Amigos de quilombola de Rio dos Macacos assassinado fazem marcha de protesto em Paripe

02/11/2014

02 Nov Moises

Por Josias Pires

A luta pelo fim das desigualdades sociais, pelo fim do culto à violência e por Justiça só terá êxito se mobilizar a cada um de nós e a todos nós juntos.

No dia de Finados, em geral, todos nós temos os nossos mortos a reverenciar, geralmente em silêncio e, algumas vezes, ate mesmo sozinhos. Mas para um indignado grupo de jovens e crianças, adultos e idosos do quilombo de Rio dos Macacos este domingo de finados (02) foi um dia de protesto e para clamar por Justiça no caso do assassinato de Moisés Araújo dos Santos, 20 anos, filho do líder quilombola de Rio dos Macacos Zezinho (José Araújo dos Santos).

Moisés deixou uma filha de seis meses de idade, levada pela mãe para a passeata, que contou com a presença de quase cem pessoas. O grupo saiu da praça da estação ferroviária, em Paripe, caminhou pelas ruas Dr. Eduardo Dotto e Almirante Tamandaré, passou pela avenida Almirante Mourão de Sá e pegou a Estrada da Base Naval de Aratu indo até a localidade onde ocorreu o assassinato, conhecido como Ilha de São João, nas vizinhanças do quilombo. O fato se deu na última segunda-feira de outubro (27), conforme noticiado aqui https://blogbahianarede.wordpress.com/2014/10/31/filho-de-quilombola-de-rio-dos-macacos-e-assassinado/#more-aqui 3

Foi clamando por Justiça que os quilombolas e seus amigos e amigas fizeram o percurso, de mais de duas horas, tendo à frente um carro-de-som e atrás uma viatura da polícia militar. Ao passar defronte da guarita da Vila Naval da Barragem, por onde se tem acesso ao condomínio residencial de sub-oficiais da Marinha e ao quilombo de Rio dos Macacos, os manifestantes interromperam a pista por alguns minutos e gritaram palavras de ordem contra a matança de jovens negros e a favor da Justiça.

Durante todo o percurso, d. Célia Silva de Souza, a mãe enlutada, evangélica fervorosa, repetia em prantos a última conversa que havia tido com o filho, por telefone, e clamava pela Justiça divina.

A pobreza, a moradia precária, a saúde em petição de miséria, a vida à margem dos direitos sociais e humanos básicos – enfim condições de vida indignas – são o caldo de cultura de desumanidades e desarmonias presentes em tantas dificuldades. Para muita gente só Jesus na causa poderá preencher todo o desamparo dessas pessoas diante do poder público insuficiente e do poder privado e incontrolável derivado do mundo das atividades criminosas e/ou indesejáveis.

Que a morte de Moisés Araújo não tenha sido em vão.

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