerto já está na história do TCA, na história da música na Bahia.

Villa-Lobos, Widmer e Smetak aplaudiriam também hoje, de pé, o nascimento de uma nova geração de músicos na Bahia.

Choveu no Sertão da nossa música. E brotou.”

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