Jorge Guerreiro

03/10/2012

Por Clodoaldo Lobo*
Foto: Mayra Lins

Um Jorge Amado visto com o timbre de prestidigitador / diretor Fernando Guerreiro. Resultado: um espetáculo vivo, ágil pulsante de pluralismo e misticismo sincrético, uma marca visivelmente do autor. Colorido, com uma plasticidade que enche os olhos e o coração. Plenamente a favor da negritude assumida o ateu anarquista e revolucionário Amado Jorge (erra quem se atrever a pensar que ele foi um escritor pouco audacioso).

Num elenco praticamente homogêneo, sobressaem-se alguns atores, como o guerreriano Marcelo Praddo, na pele de um padre reacionário, e Ângelo Flávio, encarnando o negro libertário Abel. Ainda Andrea Elia, no papel de Adalgilsa, uma espanhola de sangue negro, que repudia a própria ancestralidade. Uma atriz de múltiplos talentos, na comédia e no drama.

De parabéns ainda Denise Correia, que faz Célia e Zélia, uma mãe de santo, de legítima cepa. Uma grata surpresa, para quem não a conhecia. Eparrê!

Laís Machado é dona Canô, uma homenagem à carismática senhora centenária.

Mariana Passos é outra homenagem do diretor a Hebe Alves, grande atriz e diretora do teatro Baiano. Agnaldo Lopes marca sua presença mulata, com a categoria de sempre. Marinho Gonçalves é Danilo, marido da miseravona Adalgisa.

Dado Ferreira interpreta Jesus Chediac, que foi diretor da Escola de Teatro, de que muitos se lembram, da década de setenta.

Outro saque de Fernando. Ana Cecília Costa, e sua parceira, Mariana Borges, que interpreta sua amiga Esmeralda, dão um show à parte de afinação, cantando Araçá Azul, do mano Caetano. Ana Cecília Costa, que faz Manela, a mocinha da historia, é também filha de Iansã, e surpreende principalmente pela bela figura. Convém não citar mais nomes de atores para não desmentir a afirmação de que o elenco é homogêneo. Para quem foi esquecido, uma saudação cordial.

Resta catalogar a homenagem a mim feita pelo diretor e elenco. No enlevo da decodificação, quero desejar ao espetáculo longa temporada. E que continue fazendo o retumbante sucesso de público.

A propósito: Ângelo Flávio, como você, ou mais precisamente Abel, também sou de Xangô, embora possa não aparentar. E a você, Guerreiro, um grande abraço pela sua ousadia e criatividade.

Viva o Teatro Baiano. Um gol de placa.

Evoé!

* Clodoaldo Lobo (www.facebook.com/clodoaldo.lobo) é jornalista. Trabalhou no caderno de cultura do Jornal de A Tarde de 1986 a 1996, dedicando-se especialmente à cobertura de teatro. Foi jurado do prêmio Braskem.

Ao final do espetáculo O sumiço da Santa, no dia 16 de setembro, foi homenageado pelo ator Marcelo Praddo, que, em nome do elenco, lhe dedicou a apresentação da noite pela sua trajetória de divulgação do teatro baiano.

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