Posts Tagged ‘Gláuber Rocha’

WALTER DA SILVEIRA, O FILÓSOFO DO CINEMA BRASILEIRO

21/04/2013
Para Walter da Silveira A Grande Feira, de Roberto Pires, foi o marco inicial do Cinema Novo

Para Walter da Silveira A Grande Feira, de Roberto Pires, foi o marco inicial do Cinema Novo

Por Gilberto Felisberto Vasconcellos

Crítico de cinema e exímio escritor, dotado de um estilo incisivo, afirmativo, apodítico, elegante, sóbrio na interpretação, ponderado, humilde, anti-cabotino, avesso ao beletrismo e à retórica bacharel. Horror ao “blasé” e ao diletante, Walter da Silveira começou pensando o cinema como fato cultural, a arte por excelência do século XX (“ver é o sentido básico” do nosso tempo): antes de ser arte, o cinema foi ciência. Atacou o preconceito literário, teatral e pictórico, que negava ao cinema capacidade de conhecimento e beleza artística. Atacou o preconceito de que cinema é passatempo de iletrados. Marxista, ateu (sem religião, gostava de se autodefenir), considerou a dupla face do cinema como arte e indústria, digamos, valor de uso (estética) e valor de troca (o filme-mercadoria).

Antes da Nouvelle Vague falava, início da década de 50, sobre o específico da linguagem cinematográfica, compreendeu que a história do século XX (se não era feita pelo cinema) era conformada por fatores cinematográficos, e não deu crédito ao vaticínio de que o cinema seria fatalmente substituído pela televisão. Continue lendo »

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Documentários: Arraial do Cabo e Aruanda

28/02/2013

Por Glauber Rocha

Arraial do Cabo de Paulo Cezar Saraceni e Mário Carneiro

O documentário brasileiro também não existe. Se quisermos uma retrospectiva, teremos no passado uma meia dúzia de filmes impressionistas realizados por amadores, com técnica sofrível e alguns momentos plásticos, Quando não encontramos reportagens sobre índios e etc., temos aquelas seqüências de câmara baixa, contraluz, mostrando enterros de jangadeiros ou fatos semelhantes que, à primeira vista, oferecem boa matéria fílmica. Mas sempre ficamos no desastre. O nosso material é tão bom quanto aquele que Eisenstein encontrou no México. Mas os nossos documentaristas do passado foram apenas fotógrafos acadêmicos da escola Figueroa que pretenderam muito sem mesmo saber ajustar o foco no segundo plano. E, da montagem, não falemos sequer do mais primário, que seria a coordenação narrativa. Mesmo assim devemos a Humberto Mauro trabalhos que denotam um cineasta atrás da câmara. Só isto. Continue lendo »

Sobre o post Eztetyka da Fome: a vanguarda nada mais resolverá

06/07/2012

Por Marcos Pierry

Prezado J.
Mais que oportuno regurgitar o mais célebre texto glauberiano justamente neste momento, há 48 horas do início oficial de mais uma campanha eleitoral.

Ali, nos idos de 65, o dragão traçava um diagnóstico (do cinema novo até aquele momento) e dava diretivas de como articular a criação nos termos de um movimento político que operava a partir de bandeiras locais (a fome como sintoma do problema e instrumento da revolta rumo à emancipação) e globais (o reconhecimento da condição latinoamericana como uma chave de coalizão; a tutela da sensibilidade burguesa na recepção europeia entre outros ’males’ do capitalismo) poéticas que dessem conta desse ou daquele tema também no nível da expressão segundo a vontade e inspiração do artista.

Intervir na realidade sem ser esmagado por ela, exprimir o mundo interior e o olhar do sensível do criador – endurecer buscando potência na ternura de cada um. Afinal tratava-se de um cinema de autor, para muitos a única escola estética autoconsciente na errática experiência do cinema brasileiro. Por isso, além de pontos cruciais que extravasam o partidarismo estético declarado, a exemplo da rejeição à razão colonizadora, e que vai dar na explosão febril e fantástica da ”Estética do Sonho” de anos depois, com a qual um Glauber mais que barroco tanto se volta para dentro quanto reorienta o mapa da arte revolucionária, há que se ter em conta a dimensão de autofagia da própria vanguarda sessentista. Continue lendo »

EZTETYKA DA FOME – A mais nobre manifestação cultural da fome é a violência

05/07/2012

Por Josias Pires

O texto-manifesto de Glauber Rocha que define a aventura criativa de um grupo de cineastas brasileiros no período dos governos Jânio-Jango (1960/64) foi lido na Mesa Redonda sobre Cinema Novo ocorrida em 1965 na Resenha do Cinema Latino-Americano, em Gênova e logo depois publicado na Revista Civilização Brasileira, julho/1965.

O cineasta baiano faz reflexão potente sobre questões centrais da sua época, pondo em xeque a estética e a política nacional e popular e a arte vanguardista. Do nosso ponto de vista, a proposta da “Eztetyka da Fome” pode ser tomada como Internacional–Popular, na medida em que Glauber situa o debate em termos das relações América Latina e os países que chama de “cultura civilizada”. Posição de vanguarda pode ser anotada acerca deste ponto.

Mas sobretudo, podemos dizer, pelo gesto de trazer para o centro da cena a dimensão estética, que influencia simbolicamente a comunicação entre colonizadores e colonizados. Trata-se para Glauber de fazer o debate da revolução com o foco na linguagem. E linguagem que deve ser descolonizadora, que recusa a atitude local de lamento da América Latina sobre “suas misérias gerais”; e denuncia o olhar estrangeiro que “cultiva o sabor dessa miséria, não como um sintoma trágico, mas apenas como um dado formal em seu campo de interesse”. Continue lendo »

Aruanda, Linduarte Noronha, 1960

08/06/2012

Parte 1 (9min03seg)

Parte 2 (6min11seg)

Filme documentário do paraibano Linduarte Noronha, que em 1960 inaugura –  ao lado de Arraial do Cabo (Paulo Cesar Sarraceni) – o documentário social brasileiro, indo além do lirismo de Humberto Mauro e buscando compreender os processos históricos e culturais do homem  e da terra de cada lugar do país. Filme luminoso a inspirar a fotografia do cinema novo – luz branca estourada captada sem filtros – e inspiraçao também temática. Antropologia visual filmada depois de uma reportagem que Linduarte fez para a imprensa de João Pessoa sobre o quilombo na Serra do Teixeira.

O documentarista baiano Geraldo Sarno garante que decidiu fazer cinema depois de ver Aruanda, numa exibição feita em Salvador. Na oportunidade Glauber Rocha, que até então havia feito apenas O Pátio, disse a Noronha que Aruanda tornava pueris os experimentos formais que ele – Glauber – andava fazendo pois e trazia para o centro da cena, de forma bruta e primitiva, a realidade brasileira.

Portanto, este é um filme seminal.


O Sertão no mundo

11/05/2012

Por Josias Pires

Pontos, redes, culturas e meios de comunicação

No âmbito do evento Celebração das Culturas dos Sertões, realizado esta semana (5 a 9/05), em Salvador e Feira de Santana, pela secretaria de Cultura da Bahia foram incluídas quatro Rodas de Conversas. Convidado a participar de uma delas por Claudia Vasconcelos – dado o trabalho que realizei na TV com a série Bahia Singular e Plural Continue lendo »

Mondo Cannes devora Von Trier

24/05/2011

Foto: blogs.diariodepernambuco.com.br

Por Marcos Pierry

Final dos anos 30. Orson Welles em depoimento à polícia e às câmeras: “estamos profundamente chocados e lamentamos muito as consequências da transmissão de ontem; eu não imaginava que fossem achar que era verdade, fiquei terrivelmente chocado quando fiquei sabendo o que causou”. Tentava o futuro diretor de Kane justificar a ainda hoje incrível pilhéria sobre um ataque extra-terrestre levando horror aos lares norte-americanos, que, à força de uma verossímil dramaturgia jornalística, conseguira emplacar nas ondas da CBS Radio em uma tarde de domingo.

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Picolino divulga resultado de audição

18/04/2011

Os 12 selecionados  se juntam aos 12 já escolhidos e formam o elenco  de Guerreiro, espetáculo sobre Gláuber Rocha que será remontado após reestrturação da companhia, proporcionada pelo prêmio Petrobras Cultural .   No vídeo, primeira edição de Guerreiro, em 2011. Continue lendo »

Picolino escolhe elenco do espetáculo Guerreiro

15/04/2011


A Associação Picolino deu inicio hoje ao Projeto Guerreiro, contemplado pelo Prêmio Petrobrás Cultural. Continue lendo »