O começo do fim do ciclo petista

03/02/2015

Ciclo PT

Por Josias Pires

Parece fora de dúvida que a eleição de Cunha é forte indicador da crise política em que mergulhamos, quando forças econômicas aliadas a políticos nefastos lograram capturar o poder Legislativo para realizarem a baixa política a que estão acostumados, pois entraram na atividade partidária exatamente para fazer negócios legais e ilegais – reproduzindo a lógica dos 300 picaretas aos quais se referia o Luis Inácio de outros tempos.As esperanças parecem recolhidas. O baixo clero comemorou a vitória de Cunha apregoando “o começo do fim do ciclo do PT no poder”. A vitória de Cunha, com sua folha corrida assustadora, atiça as moscas que abusam e zunem, figuras menores e inconfiáveis como Geddel Vieira Lima, da Bahia, só para citar um exemplo.

Mais do que a natural “fadiga de material” a que se referiu, há um ano, o então governador Jaques Wagner, ao que parece, o fim do ciclo do PT é decorrente da incapacidade do partido de lançar as bases para um profundo processo de mudança da cultura política hegemônica desde os tempos coloniais, que se caracteriza, entre outras coisas, pela excessiva e abusiva privatização do público.

O PT acabou usando os mesmo métodos – e até os mesmos operadores – dos eternos donos do poder. E está pagando caro pela opção social-liberal que fez, que significa, ao fim e ao cabo, defender e oferecer vantagens ao capital e distribuir alguns dividendos também aos pobres.

Como aponta reportagem da Carta Capital desta semana, o PT perdeu a oportunidade de lançar as bases para a montagem de outra capacidade produtiva do país, durante o virtuoso crescimento dos preços das commodities da era Lula. O PT abriu mão da disputa simbólica, ideológica, de alertar a sociedade acerca dos caminhos de dos limites políticos para a superação das desigualdades e aprofundamento da democracia.

Confundiu a política de incluir milhões no acesso à satisfação de necessidades básicas, com a apologia da sociedade de consumo, consumista, assentada em padrões individualistas, capaz de seduzir diariamente os incautos para ficarem, como mariposas, dando volta em volta das lâmpadas, ou seja, das mercadorias e seu fetiche, como se vê em propagandas de automóveis e outros bens disputados avidamente.

Chegar ao ponto de eleger o Congresso mais conservador desde o golpe de 64 exige que fiquemos em alerta máximo. A democracia brasileira corre riscos. A nossa mobilização será decisiva. O fascismo ressurge quando a esquerda falha, quando é incapaz de dirigir o processo político. Ao que parece estamos nesta encruzilhada.

Uma resposta to “O começo do fim do ciclo petista”


  1. Não entendo em que Eduardo Cunha possa ser pior do que Renan Calheiros! Estamos bem servidos!


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