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A Globo e as raízes do subdesenvolvimento do futebol brasileiro

09/07/2014

Os bravos jornalistas da CBN foram rápidos no gatilho: os 7 x 1 da Alemanha comprovam que a presidente Dilma Rousseff é “pé frio”.

Pé frio é bobagem. Não é o que dizem de Galvão Bueno?

Como são analistas sofisticados, da política e da economia, poderiam afirmar que Dilma talvez seja culpada – assim como Lula, Fernando Henrique Cardoso e outros presidentes – por não ter entrado na batalha pela modernização do futebol brasileiro.

Poderiam ter avançado mais no diagnóstico. Explicado que a maior derrota do futebol brasileiro – e latino-americano em geral – estava no fato de que a maioria absoluta dos seus jogadores serem de times europeus, da combalida Espanha, da Alemanha, Inglaterra e França.

Ali estaria a prova maior do subdesenvolvimento do futebol brasileiro, um mero exportador de mão-de-obra para o produto acabado europeu, campeonatos riquíssimos mesmo em períodos de crise.

Mas a questão principal é quem colocou na copa da árvore o jabuti do subdesenvolvimento futebolístico brasileiro.

Se quisessem aprofundar mais, poderiam mostrar conhecimento e erudição esportiva reportando-se a uma tarde de julho de 1921, em Jersey City,  quando surgiu o primeiro Galvão Bueno da história, o locutor J. Andrew White, pugilista amador, preparando-se para narrar a luta história de Jack Dempsey vs George Carpentier para a Radio Corporation of America (RCA). 61 cidades tinham montado seus “salões de rádio” para um público estimado em centenas de milhares de ouvinte.

O que era apenas um hobby de radio amadores, tornou-se, a partir de então, o evento mais prestigiado nas radio transmissões.

Se não fosse cansar demais os ouvintes da CBN, os brilhantes analistas poderiam historiar, um pouco, a importância das transmissões esportivas para o que se tornaria o mais influente personagem do século no mercado de opinião: os grupos de mídia.

Mostrariam como foram criadas as redes, desenvolvidas as grades de programação, planejados os grandes eventos, como âncoras centrais da audiência.

Depois, avançariam nos demais aspectos dos grupos de mídia.

Num assomo de modéstia, reconheceriam que, em um grupo de mídia, a relevância do jornalismo é diretamente proporcional à audiência total; e a audiência depende fundamentalmente desses eventos âncora. Por isso mesmo, foi o futebol que garantiu o prestígio e a influência do jornalismo.

Não se vá exigir que descrevam a estratégia da Globo para tornar-se o maior grupo de mídia do Brasil e da América Latina. Mas se avançassem lembrariam que os eventos consolidadores foram o carnaval carioca e o futebol, pavimentando o caminho das novelas e do Jornal Nacional.

Algum entrevistado imprevisto, especialista em segurança, ou na sociologia do crime, poderia lembrar que, para conseguir o monopólio de ambos os eventos, a grande Globo precisou negociar, numa ponta, com os bicheiros que dominavam a Associação das Escolas de Samba do Rio; na outra, com os cartolas que desde sempre dominavam a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), desde os tempos em que era CDB (Confederação Brasileira dos Desportos).

Para não pegar mal para a Globo, diria que a grande emissora foi vítima do anacronismo da sociedade brasileira, que a obriga a entrar no pântano sem se sujar.

Aos ouvintes ficariam as conclusões mais pesadas.

Graças ao submundo dos bicheiros e cartolas, a Globo venceu a competição na radiodifusão. E graças à Globo, bicheiros e cartolas conquistaram um enorme poder junto à superestrutura do Estado brasileiro, um extraordinário jogo de ganha-ganha em que o sistema bicheiros-Globo e cartolas-Globo ganharam uma expressão política inédita e uma blindagem excepcional. Ainda mais se se considerar que o primeiro setor vive da contravenção e o segundo está mergulhado até a raiz do cabelo nos esquemas internacionais de lavagem de dinheiro, através do comércio de jogadores.

Aí a matriz de responsabilidades começa a ficar um pouco mais clara.

Um especialista em direito econômico poderia analisar o abuso de poder econômico na compra de campeonatos e os prejuízos ao consumidor, com a Globo adquirindo a totalidade dos campeonatos e transmitindo apenas parte dos jogos.

Para tornar mais ilustrativo o episódio, poderia se reconstituir a tentativa da Record de entrar no leilão e a maneira como a Globo cooptou diversos clubes, adiantando direitos de transmissão para impedir o avanço da concorrente. Ou, então, as tentativas de dirigentes mais modernos de se livrar do jugo da CBF. E como todos foram esmagados pelo poder financeiro da aliança CBF-Globo.

De degrau em degrau, de episódio em episódio, se chegaria ao busílis da questão, o bolor fétido que emana da CBF e que até hoje impediu que, no país do maior público consumidor, aquele em que o futebol é a maior paixão popular, o evento que mais vende produtos, mais galvaniza a atenção, não se consiga desenvolver uma economia esportiva moderna.

Completado o raciocínio, o distinto público da CBN entenderia os motivos do Brasil ser um mero exportador de jogadores, os clubes brasileiros serem arremedos de clube social, o fato de grandes investidores jamais terem ousado investir no evento esportivo de maior penetração no mundo, de jamais termos desenvolvidos técnicas em campo à altura do talento dos jogadores brasileiros.

A partir dai, ficaria claro as razões do subdesenvolvimento brasileiro e, forçando um pouco a barra, até a derrota de 7 x 1 para a Alemanha.

http://jornalggn.com.br/noticia/a-globo-e-as-raizes-do-subdesenvolvimento-do-futebol-brasileiro

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Sem ilusões

20/05/2012

Por Haroldo Abrantes

Tenho lido alguns bons textos sobre futebol aqui neste blog. No último sábado assisti cerca de 20 minutos da transmissão da final da Liga dos Campeões da Europa, até começar uma conversa sobre a cartolagem dos dois times que se enfretavam , o Chelsea, da Inglaterra e o Bayern de Munique, Alemanha. O debate abordava a preferência dos locutores para o Bayern, já que este é administrado aos moldes antigos, com diretoria e associados, não como o moderno Chelsea, time pertencente a um único empresário de nacionalidade russa. O repórter escalado para abastecer a transmissão com informações extra e intra campo deu o golpe de misericórdia sugerindo que o dinheiro do empresário russo poderia estar ligado à máfia do petróleo. Nesse momento desliguei a TV e respirei aliviado por me livrar de tanto obscenidade. Continue lendo »

O Nirvana da arquibancada

15/05/2012

 

Por Nilson Galvão

Depois de duas noites de sono já dá pra ter algum distanciamento crítico. Pensar naquela zorra toda com a serenidade possível – se existe chance de serenidade quando se trata de futebol. Vi o Brasil ser campeão duas vezes, o Bahia conquistar o campeonato brasileiro pela segunda vez. Mas domingo tinha algo no ar, um jejum de títulos por uma década inteira, e meu filho de 12 sem nunca ter  experimentado essa emoção básica: a de gritar, a plenos pulmões, pela glória do troféu arrebatado. Então foi bacana cantarmos junto com a multidão: “ôôôôô, o campeão voltooooooou”…

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Salvador e a Copa 2014: 3 pontos para o debate

04/05/2011

Implosão da Fonte Nova, Salvador

Por Antônio Heliodório Lima Sampaio, do Observatório da Copa Salvador 2014

A Copa será vista em 03 vertentes: 1. Copa como mito (dimensão lúdica); 2. Copa como negócio (dimensão comercial) e 3. Copa como legado (dimensão política). Claro, os cinco títulos conquistados alimentam a dimensão simbólica que o futebol tem para o brasileiro, encobrindo podres da economia e da política que movem o negócio-futebol.

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Falsidade ideológica

26/04/2011

Por Oscar Paris

Os coleguinhas da crônica esportiva adoram tapar o sol com a peneira. O ufanismo bairrista os impede de enxergar o óbvio ululante. Vamos por parte. Chamar o Bahia atual de time é em verdade um eufemismo. Continue lendo »

Bicicletas e outras acrobacias do futebol

10/04/2011

Por Haroldo Abrantes

As chuvas de outono chegaram e Aurélio não pôde ir para o trabalho em sua bicicleta, nem Rina para a escola em sua magrela.  Eles tiveram de pegar o velho e nada bom buzu e enfrentar os engarrafamentos que ficam piores nos dias de chuva.

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