No Jardim do FIAC

09/10/2012

Por Luiz Marfuz

Tomo emprestado o título da bela peça desta quinta edição do FIAC (O jardim) para trazer impressões sobre o Festival; não quanto aos espetáculos, mas sobre a relação com o teatro local. E, se na edição anterior – da qual fui um dos críticos – o modo de seleção das peças baianas esteve mais próximo do quintal, desta vez, sintonizou-se com o lugar que sempre lhe coube: o jardim.

Escolhi dizer isto agora, e não antes, para evitar qualquer ilação indevida, como se eu pretendesse alguma forma de inclusão no Festival, ainda que eu não tenha feito, este ano, inscrição de qualquer espetáculo que dirigi ou participei .Não custa lembrar, na edição anterior, fiz ponderações sobre a transparência do processo de seleção do Festival, prazos de inscrição, divulgação, critérios. Alguns acharam que se tratava de mero esperneio de quem ficou de fora. Mesmo assim, ignorando as críticas, posicionei-me claramente, contando com adesão de inúmeros artistas.Agora, tenho de ser justo e fazer um reconhecimento à comissão organizadora e à curadoria do Festival (leia-se Felipe Assis e Ricardo Libório), que soube acolher comentários e sugestões apresentados pela classe teatral, ao longo da discussão. Com isso, trouxe visibilidade e acesso amplo ao processo seletivo dos espetáculos baianos: cartazes, mídias sociais, chamadas na imprensa falada e escrita. Melhor: formação de uma comissão para seleção dos participantes, o que não impediu – e é pertinente- que a Curadoria convidasse outros, cujos trabalhos tivessem convergência com a linha geral adotada pelo Festival. Resultado: 11 espetáculos na programação, o maior número de todas as edições anteriores.

Como sempre, não questionei o mérito dos escolhidos; esta tarefa não me cabe. Mas não pode passar despercebido o olhar plural da Comissão deste ano, atenta, inclusive, ao que está acontecendo na cena baiana, especialmente ao movimento de teatro de grupo, emergente ou não, que vem contribuindo para a construção das identidades do nosso teatro, com um trabalho intenso de pesquisa e experimentação estético-políticas. Teatros de atitude.

Outro tento foi o avanço no processo de atividades formativas, publicações, formação de plateia, mediação cultural e a parceria com o Coletivo de Crítica. Um destaque: a iniciativa inovadora do Caderno Fiac, editado pelo jornalista Joceval Santana; um conjunto cuidadoso de entrevistas sobre os modos de operar dos encenadores, atores e grupos participantes do Festival, fazendo valer à máxima que encabeça a entrevista de Márcio Abreu: “A vida é muito breve. A arte é para além do sempre”.

O FIAC veio para ficar. Nunca duvidei disto. Precisamos dele como, também, do FILTE, este sob a batuta do incansável Luis Alonso. Festivais oxigenam nossa cultura, incentivam as trocas, fazem-nos agir e pensar sobre o agir. Seria bom, talvez, que os dois festivais pudessem ocorrer em períodos não tão próximos. Ganharíamos todos: artistas, público e a cidade, que viveria a efervescência cultural, num lapso de tempo e expectativa dignos de uma cena suspensa no ar.

* Diretor teatral e professor da Escola de Teatro da UFBA

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