Posts Tagged ‘Marcos Pierry’

O sucesso no cinema do Rei Roberto Carlos

26/05/2013

Roberto.Carlos.A.300Km.Por.Hora.VHSRIP.Xvid.Nacional

À sua imagem e semelhança: expressão mais visível do cinema da jovem guarda, filmes do rei Roberto Carlos marcaram uma geração.

Por Marcos Pierry

A presença de astros da música popular no mundo do cinema é estratégia recorrente de produtores, diretores e dos próprios artistas, instados a fustigar qualquer brecha de massificação conforme a vigência de modelos bem específicos de circulação da arte a partir do pós-Guerra. Uma das ações de peso do modelo cultural pautado pela pressão de um potencial de mercado busca, justamente, fazer do que se torna sucesso em uma mídia fenômeno de vendas em outro meio de comunicação.

A migração do disco para a película encontra em Elvis Presley um de seus expoentes, ainda em um tempo em que as ondas do rádio pareciam falar mais alto que a imagem da TV. Do diretor Michael Curtiz, o mesmo de Casablanca, a produção de 1958 Balada Sangrenta traz o rei do rock a enfrentar as vilanices do personagem de Walter Matthau, a quem o público das comédias se acostumou a ver como o parceiro de Jack Lemmon. Gogó e quadris a postos, o roqueiro topetudo estreou em 1956, com Love me Tender, e iria estrelar três dezenas de filmes, incluindo Saudades de Um Pracinha, O Seresteiro de Acapulco, Ame um Pouquinho Viva um Pouquinho e diversos outros que embalariam matinês nas salas de projeção e, décadas depois, esquentariam a programação televisiva. Continue lendo »

Doce amargo da vida ganha sabor em O Mistério de Lulu

28/02/2013

lulu

Por Marcos Pierry

Já se foi o tempo em que as bancas de revista vendiam apenas revistas e jornais. Do cigarro e do dropes, passaram também a oferecer fichas telefônicas, filmes fotográficos, fitas VHS – os três hoje peças de museu – e ainda livros, CDs e, o que interessa aqui, DVDs de bons filmes. Ao correr os olhos nas bancas, o leitor, ou cinéfilo, pode ter a surpresa de encontrar um Fellini, um Eric Rohmer ou um legítimo Charlie Chaplin dando sopa. Quase sempre a um preço convidativo.

O Mistério de Lulu (98) foi uma dessas surpresas, encontrada dias atrás. O norte-americano Paul Auster já era um escritor reconhecido quando se envolveu com o cinema. Seus contos, romances e crônicas renovaram o fetiche nova-iorquino e ele tinha tomado parte em dois filmes de êxito – Cortina de Fumaça e Sem Fôlego, ambos em parceria com Wayne Wang – antes de dirigir essa produção. Continue lendo »

Ouro Preto e os descaminhos da memória filmográfica

26/06/2012

Foto: Victor Schwaner

Por Marcos Pierry

Apesar de contar com 70 filmes em sua sétima edição, finalizada segunda-feira 25, a Mostra de Cinema de Ouro Preto – CineOP, que tem como lema o “cinema patrimônio”, investe alto em uma programação de seminários, debates e workshops voltados ao universo da memória cinematográfica – restauração, preservação e difusão, além de áreas afins e/ou implicadas, como a formação e educação e a elaboração, aplicação e gerenciamento de políticas públicas para o setor. À pauta afiada, soma-se o plantel de especialistas, a começar pelo francês Alain Bergala, talvez o mais ilustre entre os presentes em 2012. Continue lendo »

Wagner Moura e Legião: ator quase perde para a própria grandeza

09/06/2012

Por Marcos Pierry

Não, Wagner Moura não se iguala a Renato Russo à frente dos vocais da Legião Urbana. Nenhuma das 15 mil pessoas presentes ao Espaço das Américas, em São Paulo, terça e quarta-feira, pensava o contrário disso antes dos shows em tributo à mega banda brasileira de pop rock. Nem os dois músicos da formação original – Dado Villa-Lobos (guitarra), Marcelo Bonfá (bateria) – e muito menos o próprio ator baiano.

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O Artista: triunfo do clichê e discussão de linguagem

24/05/2012

Por Marcos Pierry

para o Jimi e a pequena Maysa

Com centenas de prêmios e indicações (Cannes, Globo de Ouro, Oscar, Bafta, Goya…), O Artista – uma produção franco-belga, de orçamento considerado modesto (entre US$ 15 e US$ 20 milhões), dirigida pelo francês, de origem lituana, Michel Hazanavicius – tem todos os ingredientes de um filme de sucesso do século passado: o galã, a mocinha, o vilão, uma história de amor e plots de melodrama e aventura que convergem para um desfecho esperado, previsto, e, por isso mesmo, extremamente palatável para o público médio. E, com um tom geral, presidindo a narrativa, de comédia romântica da linhagem de um Frank Capra em Aconteceu Naquela Noite (1934).

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Samba, Riachão!

28/12/2011

Por Marcos Pierry

Para uns, Clementino Rodrigues é um compositor pueril. Para outros, um moleque solto na vida. E há quem ache os seus sambas uma coisa mordente. Vão direto na veia. Clementino é o nonagenário sambista baiano Riachão, em nome de quem o cineasta Jorge Alfredo concebeu o documentário Samba Riachão. O filme se propõe, na verdade, a um exercício investigativo sobre o artista e ao mesmo tempo sobre o gênero musical que este animado bamba de Salvador pratica há mais de cinqüenta anos. Continue lendo »

Cecília e os Capitães: sobra equilíbrio e falta ousadia em nova adaptação da obra de Jorge Amado

06/10/2011

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Por Marcos Pierry

A jovem Cecília Amado ama sua recém-adquiridapatente de diretora estreante. Não é para menos. A filha de Paloma, para dar partida a carreira de longa-metragista de ficção, escolheu transpor ao écran o romance Capitães da Areia (1937), um dos best sellers do avô Jorge. E o filme, nesta alvissareira pré-estação brasileira de lançamentos, chega mais que bem na fita, programado em 200 salas na semana de estreia e marcando posição como um dos destaques do centenário do nascimento de Jorge, em 2012. A ficção e os personagens do escritor já ocupam, no entanto, uma vida pregressa no campo das imagens em movimento.

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Sem limites pra sonhar

18/05/2011

Por Marcos Pierry
Quase nada pode ser dito com muita certeza sobre Mário José Breves Rodrigues Peixoto. Nos acostumamos a pensar assim, não obstante caminhar às dezenas o número de livros dedicados a ele e ao seu único filme realizado: Limite. A primeira projeção teria acontecido no Cinema Capitólio, Cinelândia, Rio de Janeiro, há exatos 80 anos, em 17 de maio de 1931. Ou teria sido, apontam outras fontes, em quatro de maio? E o próprio Mário, a quem se atribui 1908 como ano de nascimento, teria deflagrado a produção mal completara os 18 ou somente após 20 anos?
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Filme-Arara

05/05/2011

Por Marcos Pierry

No jargão da imprensa, o termo arara costuma designar os jornais que, belos na apresentação visual de textos e imagens, são fracos no conteúdo. E não é que a carapuça ajusta-se direitinho ao blockbuster Rio? A produção da Fox, dirigida pelo brasileiro Carlos Saldanha, de A Era do Gelo, estreou no país no dia seguinte à tragédia de Realengo, que deixou um obituário de 13 nomes pelos corredores de uma escola pública do Rio de Janeiro.

As 1008 salas que projetaram o filme pelo Brasil no fim de semana de estréia (8, 9 e 10 de abril) obtiveram, cada uma, a média de 90 espectadores por sessão. É uma taxa de ocupação, em torno de um terço, bem aquém do padrão prometido por um arrasa-quarteirão.

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