Dia de Santos Reis

06/01/2015

por Josias Pires

Hoje é o dia de Santos Reis, um desses dias mágicos do calendário cristão, dias especiais apropriados de calendários pagãos/ de culto ao Sol.

Epifania. Logo cedo abri o computador e vi o texto de Marcus Gusmão no Licuri com sua homenagem ao primo e amigo Mazinho, nascido no dia de Santos Reis. http://licuri.wordpress.com/2015/01/06/o-dia-de-irismar-reis/

Hoje é dia do aniversário do meu amigo Tico. Hoje foi o dia escolhido pelo novo secretario de Cultura da Bahia, professor Jorge Portugal para “tomar posse” em substituição ao professor Albino Rubim.

Em toda a Bahia, em milhares de localidades do país, neste momento milhares, talvez milhões de pessoas cantam, tocam e dançam a festa dos santos Reis.

Em cada lugar a festa é única: no repertório musical, nas danças e cenografias. Por isto falamos da bahia singular e plural. Expressões da diversidade cultural, parte dela. Vamos introduzir variável política: à primeira vista – para além do aspecto romântico de vamos registrar antes que acabe – as tradições culturais populares, de certo modo, cristalizam formas que atestam a vitória Cristã, a supremacia ideológica e simbólica da Igreja e do Estado, de substituir o “culto do Sol” no imaginário da humanidade ocidental.

Acredito que a dinâmica cultural nos levaria a admitir que toda hegemonia irá sucumbir. Homens e mulheres que festejam os Santos Reis – divindades não reconhecidas enquanto tais pelo Igreja, apesar do imenso prestígio no catolicismo popular – elas vivificam, com a festa, antigos cultos pagãos – sobretudo aqui nos trópicos onde ainda adoramos o Sol. Sem dúvida somos antropófagos – longe de nós a mera reprodução desatenta de mitologias europeias.

Lembremos, afinal, que desde os 2000 começamos outros 500 na História do Brasil – estamos revisando a História buscando ampliar os sentidos que estão em jogo. Digo isto com certa convicção pois tive a oportunidade, o convite e a ousadia (quem sabe) de comentar no interior de uma igreja católica, há alguns anos, no final da missa do dia 06 de janeiro, e relembrar aos presentes as origens do mito dos Reis Magos do Oriente.

A cegueira fundamentalista religiosa tão em voga hoje no Brasil poderá ser curada com informação qualificada sobre a História e as diferentes visões de mundo que somos capazes de construir. Vivemos imersos, submersos, às vezes, em narrativas míticas de toda ordem e sentidos, que exigem capacidade de discernir o joio do trigo. Dorme de touca quem deixa de ver a guerra simbólica, ou seja, a guerra cultural que nos afeta de muitas maneiras diariamente.

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