Archive for the 'Política' Category

Mega corporações e o uso do Estado para fins particularistas

25/03/2016

odebrecht

A jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, na sua coluna desta sexta-feira (25) afirma que, segundo suas fontes, a lista encontrada na casa de um diretor da Odebrecht com nomes de mais de 300 políticos “é só aperitivo” do que existe nos arquivos da empresa.

A fonte da jornalista assegura também que a disposição dos donos da Odebrecht de colaborar definitivamente com as investigações é demonstração cabal de que a empresa reconhece que “a casa caiu”, ou seja, que os investigadores chegaram ao coração do sistema de caixa dois da empresa. Assim como as demais grandes empreiteiras, a Odebrecht sempre se beneficiou e cresceu mamando – sem controles – em contratos de obras públicas superfaturadas e, em contrapartida, sempre garantiram a grana para que os políticos que primam em se lambuzar com dinheiro público pudessem lastrear a luta pelo poder.   Continue lendo »

2014: o fim das ilusões desenvolvimentistas

30/12/2014

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Na excelente entrevista ao Correio da Cidadania, publicada esta semana, o filósofo franco-brasileiro Michel Löwi define do modo preciso o caráter do regime político-econômico brasileiro da última década: social-liberalismo.”O espírito do social-liberalismo – e acho que os governos do PT no Brasil o representam muito bem – é o seguinte: “vamos fazer tudo o que pudermos pelos pobres com a condição de não mexer nos privilégios dos ricos”. E a fórmula matemática do social-liberalismo é, por exemplo, o orçamento da agricultura no Brasil: 90% para o agronegócio e 10% para a agricultura familiar. Claro, esses 10% fazem uma diferença. É uma ajuda importante, mas há uma desproporção enorme”. Mais avançado do que seu congênere europeu, o social-liberalismo é a versão possível da esquerda no poder do Brasil, Uruguai, Argentina; e que é bem diferente da esquerda no poder da Bolívia, Venezuela, Equador, cujos partidos governantes assumem claramente o compromisso com a construção do socialismo.Com todos os problemas e consequências. Entre nós esta palavra anda fora de moda e igualmente fora do vocabulário petista no poder. Apesar deste fato, o filósofo vê a América Latina como a referência das lutas de esquerda hoje no mundo. Ele veio ao Brasil lançar o livro ‘A Jaula de Aço: Max Weber e o marxismo weberiano’ e trata aqui de temas palpitantes da política mundial. Leia a entrevista completa. (Josias Pires) Continue lendo »

Sinais trocados, por André Singer

01/11/2014

André Singer chama a atenção para algo fundamental: a disputa simbólica em torno das melhores alternativas para o país. Como iremos suprimir as desigualdades sociais e fazer funcionar um Estado falido como provedor de serviços públicos de alta qualidade. Entendo também que o alerta feito por André Singer deveria ser escutado com a devida atenção pelos comandantes do PT na medida em que este partido, isto ouvi esta semana da boca do deputado Arlindo Chinaglia, que o PT abriu mão da disputa ideológica. Inteiramente certo. Abriu mão da disputa simbólica. No último Congresso do partido a questão da Cultura foi tratada como nota de pé de página. Ao acenar com a disputa ideológica no momento eleitoral e trocar de sinais no dia seguinte às eleições, a presidente petista embaralha o jogo. Pra que falar em Banco Central Independente se o ministro da Fazenda pode ser o presidente do Bradesco? Continue lendo »

A Globo e as raízes do subdesenvolvimento do futebol brasileiro

09/07/2014

Os bravos jornalistas da CBN foram rápidos no gatilho: os 7 x 1 da Alemanha comprovam que a presidente Dilma Rousseff é “pé frio”.

Pé frio é bobagem. Não é o que dizem de Galvão Bueno?

Como são analistas sofisticados, da política e da economia, poderiam afirmar que Dilma talvez seja culpada – assim como Lula, Fernando Henrique Cardoso e outros presidentes – por não ter entrado na batalha pela modernização do futebol brasileiro.

Poderiam ter avançado mais no diagnóstico. Explicado que a maior derrota do futebol brasileiro – e latino-americano em geral – estava no fato de que a maioria absoluta dos seus jogadores serem de times europeus, da combalida Espanha, da Alemanha, Inglaterra e França.

Ali estaria a prova maior do subdesenvolvimento do futebol brasileiro, um mero exportador de mão-de-obra para o produto acabado europeu, campeonatos riquíssimos mesmo em períodos de crise.

Mas a questão principal é quem colocou na copa da árvore o jabuti do subdesenvolvimento futebolístico brasileiro.

Se quisessem aprofundar mais, poderiam mostrar conhecimento e erudição esportiva reportando-se a uma tarde de julho de 1921, em Jersey City,  quando surgiu o primeiro Galvão Bueno da história, o locutor J. Andrew White, pugilista amador, preparando-se para narrar a luta história de Jack Dempsey vs George Carpentier para a Radio Corporation of America (RCA). 61 cidades tinham montado seus “salões de rádio” para um público estimado em centenas de milhares de ouvinte.

O que era apenas um hobby de radio amadores, tornou-se, a partir de então, o evento mais prestigiado nas radio transmissões.

Se não fosse cansar demais os ouvintes da CBN, os brilhantes analistas poderiam historiar, um pouco, a importância das transmissões esportivas para o que se tornaria o mais influente personagem do século no mercado de opinião: os grupos de mídia.

Mostrariam como foram criadas as redes, desenvolvidas as grades de programação, planejados os grandes eventos, como âncoras centrais da audiência.

Depois, avançariam nos demais aspectos dos grupos de mídia.

Num assomo de modéstia, reconheceriam que, em um grupo de mídia, a relevância do jornalismo é diretamente proporcional à audiência total; e a audiência depende fundamentalmente desses eventos âncora. Por isso mesmo, foi o futebol que garantiu o prestígio e a influência do jornalismo.

Não se vá exigir que descrevam a estratégia da Globo para tornar-se o maior grupo de mídia do Brasil e da América Latina. Mas se avançassem lembrariam que os eventos consolidadores foram o carnaval carioca e o futebol, pavimentando o caminho das novelas e do Jornal Nacional.

Algum entrevistado imprevisto, especialista em segurança, ou na sociologia do crime, poderia lembrar que, para conseguir o monopólio de ambos os eventos, a grande Globo precisou negociar, numa ponta, com os bicheiros que dominavam a Associação das Escolas de Samba do Rio; na outra, com os cartolas que desde sempre dominavam a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), desde os tempos em que era CDB (Confederação Brasileira dos Desportos).

Para não pegar mal para a Globo, diria que a grande emissora foi vítima do anacronismo da sociedade brasileira, que a obriga a entrar no pântano sem se sujar.

Aos ouvintes ficariam as conclusões mais pesadas.

Graças ao submundo dos bicheiros e cartolas, a Globo venceu a competição na radiodifusão. E graças à Globo, bicheiros e cartolas conquistaram um enorme poder junto à superestrutura do Estado brasileiro, um extraordinário jogo de ganha-ganha em que o sistema bicheiros-Globo e cartolas-Globo ganharam uma expressão política inédita e uma blindagem excepcional. Ainda mais se se considerar que o primeiro setor vive da contravenção e o segundo está mergulhado até a raiz do cabelo nos esquemas internacionais de lavagem de dinheiro, através do comércio de jogadores.

Aí a matriz de responsabilidades começa a ficar um pouco mais clara.

Um especialista em direito econômico poderia analisar o abuso de poder econômico na compra de campeonatos e os prejuízos ao consumidor, com a Globo adquirindo a totalidade dos campeonatos e transmitindo apenas parte dos jogos.

Para tornar mais ilustrativo o episódio, poderia se reconstituir a tentativa da Record de entrar no leilão e a maneira como a Globo cooptou diversos clubes, adiantando direitos de transmissão para impedir o avanço da concorrente. Ou, então, as tentativas de dirigentes mais modernos de se livrar do jugo da CBF. E como todos foram esmagados pelo poder financeiro da aliança CBF-Globo.

De degrau em degrau, de episódio em episódio, se chegaria ao busílis da questão, o bolor fétido que emana da CBF e que até hoje impediu que, no país do maior público consumidor, aquele em que o futebol é a maior paixão popular, o evento que mais vende produtos, mais galvaniza a atenção, não se consiga desenvolver uma economia esportiva moderna.

Completado o raciocínio, o distinto público da CBN entenderia os motivos do Brasil ser um mero exportador de jogadores, os clubes brasileiros serem arremedos de clube social, o fato de grandes investidores jamais terem ousado investir no evento esportivo de maior penetração no mundo, de jamais termos desenvolvidos técnicas em campo à altura do talento dos jogadores brasileiros.

A partir dai, ficaria claro as razões do subdesenvolvimento brasileiro e, forçando um pouco a barra, até a derrota de 7 x 1 para a Alemanha.

http://jornalggn.com.br/noticia/a-globo-e-as-raizes-do-subdesenvolvimento-do-futebol-brasileiro

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Candidatos ao governo da Bahia nas primeiras pesquisas

20/07/2013
A presidenta Dilma seria reeleita se a votação fosse hoje

A presidenta Dilma seria reeleita se a votação fosse hoje

Duas pesquisas eleitorais divulgadas nas duas últimas semana oferecem um primeiro retrato da posição de postulantes ao governo do estado. A última, do Instituto Bahia Pesquisa e Estatística (Babesp) divulgada nesta sexta-feira no site Bahia Notícias entrevistou 1.203 eleitores de 70 municípios baianos, entre os dias 8 e 17 de julho. Os dados apontam para um número expressivo de indecisos tanto em âmbito nacional quanto local (quase 90%), prevê reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) e vantagem, na Bahia, para qualquer candidato do DEM, seja Paulo Souto ou ACM Neto, único que supera o item “não sabe”. Continue lendo »

Lídice da Mata articula candidatura ao governo da Bahia

13/07/2013

Senadora Lídice da Mata (PSB/BA) destaca lançamento da Frente Parlamentar Mista dos Direitos da Criança e do Adolescente na Câmara Federal

A pesquisa Séculos/Bahia Notícias divulgada neste final de semana e que aponta a dianteira de ACM Neto na corrida para a eleição do próximo governador mostra um quadro um tanto desconfortável para o governismo.

Não importa, no caso, as declarações enfáticas de Neto de que não há hipótese de ser candidato a governador em 2014, o que importa é que está crescendo na Bahia o voto oposicionista, expondo a “fadiga do material” petista, na expressão do governador Jaques Wagner. Continue lendo »

Qual será o alcance da reforma política feita pelo atual Congresso?

25/06/2013

Em plena ebulição política e cidadã que vivemos neste momento recebo a msg via e-mail de uma amiga propondo nova corrente na Internet, corrente do bem, entenda-se. Ela escreve:

“É assim que começa.

Peço a cada destinatário para encaminhar este e-mail a um mínimo de vinte pessoas em sua lista de endereços e postar nas redes sociais, pedindo a cada um deles para fazer o mesmo.
Em três dias, a maioria das pessoas no Brasil terá esta mensagem. Esta é uma ideia que realmente deve ser considerada e repassada para o Povo.

Lei de Reforma do Congresso de 2013 (emenda à Constituição) PEC de iniciativa popular: Lei de Reforma do Congresso (proposta de emenda à Constituição Federal)

1. Fica abolida qualquer sessão secreta e não-pública para qualquer deliberação efetiva de qualquer uma das duas Casas do Congresso Nacional. Todas as suas sessões passam a ser abertas ao público e à imprensa escrita, radiofônica e televisiva. Continue lendo »

“A mídia e a política estão dominadas pelo dinheiro”

25/06/2013

Paulo Nogueira B jr

Via Luis Nassif on Line, Do Brasil Econômico.
Cassiano Viana e Octávio Costa

Diretor-executivo do Brasil e de mais dez países no FMI, Paulo Nogueira Batista Jr. tem uma visão privilegiada da cena mundial.
Diretor-executivo do Brasil e de mais dez países no Fundo Monetário Internacional (FMI), o economista Paulo Nogueira Batista Jr. vive em Washington desde 2007 e, de seu posto, tem uma visão privilegiada da cena mundial.

Na semana passada, ao desembarcar no país, mostrou-se surpreso com a dimensão da onda de protestos. Em entrevista ao Brasil Econômico, além de destacar o poder de mobilização das redes sociais, atribuiu a insatisfação dos jovens a uma combinação de fatores, como o desencanto com a política, as deficiências crônicas no transporte urbano, na educação e na saúde, e o momento desfavorável pelo qual passa a economia.
Quanto ao último ponto, é otimista. “Se o PIB crescer 3%, o mercado de trabalho se mantiver forte e o governo conseguir estabilizar a inflação, creio que o quadro de ânimo em relação à economia vai melhorar gradualmente”. O que mais o preocupa é a extrema volatilidade dos mercados financeiros.

A especulação, adverte ele, está desenfreada e os países podem sofrer com a livre movimentação de capitais. “É preciso cautela. O mundo continua à mercê da turma da bufunfa, que tem poder de fogo extraordinário”. Continue lendo »

O poder evangelico à vista, por Janio de Freitas

31/03/2013

por JANIO DE FREITAS

O impasse sobre Feliciano é o 1º embate relevante em que os evangélicos se põem como um bloco orgânico

O impasse decorrente da presença do deputado-pastor Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos e de Minorias não é um caso político qualquer. Tanto expõe uma situação atual até aqui mal observada, como indica uma situação futura bastante problemática no Congresso, em particular na Câmara.

O caso em torno do pastor Marco Feliciano agrava-se mais, com sua decisão de afrontar os opositores e entregar a relatoria de projetos, na Comissão, a evangélicos notoriamente contrários a tais propostas, referentes a assuntos como aborto e sexo profissional. Continue lendo »

Surge em Havana um Lula menos cordato

02/03/2013

Lula

Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo

Lula governou apanhando calado das viúvas do Antigo Regime, representadas pelas grandes corporações de mídia. Ele fez uma opção, desde o início, pela conciliação. Na Carta aos Brasileiros, garantiu ao 1% que nada de substancial mudaria. Fez questão de comparecer ao enterro de dois barões da imprensa de grande destaque no Antigo Regime, Octavio Frias e Roberto Marinho. Chegou ao ponto – lastimável – de decretar três dias de luto em memória de Roberto Marinho, a quem numa nota pública fez um panegírico sem apoio nenhum na realidade dos fatos. Continue lendo »

Prefeito de Santa Terezinha (BA) foi eleito com 99,52% dos votos

08/10/2012

Santa Terezinha uma pequena cidade da Bahia, paraíso dos praticantes de vôos em asa delta, vizinha a Castro Alves foi, provavelmente, o lugar onde o PT recebeu o maior percentual de votos em todo o país: o prefeito Ailton foi eleito com 4.158 votos, o que representa 99,52% dos votos válidos na eleição local. O candidato que ficou em segundo lugar, Zé de Zila, teve apenas 20 votos. Quem acompanhou a eleição naquele cidade esperava, obviamente, o resultado pois durante a campanha as atividades promovidas pelo PT local mobilizavam todos os habitantes da sede municipal. Continue lendo »

Público debate a ascensão conservadora

31/08/2012

Público questiona os impasses e perplexidades da política atual.

 

 

Vladimir Safatle debate a ascensão conservadora

31/08/2012

O filósofo chama a atençao para o aprofundamento do consumismo estruturando as relaçoes sociais.

Marilena Chaui debate a ascensão conservadora

31/08/2012

A filósofa Marilena Chauí discute o conservadorismo da socidade brasileira, particularmente da sua classe média, análise que se presta não apenas para refletir sobre a sociedade paulistana, pois serve igualmente para pensarmos sobre os conflitos que vivemos na imensa maioria das cidades brasileiras.