A versão do juiz para a adoção das crianças de Monte Santo

16/10/2012

No blog de Luis Nassif, que publicou a carta do juiz Vitor Bizerra contando a sua versão dos fatos envolvendo a adoçao de crianças de Monte Santo para familias paulistas (http://www.advivo.com.br/node/1097843), um leitor identificado como Zorastro fez as seguintes observações sobre a carta do juiz, que publicamos também logo abaixo, na íntegra:

Pessoal,

O juiz que concedeu a guarda das crianças divulgou nota comentando o caso. Está em anexo a esta postagem. No documento, as justificativas de sempre: as crianças estavam abandonadas, a mãe era viciada em drogas, o pai desocupado, a família não tinha condições de cuidar dos netos, enfim, as justificativas de sempre. Além disso, pela depoimento do juiz, o poder judiciário de Monte Santo deveria servir de exemplo para o resto do país:

Problemas maiores existem em Monte Santo, mas que a poucos interessam a divulgação e muito menos a elucidação.

Foi o mesmo Ministério Público e Poder Judiciário de Monte Santo que efetivou uma série de ações de “limpeza social” como a prisão de grupos armados associados ao PCC, especializados em assaltos a bancos, e que dentre os acusados existem advogados, pessoas públicas e servidores de bancos. O processo deste caso encontra-se parado e sem andamento, sem que ninguém se pronuncie a favor da sociedade para que seja concluída a apuração.

Destaca-se ainda a “Operação Monte Santo” que uma simples consulta na internet poderá mostrar os videos que dão noção da dimensão da quadrilha formada por servidores públicos, policiais, delegados de polícia e políticos cujo processo encontra-se também parado por falta de Juiz titular na Comarca de Monte Santo.

Tudo muito bão, tudo muito bem. Apesar da intenção de “qualquer questionamento suscitado por quem tentou manipular a opinião pública através da imprensa fornecendo informações falsas e distorcidas restar elucidado”, faço as seguintes perguntas:

Como um juiz emite documento público (visível inclusive na internet) nomeando por extenso os pretendentes à adoção e que solicitaram a guarda das crianças? Como em qualquer processo de família, o processo de adoção corre em segredo de justiça!
De acordo com os procedimentos do Cadastro Nacional de Adoção, primeiro tenta-se localizar pretendentes na comarca local e nas comarcas vizinhas; depois tenta-se localizar pretendentes em nível estadual; em seguida, recorre-se à adoção interestadual e, havendo pretendentes internacionais, esses também são considerados. O magistrado não questiona que as crianças foram tiradas de sua terra natal e levadas para bem longe. Por que as crianças foram levadas diretamente para São Paulo, a mais de 1600km de distância?
Para contextualizar a dúvida acima, em 2010 havia 265 pretendentes à adoção na Bahia, para 74 crianças e adolescentes disponíveis; uma proporção de quase 4 para 1. No nordeste, esses números são de 1531 pretendentes para 631 crianças e adolescentes disponíveis. (http://www2.camara.gov.br/noticias/institucional/arquivos/dados-sobre-a-adocao-no-brasil) Os números não devem ter se alterado muito desde então, já que de acordo com o magistrado “há a corriqueira pratica da geração de filhos visando a percepção dos auxílios públicos conhecidos como ‘bolsas’. A falta de escolaridade, condições econômicas e questões culturais e sociais, fomentam sobremaneira oabandono dos filhos gerados.” Assim, não havia ninguém na Bahia ou no nordeste que se interessasse por essas crianças?
O magistrado não comenta a questão e as circunstâncias do desacato à autoridade que levou à prisão o pai de uma das crianças, nem a impossibilidade de alguém como ele pagar uma fiança de R$ 5.000,00. Ou seja, além da condenação penal (e da “ficha suja” consequente), essa pessoa corre o risco de ter que pagar suas dívidas para o resto de sua vida! Alguém se lembra de “Os Miseráveis” por aí?
Finalmente, o casal Bernhard Michael Topschall e Carmem Kieckhofer Topschall faz parte de uma minoria ínfima dentre aqueles que pretendem adotar: em 2010, menos de 1% dos pretendentes desistiu da adoção oficial e voluntariamente.

E de acordo com o CNJ, mesmo antes da exibição da reportagem no Fantástico, uma investigação sobre as adoções em Monte Santo havia sido iniciada:

No dia 1º deste mês (outubro), a Corregedoria Nacional já havia aberto procedimento para apurar supostas irregularidades em processos de adoção realizados na Comarca de Monte Santo, após denúncia feita pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) ao CNJ. Na ocasião, o ministro oficiou o TJBA para que prestasse informações sobre as acusações no prazo de 30 dias. (De http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/21619-corregedoria-determina-investigacao-de-supostas-irregularidades-na-ba).

Com a falta de confiabilidade tanto da justiça quanto da imprensa, não sei em quem acreditar em toda essa história. Mas sei de duas coisas: a remoção das crianças para o interior de São Paulo foi suspeitíssima. E de acordo com o CNA, não existem hoje em dia crianças para adoção em Monte Santo – algo estranhíssimo, considerando a nota oficial do juiz.

Eis a Carta do Juiz:

OS FATOS ENVOLVENDO A NOTÍCIA VEICULADA PELO FANTÁSTICO SOBRE A ADOÇÃODE CRIANÇAS

CRONOLOGIA

Em meados do mês de março de 2011, o Ministério Público do Estado daBahia foi comunicado de que o Conselho Tutelar havia recebido uma denúncia, noticiando a prática de maus tratos e abandono de cinco irmãos, todos menores. Tratavam-se das crianças R. W. S. S., D. S. S., D. S. S., L. S. S. e E. de J. S., filhos da Sra. Silvania Maria da Mota Silva. Em razão da gravidade da noticia, O Ministério Público solicitou a realização de estudo social pelo Conselho Tutelar, o qual foi redigido em 23 de março de 2011.

Em virtude de não apresentar informações precisas sobre as condições em que se encontravam as crianças foi pedido um novo estudo social, realizado em 14 de abril de 2011.Nesse documento, o Conselho Tutelar narrou que a menor E. de J. S., com apenas um mês de vida, não se encontrava registrada pelos pais e, conforme informações prestadas poruma vizinha, a genitora não sabia cuidar da criança. Foi certificado, ainda, que, segundo depoimento da própria mãe, Silvania Maria da Mota Silva, que o genitor de algumas das crianças, o Sr. Geroncio de Brito Souza, era alcóolatra e não estava cumprindo com suas responsabilidades alimentícias. Por cautela, o Ministério Público solicitou um novo relatório, agora perante o Centro de Referência Especializado em Assistência Social-CREAS, para a obtenção de informações mais pormenorizadas, tais como a situação de higiene, alimentação, saúde e vacinação das crianças, a existência de registros de nascimento, se estudavam; se faziam uso de vestimentas apropriadas e de que forma estava sendo feito o acompanhamento e zelo pelos pais e avós.

Em data de 06 de maio de 2011 o relatório subscrito pela Assistente Social do Município foi enviado à Promotoria de Justiça. No documento, a referida profissional assinalou que as crianças se encontravam, no dia em que a visita foi realizada, brincando em local “com lama” e que, embora matriculadas na creche municipal, as mesmas não teriam comparecido no estabelecimento de ensino, tendo a genitora alegado que estava ocupada, lavando roupa. Que “foi identificada uma precariedade nas condições de higiene e saúde”
. Que a vacinação dos menores R. W. S. S. e D. S. S. estava incompleta e que o cartão de vacinas, bem como o registro de nascimento de L. S. S. Sequer foram encontrados.

Por sua vez, a menor E. de J. S., agora com 02 meses de idade, continuava sem registro, sem estar sendo amamentada e se alimentando de leite de vaca, o que é impróprio em virtude da sua pouca idade. Por fim, constou que a própria Silvania comentou que o genitor da menor E. de J. S. era outra pessoa e não o Sr. Gerôncio de Brito Souza. Que o pai biológico da menor era casado e não poderia aparecer como pai de E. de J. S. Que o Sr. Geroncio, embora tivesse efetuado o registro dos menores D. S. S. e L. S. S., não era o pai biológico dos mesmos.

Em razão dos elementos repassados à Promotoria de Justiça que evidenciavam a situação de risco vivenciada pelas crianças, requereu-se, em favor das mesmas, a aplicação de Medida de Proteção, nos termos do artigo 101, inciso VII, do Estatuto da Criança e do Adolescente, para fins de colocação em abrigo provisório. Isso porque não havia informações de que avós ou outros parentes próximos tivessem intenção de ficarem efetivamente com a guarda dos menores, apesar de existirem noticias de que ajudavam, parcialmente, nas suas manutenções (pagamento de aluguel, alimentação e fornecimento de botijão de gás).

Não se pode olvidar que, em seu relatório, a Assistente Social, descreve que conversou com o avô materno das crianças, o Sr. José da Silva, que teria dito que “alugou uma casa para Silvania morar com os filhos, pois o quarto que ela ocupava na casa estava pequeno
para tantas crianças”.

No feito, há informações do CREAS e do Conselho Tutelar de que os avós acompanhavam a vida das crianças, mas mesmo assim, foi certificado que os menores se encontravam em condições precárias de higiene e de saúde, sendo a situação da menor E. de J.S. era ainda mais problemática, uma vez que não tinha sido registrada e estava recebendo alimentação inapropriada para a sua tenra idade. Ocorre que, se os avós acompanhavam os netos, eles tinham, portanto, conhecimento dessa situação, mas, ainda assim, não procuraram as autoridades a fim de noticiar as irregularidades, revelando, com os seus comportamentos omissivos, ausência, ao menos, a princípio, de condições para o exercício da guarda dos netos.

Ocorre que logo após o oferecimento da medida protetiva a Promotoria de Justiça foi contatada por servidores do Fórum de Monte Santo, comunicando que havia sido protocolada uma Ação de Adoção c/c Pedido de Guarda Provisória por Marcelo Lopes Chbane e Leticia Cristina Fernandes Chbane, em favor da menor E. de J. S.

Após analisar os autos de adoção e conversar, pessoalmente, com o casal, o Ministério Público através de sua Promotora de Justiça proferiu parecer favorável, uma vez que entendeu que os interesses da menor estariam assegurados mais adequadamente se a guarda da criança fosse repassada à família substituta ao invés de encaminhá-la para um abrigo público.

De todas as crianças, a situação da E. de J. S. era a mais problemática, uma vez que sem registro, sem vacina, sem alimentação adequada e com apenas 02 meses de vida, a mesma estava em evidente situação de risco, caso permanecesse com a mãe. Ressalta-se que a adotante era médica, com especialidade em nutrição. Por fim, no bojo do parecer, foi requerido, expressamente, a citação dos pais biológicos da menor para se manifestarem no feito, assim como a abertura de registro de nascimento da criança.

Ressalte-se que independente dos pedidos de adoção, já tramitava sob nº0000270-10.2011.805.0168 ação de iniciativa do Ministério Público para aplicar medida protetiva em favor dos menores desamparados. A medida protetiva buscava a colocação das crianças em abrigos. Ocorre que nem na cidade de Monte Santo, nem na região, existe abrigo adequado para o encaminhamento de crianças em tal situação de abandono e com a saúde fragilizada.

Assim, do ponto de vista do cumprimento do princípio da proteção integralinscrito no art. 3º do ECA –Lei 8.069/90 – bem como do disposto no art. 4º, também do ECA, que prioriza a convivência em família em preferência a qualquer medida de internação em qualquer estabelecimento, foi determinada, de forma provisória, ou seja, passível de reversão, a colocação das crianças em famílias substitutas que se dispuseram a acolhê-las.

Este caso não é o único feito envolvendo o abandono de menores na comarca de Monte Santo. Existem outros a exemplo de uma adoção feita por uma então Conselheira Tutelar de uma criança encontrada em situação de semelhante abandono. Em relação ao menor L. S. S. foi interposta a Ação de Guarda sob nº 273-62.2011.805.0168 por Bernhard Michael Topschall e Carmem Kieckhofer Topschall, ainda em maio de 2012. Contudo, o casal desistiu do pedido em 29 de agosto de 2011.

Paralelamente ao pedido de guarda, foi protocolada outra Ação, ainda em relação ao menor L. S. S., só que de adoção, nos autos sob nº 0000304-82.2011.805.0168, interposta por Nelson Luiz Melecardi e Debora Brabo Melecardi. Esta informação comprova que mais de uma família encontrava-se interessada em ajudar na alocação das crianças abandonadas, evitando-se, assim, a permanência na condição de risco extremo em que se encontravam. Em 01 de junho de 2011 foi realizada audiência para tratar da situação domenor L.S.S.

O Ministério Público não se fez presente – justificadamente –por estar participando de operação do Grupo de Combate ao Crime Organizado em outra região do Estado. Em razão da urgência em alocar as crianças em situação de risco foi deferida medida liminar e precária, ou seja, passível de reversão a qualquer momento, a guarda provisória da criança para uma família substituta e aberto vista dos autos para manifestação do Ministério Público fora da audiência.

Foi aberta vista dos autos sob nº 0000304-82.2011.805.0168 para o Ministério Público em agosto de 2011. Nesse momento o Ministério Público solicitou que a Inicial de Adoção fosse emendada, a fim de que os pais biológicos fossem incluídos no polo passivo da demanda e, evidentemente, pudessem se manifestar, evitando assim uma eventual falha de natureza meramente processual. Ressalte-se que apenas no mês de agosto de 2011, alguns meses depois de iniciado todo o procedimento apuratório pelo Ministério Público, pela primeira vez a genitora dos menores e a avó paterna procuraram o Ministério Público.

Observe-se que o Ministério Público foi procurado pela mãe biológica, mas esta nunca chegou a se pronunciar nos autos dos processos que envolviam as crianças, apesar de ter sido disponibilizado advogados gratuitos para a defesa de seus interesses.

Quando procurou o Ministério Público a Sra. Silvania, a mãe, já estava grávida novamente. Informou nesta ocasião que teria interesse em recuperar a guarda dos seus filhos e que estava disposta a melhorar a situação em que criava os menores.

Nesta ocasião a própria genitora reconhece que não estava oferecendo condições adequadas aos filhos, tendo os abandonado. Durante o atendimento a Promotora de Justiça deixou claro à genitora que a recuperação da guarda seria plenamente possível, pois as medidas deferidas pela Justiça eram provisórias e que o Ministério Público iria se posicionar de acordo com os interesses dos menores.

A Sra. Silvania, a mãe, foi inclusive orientada a contratar um advogado e que caso precisasse de um defensor dativo, que entrasse em contato com o Juiz para a sua nomeação sem qualquer custo, pois ela tinha o direito de ser assistida juridicamente e de forma gratuita se não tivesse condições econômicas.

Depois disso a Sr. Silvânia nunca mais retornou ao Ministério Público ou procurou o Juiz para a designação de Advogado para fazer a defesa de seus interesses. A Sra. Silvania assumiu abertamente na Promotoria de Justiça que era usuária de drogas
e que havia deixado de consumir substâncias entorpecentes apenas em razão dessa nova gravidez, conforme certidão proferida pelo servidor do Ministério Público.

Diante das particularidades do caso, o Ministério Público entendeu, por cautela, que seria indispensável ouvir os pais biológicos antes de se manifestar pela alteração da situação de fato em que se encontrava a criança, uma vez que a sua guarda provisória já havia sido deferida à família substituta, há quase dois meses, sendo traumático promover uma nova mudança na vida de uma criança de um ano e meio, sem ter a certeza de que se tratava da medida adequada para o seu bem estar. Ocorre que não se sabe a que título de interesse a pessoa que se identifica como Eleonora Ramos, sem qualquer verificação ou consulta a dados documentais ofereceu, sem base legal, fática ou justa, representação contra a então Promotora de Justiça e o então Juiz de Direito.

Após a análise dos fatos, tanto o TJBA e o MPBA concluíram em definitivo pela ausência de qualquer irregularidade nos feitos em questão.

A dita Srª Eleonora Ramos informou que haveria possibilidade de que os fatos configurem crime de comercialização e tráfico de crianças e que tais situações teriam sido referendadas pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário, por motivos ainda desconhecidos. A questão é que apesar de noticiar a prática de crime de tamanha gravidade, a denunciante não apresenta os mínimos indícios objetivos que a levam crer que se trata de tráfico de crianças.

Em que, exatamente, consistiu o tráfico de crianças? Quem comercializou essas crianças, ou seja, quem as vendeu e quem as adquiriu? Quem eram as crianças supostamente comercializadas? Qual foi o benefício auferido com o delito? Quais eram os fatos concretos que poderiam dar inicio a uma investigação pelo Ministério Público ou pela autoridade policial? Se há elementos e pessoas que pudessem efetivamente atestar tal fato, por quê nunca foram apresentadas ao Ministério Público, à Delegacia de Polícia e ao Judiciário, durante mais de um ano, na comarca de Monte Santo? E se não foi formalizada qualquer denúncia nesse sentido, em qualquer das instituições mencionadas, como pode ela afirmar que o Parquet e o Poder Judiciário referendaram a prática de tais ilícitos na cidade?.

Nesse ponto, é oportuno repetir que, desde quando principiaram os fatos contidos na representação (março de 2011), até a presente data, transcorreram cerca de dezenove meses. Ao longo deste período ocorreram diversas outras manifestações do Ministério Público através de outros membros nos sobreditos processos, e, todos, adotaram idêntica linha de atuação e entendimento na qual se baseou as decisões do então Magistrado. Essa conformidade entre os posicionamentos de diversos Promotores de Justiça e do Magistrado que decidiu nos casos demonstra a total coerência e licitude das atuações. Ou estariam todos, no entender da autora da representação, compactuando com a
prática do suposto “tráfico de crianças”?

Em verdade, o que se percebe é que o Ministério Público e o Poder Judiciário, através dos seus agentes, tem procurado se orientar com prudência em suas intervenções nos referidos processos, evitando alterações da situação de fato das crianças que não convirjam para a melhor promoção de seus interesses. É de ficar sem explicação o fato de que haja denúncia por tráfico e comercialização de crianças por alguém que sequer teve acesso a todos os dados que envolvem o feito – pois encontram-se sob sigilo de justiça – sem procurar antes conferir se as crianças estão, de fato, com as famílias substitutas e em que condições se encontram.

Se existe uma pessoa que trafica crianças com nome já conhecido porque não buscar investigá-la? Por que não acionar a polícia e o Ministério Público? Qual o proveito em atacar os órgão Estatais incumbidos constitucionalmente da guarda dos interesses dos menores?

Saiba-se que, diariamente, tanto o Ministério Público quanto o Poder Judiciário atingem interesses diversos, principalmente daqueles alinhados ao ilícito. No caso em tela, não se tem lógica a insistência em um tema de há muito ultrapassado, salvo de tentar desacreditar as instituições que de alguma forma ou em algum momento desagradaram quem realmente agiu na ilicitude.

O então Juiz do caso foi promovido por merecimento em dezembro de2011. A promoção foi publicada no Diário da Justiça em 09 de janeiro de 2012, portanto é fato público e notório. Eis a razão de ter deixado a Comarca e não simplesmente o caso.

O caso em si não denota maiores preocupações por não ser nada de novo no cotidiano de comarcas como Monte Santo onde, infelizmente, há a corriqueira pratica da geração de filhos visando a percepção dos auxílios públicos conhecidos como “bolsas”. A falta de escolaridade, condições econômicas e questões culturais e sociais, fomentam sobremaneira o abandono dos filhos gerados. As declarações do Magistrado que atualmente oficia no feito na condição de substituto legal serão levadas a apreciação das autoridades competentes seja pelo impossibilidade de se manifestar publicamente sobre processo conforme preceitua o art. 36 da LOMAN (Lei Complementar nº 35/79), seja por ter feito afirmação de existência de tráfico de crianças sem qualquer base fática.

DOS FATOS EQUIVOCADEMENTE VEICULADOS

O casal não é de lavradores.

Nenhum deles trabalha na lavoura. O próprio depoimento dos apontados pais relatam que suas atividades não são na lavoura. Nas comarcas do interior é usual se assumir a qualificação de lavrador para fins de percepção de prestação assistencial pública por idade. (ver depoimento do Conselheiro Tutelar Michelson Silva Caldas e certidões diversas acostadas)

São viciados em drogas.

Isto está expresso nos depoimentos deles nos autos e perante o Ministério Público. Apesar de não integrar os autos e não estar sujeito ao sigilo judicial, não há autorização expressa para a divulgação deste documento com os nomes das autoridades neles contidas. (Segue em anexo a certidão produzida pelo oficial do Ministério Público).

Não são um casal.

O próprio depoimento dos apontados como pais mostram que já não conviviam mais como marido e mulher. Em 21 de maio de 2012 o Sr. Gerôncio, na época ainda convivente com a Srª Silvania, chegou a fazer uma denúncia da Sr. Silvânia perante o Conselho Tutelar por abandono das crianças. (doc. em anexo) A mulher tinha vários parceiros diferentes, o Sr. Gerôncio era apenas um deles. Apenas uma das crianças é filho comum. (este fato está contido no depoimento da Srª Silvânia ao Ministério Público. Deixo de encaminhar o dito depoimento por ter outros dados resguardados pelo sigilo legal.)

As crianças foram encontradas sozinhas e abandonadas.

As crianças estavam abandonadas em chão batido, inclusive uma de 07 meses de vida. (ver Certidão da Escrivã responsável pelo caso.)

As crianças não foram dadas em adoção.

A adoção se torna irrevogável e irretratável. Ocorreu que no âmbito de uma ação de adoção houve o deferimento da guarda provisória. Esta é apenas o dever de cuidar e responder pelo menor até que seja definida a situação deste. A decisão dada é reformável, ou seja, reversível a qualquer momento. A medida buscou evitar a colocação em abrigo público, por não existir na região. Foram analisadas ainda as demais peculiaridades que apontaram claramente que em poder da mãe biológica as crianças estavam em risco por estarem abandonadas. (veja certidão da Escrivã e do Oficial do Ministério Público)

Toda a apuração dos fatos iniciou pelo Conselho Tutelar.

Veja o termo de advertência dado à mãe já em 02 de dezembro de 2010.

O Ministério Público que ingressou em Juízo pedindo medida protetiva em favor das crianças.

Ver a certidão do oficial do Ministério Público.

Em Juízo todas as informações de risco às crianças foram reavaliadas e comprovadas. Nos autos todo o caso é olhado sob a ótica do conjunto de fatos e circunstâncias, nunca com base em um único documento ou depoimento. O conjunto probatório que se encontra em sigilo de justiça é robusto em definir a necessidade da medida. Os documentos ora acostados – por não se caracterizarem como sigilosos – já dão a exata dimensão da extrema situação de risco das crianças.

Já existiam advertências do Conselho Tutelar

O sr. Gerôncio já representou a mãe biológica pelo abandono no próprio Conselho Tutelar. (ver as denúncias do Conselho Tutelar nº 039 e 037 de 2010 em anexo, bem como o termo de advertência).

As crianças não foram retiradas à força.

Foram encontradas em casa sozinhas quando em cumprimento à ordem judicial, devidamente acompanhada pelo próprio Conselho Tutelar. (ver a certidão da escrivã responsável e declaração da Juíza Leiga da Comarca de Euclides da Cunha)

As crianças estavam bastante doentes.

O fato está consignado nos vários relatórios produzidos pelo Conselho Tutelar e CREAS e que constam dos autos, estando resguardados pelo sigilo judicial.

Os pais não recorreram da decisão.

Consulte-se o andamento processual e as diversas certidões e depoimentos anexados.

Considerações Finais

Problemas maiores existem em Monte Santo, mas que a poucos interessam a divulgação e muito menos a elucidação. Foi o mesmo Ministério Público e Poder Judiciário de Monte Santo que efetivou uma série de ações de “limpeza social” como a prisão de grupos armados associados ao PCC, especializados em assaltos a bancos, e que dentre os acusados existem advogados, pessoas públicas e servidores de bancos. O processo deste caso encontra-se parado e sem andamento, sem que ninguém se pronuncie a favor da sociedade para que seja concluída a apuração. Destaca- se ainda a “Operação Monte Santo” que uma simples consulta na internet poderá mostrar os videos que dão noção da dimensão da quadrilha formada por servidores públicos, policiais, delegados de polícia e políticos cujo processo encontra-se também parado por falta de Juiz titular na Comarca de Monte Santo. Se há uma luta pela transparência e persecução de irregularidades que se faça como um todo, mas não se cubra intenções escusas sob esta bandeira.

Havendo a intenção de apurar ilegalidades que os “denunciantes” e a imprensa divulguem fatos e não simples versões distorcidas que podem fazer com que se tornem instrumento de ilegalidades e promoção de injustiças. É de se estranhar que a imprensa tenha divulgado uma matéria contendo o nome de um profissional público, onde lhe imputam ilegalidades, divulgando fatos notoriamente falsos. Qual o tipo de notícia que se está produzindo? Por fim, acredito que todo e qualquer questionamento suscitado por quem tentou manipular a opinião pública através da imprensa fornecendo informações falsas e distorcidas restou elucidado. O responsável pela reportagem procurou o Juiz anterior e foi informado de que ele estaria em outra comarca trabalhando como Juiz Eleitoral. Foi-lhe dado o e-mail de contato, mas este preferiu veicular a matéria sem a devida oitiva. Foi marcado dia e hora para conversar com o repórter, mas este não retornou na data agendada.

As entrevistas realizadas com o Ministério Público e com as pessoas que informaram a verdade dos fatos acima não foram veiculadas. Os documentos acima foram entregues ao jornalista que não os considerou como se não existissem.
Barra, 15 de outubro de 2012.

Vitor Bizerra

2 Respostas to “A versão do juiz para a adoção das crianças de Monte Santo”

  1. wilson andrade brito Says:

    tudo muito nebuloso e muito triste.fico a imaginar o que esperar
    destas tristes criancas.culpa dos pais eporque não das autoridades.com medidas apenas paliativas ou quase nada

  2. Margarete Says:

    gostaria que o programa Fantastico desse continuidade a essa reportagem para sabermos como estão essas crianças retiradas de seus lares adotivos e de volta à guarda da progenitora.Imagino a tristeza e o desespero delas de volta ao desamparo e ao abandono.Espero que as famílias adotivas não abandonem a causa e espero tambem que a justiça seja feita pensando nessas crianças como futuro e não apenas sobre os livros de leis desatualizadas para os nossos dias.Que Deus tenha piedade desses seus filhos.


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