Quaderna, O Encantado, de Edinilson Motta Pará, estreia sábado, 2, no Teatro SESI Rio Vermelho, 20h

22/03/2016
Ricardo Stewart faz Quaderna. Foto Maurício Requião

Ricardo Stewart faz Quaderna. Foto Maurício Requião

Quaderna, O Encantado, história sobre conquistas, batalhas e lutas pela criação de um Reino no Sertão do Brasil.

Estreia no primeiro sábado de abril (2), no Teatro SESI Rio Vermelho, às 20h, o monólogo Quaderna, O Encantado, cujo texto, direção e iluminação é de Edinilson Motta Pará. Em cena o ator Ricardo Stewart (ficha técnica completa ao final do texto). A peça será encenada aos sábados e domingos de abril. O relato é costurado por elementos sonoros e visuais do universo sertanejo: lamentos, súplicas, cantos, louvores, prosas, poesias, cantos e sons armoriais, vozes, lamúrias, aboios, sons de chocalhos, apitos, etc. A trilha sonora e musical é executada ao vivo por um músico/personagem que divide o palco com o ator.De acordo com o release do espetáculo, o protagonista é inspirado em Pedro Dinis Ferreira-Quaderna, personagem principal do romance A Pedra do Reino, de Ariano Suassuana. Quaderna acredita ser pessoa fadada a erguer um reino sagrado no sertão nordestino e garantir riquezas para os pobres crentes em suas profecias. O personagem suassuriano fracassa na tentativa de se tornar rei do sertão, porém o herói ou anti-herói quixotesco de Edinilson Mota vai até o fim na sua determinação e se autocoroa soberano do Reino Encantado no Sertão Nordestino.

Se o Quaderna de Suassuna traça sua árvore genealógica com nomes de barões e viscondes ibéricos-nativos, o Quaderna de Edinilson Motta Pará demonstra ser descendente de históricos profetas e beatos sebastianistas que pregaram o retorno ao poder de Dom Sebastião, O Desejado, em nome do acesso a tesouros inimagináveis que deixaria rico todos os pobres sertanejos: Mestre Quinhou, da Serra do Rodeador, em 1818; João Ferreira, do Sertão do Pageú, em 1935 e Pedro Antônio, da Pedra Bonita, em 1938. Todos tinham o sebastianismo como meio de agregar fieis em torno de si.

Dom Sebastião foi o rei lusitano que desapareceu no Marrocos (África), na Batalha de Alcácer-Quibir, contra os Mouros, em 1578. Com o seu desaparecimento (seu corpo não foi encontrado) aos 24 anos, a coroa portuguesa entrou em crise e logo veio a cair em mãos dos espanhóis. Na época difundiu-se em Portugal e na América portuguesa a lenda de que o Rei português voltaria cercado de legião de anjos, trazendo riqueza e prosperidade para os portugueses.

A Montagem

A dramaturgia foi criada a partir de pesquisas sobre fatos publicados em jornais da época, relatos de historiadores e obras da literatura brasileira, mais especificamente, A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna; Pedra Bonita, de José Lins do Rego e Os Sertões de Euclides da Cunha.

Foto Mauricio Requião

Foto Mauricio Requião

 Três Tragédias no Sertão Brasileiro que serviram como base para a encenação Quaderna, O Encantado

Na serra do Rodeador – Conhecida como A Tragédia do Rodeador tinha como líder Silvestre José dos Santos, “Mestre Quiou”, que fundou um arraial no local denominado Sítio da Pedra, destruído em 25 de outubro de 1820 pelo governador de Pernambuco Luiz do Rego. Denominado de “massacre de Bonito”, a destruição do arraial pelas forças legais deixou um saldo de 91 mortos e mais de cem feridos. Após o massacre, mais de 200 mulheres e 300 crianças foram aprisionadas e enviadas para o Recife.

Em São José do Belmonte – O segundo movimento fanático surgiu no município de São José do Belmonte, interior de Pernambuco, em 1836, um ano depois de o estado sofrer uma grande seca. Teve início com as pregações do beato João Antônio, segundo as quais o lusitano Dom Sebastião iria “desencantar” e voltar para distribuir riqueza com o povo. Logo, uma legião de seguidores se formou em torno do beato, mas, pressionado por padres católicos, desistiu da iniciativa.

Na Pedra Bonita

Dois anos depois, João Ferreira (um cunhado do beato João Antônio) reinicia o movimento, com as mesmas promessas de criação do “Reino Encantado”. O fanático João Ferreira reunia seus seguidores em torno de dois grandes rochedos (a Pedra Bonita) e dizia que, para que Dom Sebastião revivesse e pudesse realizar o milagre da riqueza, era preciso que a grande pedra ficasse totalmente tingida com sangue humano. Quem doasse o sangue para a volta do rei seria recompensado: velhos ressuscitariam jovens; pretos voltariam brancos e todos, além de ricos, seriam imortais na nova vida. Tiradas de suas lavouras pelo flagelo da seca, famílias de agricultores acamparam em volta da rocha e passaram a aguardar o milagre.

A tentativa de tingir a pedra com sangue humano para que, finalmente, o milagre acontecesse foi levada à prática durante três dias de maio de 1838. O primeiro a ser degolado foi o pai do rei João Ferreira. Outras 52 pessoas foram sacrificadas, a maioria crianças. Mas, mesmo assim, Dom Sebastião não apareceu. Depois de uma rebelião contra o rei messiânico, que foi morto e esquartejado, os fanáticos, então, decidiram sair em procissão, tendo à frente Pedro Antônio (cunhado do rei). Encontraram uma patrulha de policiais e foram massacrados.

Os registros oficiais sobre a Pedra Bonita citam um certo “vinho encantado” servido pelo beato aos seus seguidores à base de fortes alucinógenos: manacá com jurema, durante as cerimônias sebastianistas, por isso, acreditasse que o povo tinha visões induzidas pela beberagem.

 

Ficha Técnica

Iluminação, Texto e Direção

Edinilson Motta Pará

Ator: Ricardo Stewart

Músico: Igor Reis

Cenografia, Figurino e Adereços: Yoshi Aguiar

Assistente de Cenografia, Figurino e Adereços: Meire Marques e Milena Leite

Designer Gráfico e Fotografias: Júnior Simas

 

Fotografias Adicionais: Maurício Requião

Operação de Som e luz: Leandro dos Reis

Produção Executiva: Edinilson Motta Pará

Assistente de Produção: Meire Marques

Coordenação de Produção: Espaço Canduras e Artes

 

Serviço:

Temporada

Local: Teatro SESI Rio Vermelho

Data: 02, 03, 09, 10, 16, 17, 23 e 24 de abril de 2016.

Dias: sábados e domingos

Horário: 20 horas

Classificação Etária: 14 anos

Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15, 00 (meia)

 

Contatos:

Edinilson Motta Pará

(71) 987542769

(71) 3332 0845

Ricardo Stewart

(71) 9920 3411

(71) 9911 24223

canduraseartes@gmail.com

nilsinho67@hotmail.com

http://www.candurasearte.com

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: