Archive for the 'Cova de Anão / por João Aslan' Category

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24/07/2011

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Ladrão de bicicleta

30/06/2011

Por João Aslan
Balançando uma pequena carta, o homem de blazer azul e cabelos cheios de gel gritava ao gerente:
– Acabou-se o respeito? Quem são vocês pra me expor assim diante de porteiros e faxineiros?
– Não estou entendendo o senhor.
– Ah, os burocratas agora são “desentendidos”? Constrangem uma pessoa como eu e agora ficam com essa cara de paisagem?
– Seja mais claro, por favor.
– Mandar essa correspondência pra mim? Pra mim? Eu sou “fulano de tal” e devo mais de 20 milhões nessa porra desse banco!
– Se o senhor deve, recebeu a carta justamente por isso.
– Pois fique sabendo que essa cartinha de merda é coisa que se manda pra devedor de prestação de bicicleta, não pra alguém como eu. Isso não vai ficar assim, seu insolente! Não vai ficar assim!
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Esse diálogo aconteceu de verdade na área de cobrança de um banco oficial, há mais ou menos uns quinze anos. Cartas de uma empresa de proteção ao crédito foram enviadas a todos os devedores,independentemente do tamanho dos débitos. Atitude correta, acredita você; desrespeito intolerável, pensou o grande inadimplente.
Aquela referência a porteiros e faxineiros, depois me explicaram, teria sido feita porque o magnata supunha que os empregados pobres de seu prédio de luxo já fossem conhecedores das cartas típicas de instituições de cobrança. Coisa de gente que compra bicicleta a prestação, nas palavras dele.
O ponto mais curioso dessa história, contada por um amigo que a acompanhou de perto, é a convicção de superioridade do devedor. Ele de fato acreditava, com toda “honestidade”, que tinha direito a tratamento vip, mesmo falido em circunstâncias suspeitíssimas.
A coisa é fantástica e parece até piada, mas uma reflexão cuidadosa sobre nossos dias pode surpreender. Há mais gente convicta de que tem direito a tratamento privilegiado do que se imagina, e pelas mais diversas razões. Por ser rico ou pobre ou negro ou branco ou jovem ou velho ou isso ou aquilo, todo mundo tende a se enxergar como membro de alguma minoria digna de atenção especial. Acho até que estamos vivendo a época das grandes minorias.
O problema é que para alguém ser vip é preciso que existam os não vips (seriam os ups – unimportant people?). Afinal, tratando-se de uma questão de posições relativas, a existência de seres com direito a tratamento privilegiado pressupõe sua colocação em uma escala onde, no outro extremo, há pessoas que não recebem atenção nenhuma.
Explicando melhor, não condeno o direito de um idoso de furar uma fila qualquer; o que não está certo é a própria fila existir, na maioria das vezes como fruto de descaso, público ou privado. Meu lema é: “Tratamento vip sim, para 100% da população!”
Pode até ser uma visão estranha, utópica mesmo, mas talvez o grau de civilização de uma sociedade devesse ser medido pelo tipo de expectativa das pessoas. Evolução máxima: todos sonham ingenuamente com igualdade, liberdade e respeito. Evolução mínima: a meta de cada indivíduo é conquistar privilégios, de preferência sustentados com algum dinheiro público, para ser, enfim, alguém “diferenciado”.

A lógica terrorista e os trancadores de ruas

02/06/2011

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Por João Aslan

10 de maio de2011. A caminho do trabalho, ouvi pelo rádio a primeira notícia desagradável. Manifestantes estavam bloqueando a passagem de veículos perto da Ceasa e um engarrafamento gigante já estava formado. Não me interessei muito pelo objetivo da turba e torço para que não o tenham alcançado. Continue lendo »

Por mim tudo bem, desde que não seja obrigatório

19/05/2011

Por João Aslan

Há mais ou menos uns 15 anos perguntaram a um médico e político baiano chamado Ursicino Queiroz, hoje falecido, se seria contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A resposta saiu misturando simplicidade e ironia: “Eu não, desde que não seja obrigatório.” Continue lendo »

Sobre janelas quebradas, flanelinhas e crime de extorsão

09/05/2011

Por João Aslan

Lugar de político corrupto é na cadeia. Lugar de assaltante também. Seqüestrador e estuprador, atrás das grades, sem dúvida. E dos nossos flanelinhas ou “guardadores de carros” informais? Vamos adiante antes de responder. Continue lendo »

Campanha de trânsito, também tenho a minha

29/04/2011

Por João Aslan

De vez em quando o Jornal Nacional nos mostra que os membros de alguma ONG do Rio de Janeiro, revoltados diante de alarmantes índices de violência, resolveram fazer um protesto colocando cruzes nas areias de Copacabana ou coisa parecida. Continue lendo »

A Música e o Cachorro

18/04/2011

por João Aslan

Será que alguém já viu um gênio desses que dirigem carros com equipamentos de som ensurdecedores ouvindo Vivaldi ou Mozart? Ou um Tom, seja Jobim ou Zé?

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