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Documentários: Arraial do Cabo e Aruanda

28/02/2013

Por Glauber Rocha

Arraial do Cabo de Paulo Cezar Saraceni e Mário Carneiro

O documentário brasileiro também não existe. Se quisermos uma retrospectiva, teremos no passado uma meia dúzia de filmes impressionistas realizados por amadores, com técnica sofrível e alguns momentos plásticos, Quando não encontramos reportagens sobre índios e etc., temos aquelas seqüências de câmara baixa, contraluz, mostrando enterros de jangadeiros ou fatos semelhantes que, à primeira vista, oferecem boa matéria fílmica. Mas sempre ficamos no desastre. O nosso material é tão bom quanto aquele que Eisenstein encontrou no México. Mas os nossos documentaristas do passado foram apenas fotógrafos acadêmicos da escola Figueroa que pretenderam muito sem mesmo saber ajustar o foco no segundo plano. E, da montagem, não falemos sequer do mais primário, que seria a coordenação narrativa. Mesmo assim devemos a Humberto Mauro trabalhos que denotam um cineasta atrás da câmara. Só isto. Continue lendo »

Vidas Secas, Nelson Pereira dos Santos, 1963

08/06/2012

No mesmo ano que Linduarte Noronha traz à luz o filme Aruanda (1960), Nelson Pereira dos Santos está no Nordeste para filmar Vidas Secas, baseado no romance de Graciliano Ramos. Mas a chuva verdeja a caatinga levando Nelson a filmar de improviso Mandacaru Vermelho. Vidas Secas viria só em 1963 e dialoga fortemente com a luz de Aruanda. Filme indispensável na cinemateca do cinema mundial.

Aruanda, Linduarte Noronha, 1960

08/06/2012

Parte 1 (9min03seg)

Parte 2 (6min11seg)

Filme documentário do paraibano Linduarte Noronha, que em 1960 inaugura –  ao lado de Arraial do Cabo (Paulo Cesar Sarraceni) – o documentário social brasileiro, indo além do lirismo de Humberto Mauro e buscando compreender os processos históricos e culturais do homem  e da terra de cada lugar do país. Filme luminoso a inspirar a fotografia do cinema novo – luz branca estourada captada sem filtros – e inspiraçao também temática. Antropologia visual filmada depois de uma reportagem que Linduarte fez para a imprensa de João Pessoa sobre o quilombo na Serra do Teixeira.

O documentarista baiano Geraldo Sarno garante que decidiu fazer cinema depois de ver Aruanda, numa exibição feita em Salvador. Na oportunidade Glauber Rocha, que até então havia feito apenas O Pátio, disse a Noronha que Aruanda tornava pueris os experimentos formais que ele – Glauber – andava fazendo pois e trazia para o centro da cena, de forma bruta e primitiva, a realidade brasileira.

Portanto, este é um filme seminal.