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2017 de sortes e encruzilhadas

01/01/2017

“Depende da sorte” é o título da coluna dominical do jornalista Janio de Freitas no jornal Folha de S. Paulo (1/1/17). Do alto da sua lucidez, sugere que diante dos corrupto no poder [no Brasil e no mundo], devemos nos valer de um “Salve-se” e do “Cuidado com 2017”. Análise implacável. Ainda bem que as horas, os dias, os anos são surpreendentes na sua singularidade ainda que muitas coisas, de fato, tendem a se repetir. Entramos em 2017 entregue à sorte na encruzilhada. Ao texto:

Janio de Freitas

Michel Temer e Donald Trump são sócios em uma excentricidade que nos onera com alcance, pode-se dizer, unânime. A voz geral é o pessimismo sobre o 2017 com Temer e seu grupo de aturdidos e corruptos. A essa desesperança convicta Trump anexa uma inquietação medrosa do quanto pode piorar as desgraças do mundo, entre as quais a nossa. E então, com fogos e beijos, bebidas e delícias, de 31 de dezembro para 1º de janeiro festejamos –como 200 milhões de tresloucados– tanto o fim de um ano desprezível quanto a chegada de um ano que prevemos igual ou ainda pior.

Nesse encontro do passado perdido com o não futuro, desejar “feliz 2017” é uma extravagância cômica. Ou sádica. Haveria alternativas adequadas. “Salve-se”. “Cuidado com 2017”. E a minha preferida: “Sorte”. Neste país, só duas coisas levam adiante: ou ter sorte ou não ter caráter. No primeiro caso, o mérito é um coadjuvante, mas não indispensável. No segundo, isso não interessa.

Eduardo Paes, prefeito que hoje é ex, diz que “teve sorte, por conseguir o que mais queria: ser prefeito da minha cidade”. Se isso foi mais por sorte do que por mérito, nos anos de realização o mérito foi igual ou maior do que a sorte. O Rio visível recebeu, em oito anos, uma quantidade de obras de porte muito superior à soma do que lhe deu a fileira de prefeitos do último meio século. A cidade pulou sem intervalo da decadência melancólica para as modernidades do urbanismo, de transporte, da tecnologia. Foram quase R$ 40 bilhões em investimentos. A Olimpíada teve, sim, participação nisso, mas não foi a maior nem a mais importante das que couberam à prefeitura. E poderia ter sido a mesma junção de imoralidade e incompetência que foram as obras da Copa.

A confirmar-se com o tempo, deu-se uma exceção histórica: com tamanho montante de gastos e de obras nos dois mandatos, não houve um só caso de escândalo financeiro. A propósito, mesmo no Rio, e no jornalismo, persiste a confusão entre o desastre do Estado e a situação do município. A cidade do Rio pagou aos funcionários sempre em dia, deixa com sobra o necessário para restos a pagar, fez redução expressiva da velha dívida municipal. Em saúde e educação, o Rio gastou bem mais do que o exigido por lei. Emprestou dinheiro ao Estado e até absorveu dois hospitais estaduais.

Explicação de Paes: “Foi possível porque, sem aumentar impostos, aumentamos a arrecadação com recadastramento do IPTU, venda de imóveis públicos e renegociação de dívidas ativas. E fizemos associações com a iniciativa privada”. O que todo prefeito e governador poderia fazer. Como também esta outra ajuda aos cofres públicos: foi raríssima a publicidade da prefeitura, sempre uma torrente de desperdício (e desvios) nas administrações brasileiras.

O político Eduardo Paes não teve os mesmos êxitos. Pouco cuidadoso no que diz, nada dedicado a se valer da posição para articular-se politicamente, sua situação não reflete o êxito administrativo. Jogou mal, e reconhece, na sua sucessão perdida para Marcelo Crivella. Da corrente peemedebista que foi liderada por Sérgio Cabral, hoje Paes é quase um livre-atirador no partido. Seu destino lógico –a candidatura ao governo estadual– tem outros pretendentes bem situados na máquina do PMDB. E Crivella, com o poder na mão, poderá apressar o plano dos evangélicos de ainda maior ascensão política.

Mas Eduardo Paes tem sorte. E o Rio teve com ele.

Agradeço, com franqueza, a divulgação e os comentários, mesmo não sendo poucos os discordantes, do que pude publicar na Folha, ao longo do ano, com total liberdade e frequentes divergências com o próprio jornal. A todos, os votos de que a sorte lhes alivie o 2017.

Dia Nacional de Paralização na Bahia

10/05/2016

Dia 10 1

Manifestações contra o golpe estão sendo realizadas nesta terça-feira em diversas cidades da Bahia. Rodovias e grandes avenidas estão bloqueadas por manifestantes, que queimaram pneus e outros materiais nas pistas, a exemplo da BR 324 (sentidos Salvador-Feira-Salvador), e a BR 116, em Vitória da Conquista. Em Salvador foram bloqueadas as avenidas Suburbana, Sete de Setembro e Paralela. Há previsão que às 17h será bloqueada a região do Shopping da Bahia, próxima ao centro financeiro da cidade.

Dia 10 2

Os protestos contra o golpe jurídico-parlamentar, por mais direitos e pela democracia são promovidos pelas Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, que abarcam as centrais sindicais, movimentos sociais, entidades diversas.

“O governo Temer será inviável, iremos parar esse país, não vamos legitimar um presidente golpista”, afirmou Cedro Silva, presidente da CUT BAHIA.

Dia 10 5

Hoje as aulas foram suspensas na Universidade Federal da Bahia e manifestantes bloquearam o acesso aos portões principais, como se vê nas fotos.

“Não daremos paz a esse governo ilegitimo, Michel Temer não vai governar esse país através de uma eleição indireta que tenta invalidar mais de 54 milhões de votos do povo brasileiro!”, garantiu a professora Celli Tafarel.

Em Vitória da Conquista cerca de 300 manifestantes trancam a BR 116 na altura do Distrito Industrial e disseram que foram às ruas “denunciar a ilegalidade do processo de impeachment, as articulações espúrias de Michel Temer e Eduardo Cunha, e a manipulação midiática dos grandes meios de comunicação, em especial a Rede Globo”, segundo Guilherme Ribeiro, da Coordenação Nacional do Levante Popular da Juventude.

Dia 10 4

(Informações e fotos obtidas via WhatsApp)