Seabra(BA): estudantes vão às ruas em defesa de trabalhador@s de escolas públicas

21/03/2015
Do Facebook de

Seabra, 20 de Março de 2015.

Tod@s nós sabemos da importância da educação para a sociedade e que a escola é o espaço de educação sistematizada, onde @s alun@s desenvolvem conhecimentos e habilidades sobre as ciências, as artes e esporte e se constroem enquanto indivíduos/cidadãos.

Sabemos também que a educação pública neste país é sucateada, faltam investimentos, mas sobram burocracias que impedem o fortalecimento das escolas públicas. É conhecimento de tod@s as dificuldades enfrentadas pelos professores pela baixa remuneração, más condições de trabalho e desvalorização da profissão.

Mas, o que sabemos sobre o trabalho de profissionais essenciais para o funcionamento das escolas? Quantos de nós pensamos no trabalho d@s porteir@s, d@s merendeir@s, do pessoal da secretaria e da limpeza? Pois bem, na educação pública estadual da Bahia, esses serviços são TERCEIRIZADOS! Esses profissionais, fundamentais para a escola, recebem baixos salários, não tem estabilidade na profissão e vem enfrentando sérios problemas relacionados a direitos trabalhistas, a saber:

– Estão sem receber o vale-alimentação regularizado, há 13 meses. Estavam recebendo um valor mais baixo e descobriram que deveriam receber cerca de R$ 100,00 a mais;

– Em 2013, não receberam o salário nos meses fevereiro e março. Ainda hoje essas pendências não foram regularizadas;

– Em 2015 ainda não receberam o salário de fevereiro nem março. Alguns funcionários não recebem há três meses;


MPF/BA apura possível violação de direitos humanos em ação policial que resultou em mortes no Cabula

11/02/2015

O Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA) instaurou na terça-feira, 10 de fevereiro, inquérito civil a fim de apurar possível violação de direitos humanos em atos praticados por policiais militares da Rondesp, em abordagem ocorrida na última sexta-feira, 6, a um grupo de pessoas na Estrada de Barreiras, no bairro do Cabula, em Salvador/BA. A ação policial resultou na morte de 13 pessoas, deixando feridas outras três, sem que se tenha notícia de qualquer sindicância instaurada a fim de apurar eventuais excessos por parte dos agentes. O caso também será apurado pelo Ofício Criminal do MPF/BA. Leia o resto deste post »


Chacina dos 12 do Cabula: a PM matou gente desarmada?

10/02/2015

A versão da polícia de que a chacina do Cabula teria sido inevitável, pois os suspeitos estavam armados, iriam assaltar uma agencia bancaria e receberam os agentes da lei à bala está sendo desmentida por testemunhas que declararam à imprensa, durante o enterro de seis dos assassinados, que os rapazes estavam desarmados. Leia o resto deste post »


Morre o Sambador Manezin de Izaias

10/02/2015
Foto semana Cultural Riachão - Evandro Matos

Foto semana Cultural Riachão – Evandro Matos

Por Josias Pires

Acabei de receber a notícia por meio de mensagem eletrônica encaminhada pelo jornalista Evandro Matos. A morte colheu o sambador na noite de segunda-feira passada (09), em sua residência, na avenida J.J. Seabra, Riachão do Jacuípe, a cerca de 200 Km de Salvador.

Afamado sambador de Riachão do Jacuípe, Manezin de Izaias é co-autor de um dos grandes sucessos do Carnaval da Bahia, a música “Quixabeira”, adaptada por Carlinhos Brown e gravada pelo próprio Brown e mais Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Betânia, Gilberto Gil, banda Cheiro de Amor e muitos outros:

https://www.youtube.com/watch?v=3QjsedRXg9Q

A canção “Quixabeira”, na verdade, é uma colagem que Carlinhos Brown fez de três músicas gravadas originalmente como de domínio público no long-play “Da Quixabeira Pro Berço do Rio” , produzido por Bernard von der Weid, em 1992, reunindo 40 cantos de trabalho, chulas, batuques e rodas de quatro município do sertão da Bahia (Feira de Santana, Serrinha, Araci e Valente). Leia o resto deste post »


O começo do fim do ciclo petista

03/02/2015

Ciclo PT

Por Josias Pires

Parece fora de dúvida que a eleição de Cunha é forte indicador da crise política em que mergulhamos, quando forças econômicas aliadas a políticos nefastos lograram capturar o poder Legislativo para realizarem a baixa política a que estão acostumados, pois entraram na atividade partidária exatamente para fazer negócios legais e ilegais – reproduzindo a lógica dos 300 picaretas aos quais se referia o Luis Inácio de outros tempos. Leia o resto deste post »


Dia de Santos Reis

06/01/2015

por Josias Pires

Hoje é o dia de Santos Reis, um desses dias mágicos do calendário cristão, dias especiais apropriados de calendários pagãos/ de culto ao Sol.

Epifania. Logo cedo abri o computador e vi o texto de Marcus Gusmão no Licuri com sua homenagem ao primo e amigo Mazinho, nascido no dia de Santos Reis. http://licuri.wordpress.com/2015/01/06/o-dia-de-irismar-reis/

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2014: o fim das ilusões desenvolvimentistas

30/12/2014

Michael-Löwy2

Na excelente entrevista ao Correio da Cidadania, publicada esta semana, o filósofo franco-brasileiro Michel Löwi define do modo preciso o caráter do regime político-econômico brasileiro da última década: social-liberalismo.”O espírito do social-liberalismo – e acho que os governos do PT no Brasil o representam muito bem – é o seguinte: “vamos fazer tudo o que pudermos pelos pobres com a condição de não mexer nos privilégios dos ricos”. E a fórmula matemática do social-liberalismo é, por exemplo, o orçamento da agricultura no Brasil: 90% para o agronegócio e 10% para a agricultura familiar. Claro, esses 10% fazem uma diferença. É uma ajuda importante, mas há uma desproporção enorme”. Mais avançado do que seu congênere europeu, o social-liberalismo é a versão possível da esquerda no poder do Brasil, Uruguai, Argentina; e que é bem diferente da esquerda no poder da Bolívia, Venezuela, Equador, cujos partidos governantes assumem claramente o compromisso com a construção do socialismo.Com todos os problemas e consequências. Entre nós esta palavra anda fora de moda e igualmente fora do vocabulário petista no poder. Apesar deste fato, o filósofo vê a América Latina como a referência das lutas de esquerda hoje no mundo. Ele veio ao Brasil lançar o livro ‘A Jaula de Aço: Max Weber e o marxismo weberiano’ e trata aqui de temas palpitantes da política mundial. Leia a entrevista completa. (Josias Pires) Leia o resto deste post »


9a. Mostra de Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul, Sala Walter da Silveira 18 a 23/11

17/11/2014

Lucia Murat

Salvador sedia a partir desta terça-feira (18) uma mostra de mais de 30 filmes reunidos pelo tema dos direitos humanos. Oportunidade rara para ver e refletir sobre a nossa história recente. O evento ocorrerá na Sala Walter da Silveira, o primeiro filme “Que bom te ver viva”, de Lúcia Murat (1989, 95′), será exibido às 19h, entrada franca. Com filmes de vários países da América Latina, que participam de uma Mostra Competitiva; haverá também a Mostra Memória e Verdade, que terá sessões seguidas de debates; e a Mostra Lúcia Murat, com a exibição de cinco filmes desta diretora que mergulha em profundidade no período mais duro da repressão militar no Brasil e, ao mesmo tempo, quando explode a contracultura no mundo (Josias Pires).

Veja aqui a programação completa: Leia o resto deste post »


Marcha de protesto em Paripe no dia de Finados

03/11/2014


Amigos de quilombola de Rio dos Macacos assassinado fazem marcha de protesto em Paripe

02/11/2014

02 Nov Moises

Por Josias Pires

A luta pelo fim das desigualdades sociais, pelo fim do culto à violência e por Justiça só terá êxito se mobilizar a cada um de nós e a todos nós juntos.

No dia de Finados, em geral, todos nós temos os nossos mortos a reverenciar, geralmente em silêncio e, algumas vezes, ate mesmo sozinhos. Mas para um indignado grupo de jovens e crianças, adultos e idosos do quilombo de Rio dos Macacos este domingo de finados (02) foi um dia de protesto e para clamar por Justiça no caso do assassinato de Moisés Araújo dos Santos, 20 anos, filho do líder quilombola de Rio dos Macacos Zezinho (José Araújo dos Santos). Leia o resto deste post »


Sinais trocados, por André Singer

01/11/2014

André Singer chama a atenção para algo fundamental: a disputa simbólica em torno das melhores alternativas para o país. Como iremos suprimir as desigualdades sociais e fazer funcionar um Estado falido como provedor de serviços públicos de alta qualidade. Entendo também que o alerta feito por André Singer deveria ser escutado com a devida atenção pelos comandantes do PT na medida em que este partido, isto ouvi esta semana da boca do deputado Arlindo Chinaglia, que o PT abriu mão da disputa ideológica. Inteiramente certo. Abriu mão da disputa simbólica. No último Congresso do partido a questão da Cultura foi tratada como nota de pé de página. Ao acenar com a disputa ideológica no momento eleitoral e trocar de sinais no dia seguinte às eleições, a presidente petista embaralha o jogo. Pra que falar em Banco Central Independente se o ministro da Fazenda pode ser o presidente do Bradesco? Leia o resto deste post »


Filho de quilombola de Rio dos Macacos é assassinado

31/10/2014

Zezinho

por Josias Pires

Na segunda-feira passada (27/10) foi assassinado em Salvador o jovem Moisés dos Santos, 20 anos, filho do quilombola de Rio dos Macacos José Araújo dos Santos, Zezinho (foto), como é por todos conhecido. Zezinho é filho do falecido Severo da Rabeca, natural daquelas fazendas situadas nas terras da Baía de Aratu. Severo da Rabeca levou este nome porque era um exímio carpinteiro e fabricava rabecas usadas nos sambas de Reis, carurus e outras festas do local.

Zezinho herdou do pai a perícia do artesão e fabrica colheres de pau e outros objetos de madeira. Nos últimos anos a produção caiu quase a zero, pois o acirramento dos conflitos com a Marinha do Brasil levou a comunidade à beira da exaustão, da expulsão, do extermínio: a partir de 2010, por decisão implacável de um juiz federal todos os direitos fundamentais ficaram fora do alcance daquelas pessoas: não poderiam ter água, luz, habitação, nem plantar, colher ou pescar; e deveriam ser expulsos dali. Apartheid legal? Um paradoxo insuportável para a democracia.

Canudos é aqui e agora? A luta do quilombo de Rio dos Macacos é a luta dos pobres, despossuídos que defendem a posse da terra e respeito à sua dignidade contra a mentalidade e prática aristocráticas, racistas que prevalecem entre os privilegiados do Brasil Oficial. Apesar de todas as dificuldades esta luta avança, porém recheada de pesadelos do Brasil Real onde vive e morre os brasileiros pobres. Leia o resto deste post »


Copa do Mundo Alemanha 7 x 1 Brasil: as capas dos jornais

09/07/2014
De Carta Capital

John MacDougall / AFP
Jornais

Capas de jornais da Alemanha registram a vitória histórica diante do Brasil

Se o Brasil tivesse um campeonato para escolher a melhor capa de um jornal para a Copa do Mundo, o Meia Hora, do Rio de Janeiro, seria campeão com louvor.

Após a humilhação suprema sofrida pela seleção brasileira no Mineirão, na terça-feira 8, o jornal carioca emplacou a manchete “Não vai ter capa”, em alusão ao famigerado slogan “Não vai ter Copa” que precedeu a realização do mundial.

Conhecido pelas manchetes e capas satíricas, o Meia Hora afirmou que, diante da goleada de 7 a 1 para a Alemanha, hoje não conseguiria fazer capa.

Outros dois jornais que foram muito bem nas capas deste 9 de julho foram o A Tarde, de Salvador, e o Extra, também do Rio de Janeiro. O primeiro “enterrou” a seleção e se disse “morto de vergonha”. O segundo parabenizou os vice-campeões de 1950, que até a terça-feira carregavam o título de donos da maior vergonha do futebol brasileiro.

Na Europa, os jornais esportivos também aproveitaram o vexame do Brasil para se regozijar. Abaixo, as capas do português A Bola, do italiano Corriere dello Sport (“Humilhados”) e do espanhol AS.

Abaixo, o Marca, também da Espanha, e o argentino Olé, que ironizou a busca pelo hexacampeonato. O francês L’Equipe preferiu elogiar a Alemanha e o meia Toni Kroos, um dos melhores em campo: “Fantástico”.


Roberto DaMatta: Derrota vai fazer Brasil acordar para problemas

09/07/2014
Torcedores (Getty)

Para antropólogo, frustração e revolta nas arquibancadas pode transbordar para outras áreas

O placar de 7 a 1 para a Alemanha vai afetar a autoestima dos brasileiros, tão ligada ao futebol, e transbordar para outras áreas. A opinião é do antropólogo e escritor Roberto DaMatta, que conversou com a BBC Brasil logo após o jogo desta terça-feira.

“O futebol nos deu, sim, autoestima, mas não podemos reduzir o Brasil a isso. Essa derrota vai fazer o Brasil acordar e ter lucidez para lidar com seus problemas, em termos de segurança, saúde e especialmente no mundo da política, já que a eleição está aí”, disse.

O antropólogo diz lamentar a derrota do Brasil, mas vê uma compensação no fato de que ela vai abrir os olhos de muita gente. “Não sabemos ainda como, mas que vai haver um transbordamento para outras áreas, isso vai.”

Frustração

Para DaMatta, a frustração e como lidar com ela é algo importante para o brasileiro e isso pode impulsioná-lo a ter uma visão diferente, com mais nitidez, das mazelas nacionais.

E essa mudança ganha mais peso diante do placar dramático. “É preciso ter em mente que 7 a 1 é mais que uma simples derrota, é uma demonstração clara de que estávamos vivendo uma ilusão”, disse DaMatta, que já analisou o Brasil por meio do futebol em diversos textos. Alguns deles reunidos no livro “A bola corre mais que os homens – duas Copas”.

O antropólogo acredita que o golpe na autoestima do brasileiro com o jogo desta terça-feira terá reflexos nas próximas semanas, até a eleição, e também depois disso, até os jogos de 2016.

Essa derrota vai fazer o Brasil acordar e ter lucidez para lidar com seus problemas

Roberto DaMatta

“A Olimpíada está aí e, com essa derrota, será preciso lidar com as questões nacionais, porque ela vai colocar o país em xeque de uma maneira brutal, especialmente na área da política pública.”

Alegria do povo?

Saindo da esfera pública e voltando para o estádio em si, DaMatta acredita que o baque contra a Alemanha é uma chance para se reorganizar o futebol no Brasil.

“Para mim, com a minha cabeça de quase 80 anos e assistindo futebol desde o s 10, esse jogo de foi o fim de um ciclo. Vi o início do futebol aqui, sua ascensão, e agora isso. É como se fosse o fim do futebol-alegria-do-povo.”

O antropólogo acredita que a goleada vai provocar a reorganização do mercado do futebol no Brasil.

“O futebol da seleção vai ser desmitificado. Porque o que vemos atualmente é a magia do marketing e não do futebol – e isso precisa mudar.”

DaMatta critica o que chama de criação de mitos, formando um cenário que, para ele, parece Hollywood.

“A saída do Neymar, por exemplo, exemplifica bem isso. Cantar o hino segurando a camisa dele? Ele morreu? O Pelé se machucou e ganhamos a Copa em 62″, diz o antropólogo, acrescentando que agora vai torcer para a Argentina. “Em nome dos latino-americanos.”

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A Globo e as raízes do subdesenvolvimento do futebol brasileiro

09/07/2014

Os bravos jornalistas da CBN foram rápidos no gatilho: os 7 x 1 da Alemanha comprovam que a presidente Dilma Rousseff é “pé frio”.

Pé frio é bobagem. Não é o que dizem de Galvão Bueno?

Como são analistas sofisticados, da política e da economia, poderiam afirmar que Dilma talvez seja culpada – assim como Lula, Fernando Henrique Cardoso e outros presidentes – por não ter entrado na batalha pela modernização do futebol brasileiro.

Poderiam ter avançado mais no diagnóstico. Explicado que a maior derrota do futebol brasileiro – e latino-americano em geral – estava no fato de que a maioria absoluta dos seus jogadores serem de times europeus, da combalida Espanha, da Alemanha, Inglaterra e França.

Ali estaria a prova maior do subdesenvolvimento do futebol brasileiro, um mero exportador de mão-de-obra para o produto acabado europeu, campeonatos riquíssimos mesmo em períodos de crise.

Mas a questão principal é quem colocou na copa da árvore o jabuti do subdesenvolvimento futebolístico brasileiro.

Se quisessem aprofundar mais, poderiam mostrar conhecimento e erudição esportiva reportando-se a uma tarde de julho de 1921, em Jersey City,  quando surgiu o primeiro Galvão Bueno da história, o locutor J. Andrew White, pugilista amador, preparando-se para narrar a luta história de Jack Dempsey vs George Carpentier para a Radio Corporation of America (RCA). 61 cidades tinham montado seus “salões de rádio” para um público estimado em centenas de milhares de ouvinte.

O que era apenas um hobby de radio amadores, tornou-se, a partir de então, o evento mais prestigiado nas radio transmissões.

Se não fosse cansar demais os ouvintes da CBN, os brilhantes analistas poderiam historiar, um pouco, a importância das transmissões esportivas para o que se tornaria o mais influente personagem do século no mercado de opinião: os grupos de mídia.

Mostrariam como foram criadas as redes, desenvolvidas as grades de programação, planejados os grandes eventos, como âncoras centrais da audiência.

Depois, avançariam nos demais aspectos dos grupos de mídia.

Num assomo de modéstia, reconheceriam que, em um grupo de mídia, a relevância do jornalismo é diretamente proporcional à audiência total; e a audiência depende fundamentalmente desses eventos âncora. Por isso mesmo, foi o futebol que garantiu o prestígio e a influência do jornalismo.

Não se vá exigir que descrevam a estratégia da Globo para tornar-se o maior grupo de mídia do Brasil e da América Latina. Mas se avançassem lembrariam que os eventos consolidadores foram o carnaval carioca e o futebol, pavimentando o caminho das novelas e do Jornal Nacional.

Algum entrevistado imprevisto, especialista em segurança, ou na sociologia do crime, poderia lembrar que, para conseguir o monopólio de ambos os eventos, a grande Globo precisou negociar, numa ponta, com os bicheiros que dominavam a Associação das Escolas de Samba do Rio; na outra, com os cartolas que desde sempre dominavam a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), desde os tempos em que era CDB (Confederação Brasileira dos Desportos).

Para não pegar mal para a Globo, diria que a grande emissora foi vítima do anacronismo da sociedade brasileira, que a obriga a entrar no pântano sem se sujar.

Aos ouvintes ficariam as conclusões mais pesadas.

Graças ao submundo dos bicheiros e cartolas, a Globo venceu a competição na radiodifusão. E graças à Globo, bicheiros e cartolas conquistaram um enorme poder junto à superestrutura do Estado brasileiro, um extraordinário jogo de ganha-ganha em que o sistema bicheiros-Globo e cartolas-Globo ganharam uma expressão política inédita e uma blindagem excepcional. Ainda mais se se considerar que o primeiro setor vive da contravenção e o segundo está mergulhado até a raiz do cabelo nos esquemas internacionais de lavagem de dinheiro, através do comércio de jogadores.

Aí a matriz de responsabilidades começa a ficar um pouco mais clara.

Um especialista em direito econômico poderia analisar o abuso de poder econômico na compra de campeonatos e os prejuízos ao consumidor, com a Globo adquirindo a totalidade dos campeonatos e transmitindo apenas parte dos jogos.

Para tornar mais ilustrativo o episódio, poderia se reconstituir a tentativa da Record de entrar no leilão e a maneira como a Globo cooptou diversos clubes, adiantando direitos de transmissão para impedir o avanço da concorrente. Ou, então, as tentativas de dirigentes mais modernos de se livrar do jugo da CBF. E como todos foram esmagados pelo poder financeiro da aliança CBF-Globo.

De degrau em degrau, de episódio em episódio, se chegaria ao busílis da questão, o bolor fétido que emana da CBF e que até hoje impediu que, no país do maior público consumidor, aquele em que o futebol é a maior paixão popular, o evento que mais vende produtos, mais galvaniza a atenção, não se consiga desenvolver uma economia esportiva moderna.

Completado o raciocínio, o distinto público da CBN entenderia os motivos do Brasil ser um mero exportador de jogadores, os clubes brasileiros serem arremedos de clube social, o fato de grandes investidores jamais terem ousado investir no evento esportivo de maior penetração no mundo, de jamais termos desenvolvidos técnicas em campo à altura do talento dos jogadores brasileiros.

A partir dai, ficaria claro as razões do subdesenvolvimento brasileiro e, forçando um pouco a barra, até a derrota de 7 x 1 para a Alemanha.

http://jornalggn.com.br/noticia/a-globo-e-as-raizes-do-subdesenvolvimento-do-futebol-brasileiro

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Aconteceu perto da sua casa

08/07/2014

Atendendo a sugestão do cineasta Fábio Rocha vi ontem (7) Aconteceu Perto Da Sua Casa (C’est Arrivé Près De Chez Vous) filme belga de 1992, feito por Rémy Belvaux, André Bonzel e Benoit Poelvoorde sobre um personagem serial killer Ben (Poelvoorde). O filme narra as íntimas relações do personagem com a equipe realizadora do suposto documentário.

Ben rouba e mata, inclusive, para levantar grana para a realização do filme. Refere-se à equipamentos e ângulos de filmagens, a filmes de gangster e terror. Ironicamente repugnante, a obra apropria-se de variados clichês para – poder-se-ia dizer – “denunciar” a banalização da violência, particularmente a violência no próprio cinema, que é um tema absolutamente central nos estúdios hollyoodianos, do qual este filme barato e aparentemente caseiro é a perfeita contraparte paródica.

Foi o vencedor do prêmio da crítica internacional no Festival de Cannes de 1992 – Prêmio André Cavens de Melhor Filme pela “Film Critics Association (UCC).


O assunto é cinema: O Homem de Lagoa Santa

08/07/2014
Intervalo das gravações:Diretor Renato,Rosangela Albano e o ator Chico Aníbal.

Intervalo das gravações:Diretor Renato,Rosangela Albano e o ator Chico Aníbal.

por Marcos Pierry

Fotógrafo, nascido em Belo Horizonte, mas radicado há bastante tempo no Rio de Janeiro, Renato Menezes foi um apaixonado pela história de Lagoa Santa. Depois de muitos anos de trabalho e persistência, Menezes concluiu em 2013 a produção de seu primeiro e único longa-metragem como diretor, O Homem de Lagoa Santa.

Coisa muito triste: Renato faleceu no dia 24 de junho, de maneira inesperada e repentina, na capital carioca. Sentiu dores, foi ao hospital fazer exames, precisou de uma cirurgia, fez a intervenção, o quadro se complicou e o cineasta não resistiu.

Sua partida pegou todos de surpresa – a esposa Lina, o filho Damião e os outros familiares, além dos inúmeros amigos do Rio e de Minas. Renato parecia estar bem de saúde e andava mais animado que o de costume nos últimos meses. Lagoa Santa tinha a ver com isso.

Ele realizou o sonho de exibir o filme na cidade, com platéia numerosa e ávida, na noite de 17 de dezembro passado. Mais de 300 pessoas lotaram o auditório da Escola Municipal Dr. Lund e, emocionadas, assistiram a recriação de Renato para o encontro do dinamarquês Lund com a riqueza natural, o povo e os costumes da região que o tornaria um pioneiro da paleontologia.

Peter Lund (1801-1880) chegou à Lagoa Santa em 1833, em busca de um clima ameno que lhe evitasse a tuberculose. Entre 1840 e 1843, Lund encontrou dezenas de crânios humanos em estado fóssil, um deles, na Gruta do Sumidouro, de aproximadamente 12 mil anos.

A descoberta reabriu as discussões sobre a origem do homem nas Américas e foi um dos motivos que fizeram do cientista um nome de peso, respeitado, entre outros pares, pelo naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882), autor da célebre Teoria da Evolução.

De personalidade singular, Lund, formado em medicina, aliava às prospecções científicas o seu envolvimento crescente com a população local. Fazia consultas gratuitamente, ajudava a alforriar escravos, promovia festas e tomava parte nos eventos da própria comunidade. Outro fato que costuma ser mencionado em suas biografias é a troca de cartas com o importante filósofo, também dinamarquês, Soren Kierkegaard (1813-1855).

Uma história e tanto – quem mora em Lagoa Santa se acostuma a conviver com essa moral diferenciada, não da pura beleza da paisagem, mas do conhecimento dela extraído – que impressionou inúmeros artistas, dentre eles, o poeta Carlos Drummond de Andrade, e também cineastas, como Nelson Pereira dos Santos, que já desejou filmar o percurso de Lund, além de outros dois, que levaram Lagoa Santa e o dinamarquês para as telas: Humberto Mauro, em 1942, e José Sette de Barros, em 1978.

A eles se junta o nome de Renato Menezes, que, com o seu O Homem de Lagoa Santa, misturou com graça elementos ficcionais e documentais para narrar a paixão de uma grande figura do Velho Mundo por um lugar de especial magnetismo no horizonte das Geraes do Novo Mundo.

Renato fez parte da equipe que trabalhou com José Sette no curta-metragem de 78. E bem antes do ano de 2001, quando rodou as primeiras imagens de seu longa, já batalhava para fazer do projeto uma realidade. O Homem de Lagoa Santa foi produzido pelo Grupo Novo de Cinema e TV.

No elenco, estão os atores Chico Anibal, Luiz Hippert e artistas de Lagoa Santa, como Gercino Alves. O texto narrado em off pelo ator Marcos Caruso foi escrito por Silviano Santiago. Alguns outros créditos: a fotografia de Luiz Abramo, a música de Guilherme Vaz Pereira, a direção de arte de Sérgio Silveira e a montagem de Marta Luz.

A arqueóloga Rosângela Albano, do CAALE (Centro de Arqueologia Annette Laming Emperaire), e o paleontólogo Castor Castelle prestaram consultoria técnico-científica à produção. Tive a satisfação pessoal de dar uma força ao CAALE para viabilizar a sessão realizada em dezembro, que foi organizada pelo Centro.

Além do prazer de ver o filme reluzindo na tela, após zerarmos uma série de detalhes ao longo de semanas, fui recompensado com a alegria de ter conhecido o Renato por ocasião dessa projeção. Conversamos bastante eu, ele e o historiador Cleito Ribeiro, do CAALE, com quem pilotei a sessão.

Cinema, projetos futuros, uma possível estreia do longa em circuito agora em 2014, vida pessoal, cinema, minhas pesquisas sobre experimentalismo e o exercício da crítica, cinema, Julio Bressane, cinema, o período do exílio voluntário dele em Londres, cinema, a convivência e o aprendizado com mestres do cinema brasileiro, cinema, Rio de Janeiro, Bahia, Lagoa Santa, cinema, cinema, cinema…

Assunto não faltou naqueles encontros que antecederam a exibição. Nem a promessa de novo encontros – para uma entrevista quando ele retornasse à Lagoa Santa; para lhe expor o que achei do filme e me apresentar sua turma quando eu fosse ao Rio.

Outro dia, na feirinha de artesanato que acontece aos domingos na avenida Getúlio Vargas, às margens da Lagoa Central, alguém me chama: era Lina, que sempre está por aqui para visitar a família, com o catálogo de uma mostra (A História da Filosofia em 40 Filmes) que o Renato havia pedido para me entregar. Tinha certeza de que eu iria curtir.

Era assim o camarada. Papo firme, jeitão leve e capaz dessas pequenas gentilezas que fazem a vida valer a pena. Refiz, diante de Lina, a promessa de procurá-lo quando eu fosse ao Rio, algo que não tardaria. Estive lá na virada de maio para junho, mas não cumpri o prometido – nenhuma agenda de trabalho, por mais carregada, poderia justificar o lapso indelicado. Nunca vou me perdoar por isso. Agora somente quando (e se) eu chegar aí em cima, Renato. Foi mal.

Marcos Pierry é cineasta, crítico e professor de cinema.


Secretaria Geral da República publica nota sobre negociações com o Quilombo Rio dos Macacos

11/05/2014

Abaixo a nota com o ponto de vista da Secretaria Geral. Nela falta, evidentemente, a explicação de que da área proposta pelo governo ficaram de fora todos os cursos d’água da comunidade. O Ministério Público Federal propôs a definição de um protocolo de uso compartilhado da barragem, que preserve os interesses da segurança nacional e os da sobrevivência da comunidade (Josias Pires).

9 de Maio de 2014

A Secretaria-Geral da Presidência da República apresentou, na terça-feira (06/05), em Salvador (BA), a quinta proposta do Governo Federal para a resolução do conflito fundiário envolvendo a comunidade quilombola de Rio dos Macacos, em Simões Filho/BA. A proposta, entretanto, foi rejeitada pelos quilombolas presentes à reunião, que reivindicaram praticamente toda a área da Vila Naval da Barragem (278 dos 301 hectares) e o uso da barragem construída pela Marinha.

O ministro Gilberto Carvalho lamentou a rejeição da proposta e a postura adotada pelos representantes da comunidade de Rio dos Macacos: “Nos contatos preliminares à reunião, eles se mostravam muito propensos a aceitar o acordo. Fico triste por saber que, sem o acordo, quem vai sofrer são os próprios moradores da região.”, afirmou. Segundo o ministro, “não havendo o acordo, não há muito o que fazer, porque a Marinha não pode retirar a ação que move na Justiça, para reintegrar aquela área”. Segundo o ministro Gilberto Carvalho, o Governo Federal ainda está aberto a retomar as negociações, desde que os quilombolas revejam sua posição e aceitem a delimitação apresentada na reunião, uma vez que ela contempla os interesses dos diversos órgãos federais envolvidos na questão.

A proposta do Governo Federal foi construída por meio do diálogo entre diversos órgãos de governo, além da própria Secretaria-Geral: Ministério da Defesa, Marinha do Brasil, Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Fundação Cultural Palmares e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Ela prevê a demarcação de 104 hectares dentro da área reivindicada pelos quilombolas, incluindo uma área da Marinha do Brasil de 86 hectares ao norte da barragem da Vila Naval, além de 6 hectares ao sul da Vila Naval, onde reside a família mais antiga da comunidade quilombola. O Governo Estadual, por sua vez, cederá 12 hectares contíguos ao terreno de propriedade da Marinha, na parte norte. Com isso, apenas uma das 40 famílias que vivem hoje no local precisaria se deslocar, o que seria feito apenas após a construção de uma nova casa. A proposta abrange ainda a elaboração de um projeto de aquicultura familiar, com o objetivo de garantir aos quilombolas a retomada de suas atividades pesqueiras, além de políticas públicas do Programa Brasil Quilombola, contemplando assistência técnica rural, saúde, educação e habitação, dentre outras áreas.

Histórico

A comunidade de Rio dos Macacos foi certificada como quilombola pela Fundação Cultural Palmares através da Portaria nº 165, de 27 de setembro de 2011, publicada no Diário Oficial da União em 04 de outubro daquele ano, na forma do Decreto 4.887/2003 e da Portaria 98/2007 da Fundação. A partir de então, o Incra deu início ao processo de identificação e delimitação territorial, no âmbito do qual foi elaborado laudo antropológico. Há registros do início do século XX da presença de moradores, ascendentes de ocupantes atuais da região, que deram origem ao quilombo de Rio dos Macacos a partir das fazendas Macaco, Meireles e Aratu. O laudo que serviu de base para o processo do Incra apontou preliminarmente uma área de 301 hectares como o território reivindicado pela comunidade quilombola. Este território coincide, quase que integralmente, com a área de propriedade da União administrada pela Marinha do Brasil, na qual funciona a Vila Naval da Barragem.

A vila abriga 400 servidores da Marinha com suas famílias, e a barragem lá localizada abastece a Base Naval de Aratu, segunda maior base da Marinha no país. Por conta da barragem da Vila Naval, a área em litígio é relevante para salvaguardar os interesses de defesa nacional, dado que a Base Naval deve ser independente da rede local de abastecimento de água e energia elétrica – Aratu conta com geradores próprios de energia.

A comunidade, apesar de ter características rurais (conforme relata o laudo antropológico do Incra), está localizada em região urbana e densamente povoada na região metropolitana de Salvador. Este é mais um fator que aumenta a complexidade do conflito fundiário, que envolve interesses protegidos constitucionalmente e reconhecidos pelo Estado brasileiro, quais sejam, a defesa nacional e a preservação das comunidades quilombolas, com a garantia das terras que ocupam tradicionalmente.

Atuação da Secretaria-Geral

A Secretaria-Geral foi procurada por moradores da região de Rio dos Macacos durante o Seminário Internacional “Convenção 169 da OIT: experiências e perspectivas”, realizado em março de 2012, promovido em parceria com a Organização Internacional do Trabalho. Naquele momento, a Fundação Palmares já havia reconhecido a comunidade como quilombola e o Incra encontrava dificuldades para realizar o trabalho de campo dentro da área da União.

Desde então, a Secretaria-Geral tem realizado uma mediação visando uma solução do impasse, garantindo o interesse da União na manutenção da área, bem como a preservação dos direitos da comunidade quilombola local. Essa atuação se dá através do diálogo com os integrantes da comunidade, da articulação entre os órgãos do Governo Federal envolvidos (Ministério da Defesa, Marinha do Brasil, Seppir, Incra e Fundação Palmares), além da articulação federativa com o Governo da Bahia e a Prefeitura de Simões Filho, sempre com o acompanhamento do Ministério Público Federal, por meio da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão e da Procuradoria Regional da República na Bahia.

Desse amplo processo de diálogo e articulação, surgiram as cinco propostas apresentadas até aqui pelo Governo Federal na negociação com a comunidade. Também como fruto deste processo, foram obtidas importantes conquistas para os quilombolas, que incluem a construção e reforma de casas com risco de desabamento, que será feita através de convênio entre o Ministério da Defesa e a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano; a criação de um acesso independente para a comunidade, com a construção pelo Exército Brasileiro de uma estrada que ligará a BA-528 ao núcleo principal de moradias; autorização para construção de um centro comunitário para a Associação dos Remanescentes de Quilombo Rio dos Macacos; e a autorização para retomada do plantio e da criação de animais para subsistência.

Assim, a Secretaria-Geral tem trabalhado pela composição e conciliação dos interesses envolvidos nesta questão, com a clareza de que a solução pacífica e negociada é o melhor caminho, tanto para a preservação da comunidade quilombola e quanto para a garantia da defesa nacional.

http://www.secretariageral.gov.br/noticias/ultimas_noticias/2014/05/09-05-2014-quilombolas-do-rio-dos-macacos-rejeitam-acordo-proposto-pelo-governo-federal-1

 


Marinha não pode retirar ação que move na Justiça para reintegrar aquela área”, diz ministro

10/05/2014

Declaração do ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto de Carvalho divulga pela Agencia Estado remete a situação de Rio dos Macacos, a partir de agora, à Justiça. Com essa declaração o ministro praticamente interrompe o processo de negociação que estava sendo mediado, com muita competência, pela subprocuradora geral da República, Débora Duprat e o horizonte continua indeterminado.

Foi concluída sem acordo a negociação entre os moradores do Quilombo Rio dos Macacos, na região metropolitana de Salvador, e o governo federal, pela posse da terra, hoje legalmente pertencente à Marinha, na qual os quilombolas vivem. Os militares pleiteiam na Justiça a remoção das cerca de 500 pessoas que moram no local. “Não havendo o acordo, não há muito o que fazer, porque a Marinha não pode retirar a ação que move na Justiça, para reintegrar aquela área”, diz o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que participou pessoalmente das negociações. “Agora, fica para a Justiça definir a questão. E isso vai se arrastar pelo tempo que a Justiça determinar.”

O governo chegou a apresentar uma proposta de doação de 106 hectares, no início da semana, aos moradores, que reivindicam a manutenção de 278 hectares dos cerca de 301 aos quais dizem ter direito. “Eles querem nos espremer em uma área que é nossa, não podemos aceitar”, justifica a líder dos quilombolas, Rose Meire dos Santos Silva. “Tínhamos 500 hectares, hoje temos 300 e querem nos tirar mais.”

Além da área, é entrave para o acordo a área do entorno da Barragem do Rio dos Macacos, única fonte de água da região. Os militares tentam vetar o acesso de civis ao local, por ser, segundo o governo federal, estratégico para o fornecimento de água e energia elétrica para o complexo militar, no qual vivem cerca de 400 integrantes da Marinha. “É um recurso natural que sempre serviu à comunidade, de onde até tiramos o sustento, com a pesca, quando é necessário”, argumenta Rose.

O ministro Gilberto Carvalho disse ter ficado “triste” com a conclusão das negociações sem um acordo. “Confesso que estava confiante que o acordo sairia”, contou. “A gente chegou a uma proposta de abrir mão de 106 hectares, para que nenhuma família da área tivesse de ser removida, além de abrir uma nova entrada para o quilombo (atualmente, a entrada é feita por um dos acessos da base naval), com uma estrada, e assegurar a reconstrução das casas, que estão muito precárias. Fico triste por saber que, sem o acordo, quem vai sofrer são os próprios moradores da região.”

Carvalho também disse ter “estranhado” uma suposta mudança de opinião repentina das lideranças do quilombo. “Nos contatos preliminares à reunião de ontem, eles se mostravam muito propensos a aceitar o acordo”, afirmou. “Não foi um acordo que veio do céu, foi um acordo que nós costuramos, por meio de muitas conversas com eles e com muito diálogo interno. Houve até tensões internas, a ponto de um comandante da base ter sido afastado, ido para a reserva, para que a Marinha cedesse um espaço aos quilombolas, uma vez que a Fundação Palmares os reconheceu como quilombolas.”

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MPF pede suspensão de processo judicial contra quilombolas de Rio dos Macacos

06/05/2014

Quilombo AP MPF

Por Josias Pires

Suspender o processo judicial movido pela Marinha do Brasil que tenta remover a comunidade quilombola de Rio dos Macacos de área de ocupação tradicional, propriedade da União, para que as negociações entre as partes prossiga sem o tipo de pressão que está sendo sofrida pelos quilombolas.

A posição foi defendida nesta terça-feira (06) pela subprocuradora-geral da República e coordenadora da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF (6ª CCR), Deborah Duprat durante Audiência Pública realizada no Auditório do Ministério Público Federal (MPF) da Bahia, que reuniu quilombolas e representantes do Ministério da Defesa, da Marinha do Brasil e do Gabinete da Presidência da República e foi intermediada pelo MPF.

Para Deborah Duprat, a comunidade não tem condições de continuar negociando com a pressão de um processo judicial que já resultou em decisão para o despejo dos quilombolas. Em função do posicionamento adotado pelo MPF, o advogado Geral da União Bruno Cardoso, presente na audiência, explicou que a AGU só poderá interpor recursos pedindo a suspensão do processo judicial se houver consenso dentro do governo.

Apesar de abrigar famílias que vivem no local há mais de 100 anos, o juiz Evandro Reimão acolheu os argumentos da Marinha de que os quilombolas seriam invasores da área; e determinou a ação de despejo sem ouvir a parte afetada. Em março último o juiz decidiu impedir a reforma de barracos prestes a cair e está desautorizando as negociações em curso.

- “Estamos sempre negociando com uma faca no pescoço, com a ameaça de que se não aceitarmos a proposta do governo vamos perder tudo”, protestou José Rosalvo, um dos líderes da comunidade.

Presente na reunião, o chefe do gabinete do ministro da Defesa, Antônio Lessa, se comprometeu a levar a proposta de suspensão do processo judicial ao Ministro Celso Amorim, assim como a contraproposta de delimitação do território apresentada pela comunidade.

Contraproposta – A quilombola Olinda de Souza Oliveira e o advogado da Associação dos Advogados dos Trabalhadores Rurais (AATR), Maurício Correia, anunciaram a decisão dos quilombolas de rejeitar a quarta proposta do governo, feita em março passado, que pretendia reduzir o território dos 301 hectares delimitados pelo INCRA para 86 hectares, deixando de fora toda a porção sul, abaixo da Barragem do Macaco, onde mora a família de d. Maria Oliveira, uma senhora de quase 90 anos, nascida e criada na antiga Fazenda Macaco.

Os quilombolas reivindicam a integralidade do território (mas concordam em ceder à Marinha 22 ha no entorno da Vila Naval da Barragem), a preservação de sítios sagrados, a garantia de terras agricultáveis que ficaram de fora da proposta do governo, o uso compartilhado das águas da barragem existente no local, sob administração da Marinha, e dos mananciais de água que alimentam a barragem.

Com a rejeição da proposta do Governo pela comunidade, o assessor da Secretaria Geral da Presidência da República, Silas Cardoso, apresentou o que chamou de “aperfeiçoamento da proposta apresentada em março deste ano”, com o aumento do território de 86 para 104 hectares.

Sobre a contraproposta da comunidade, Cardoso afirmou que não existe a possibilidade de uso compartilhado da barragem, mas assegurou a construção de um açude para atender às necessidade da população local. O assessor afirmou, ainda, que “a proposta chega bem perto do limite do que pode ser oferecido pelo Governo”.

Para Deborah Duprat “fica o desafio para o governo rever algumas situações como a ausência de rios na área cedida para a comunidade, bem como a possibilidade de uso compartilhado da barragem pelos quilombolas”. Já o procurador Leandro Nunes afirmou que “agora há medidas concretas que podem ser tomadas, a exemplo do pedido de suspensão do processo judicial”.

Reunião – Além dos já citados, estavam presentes na reunião o procurador Regional da República Walter Claudius (6ª CCR); a representante da comunidade Rosimeire dos Santos Silva; o secretário estadual de Promoção da Igualdade Racial, Ataíde Lima; a representante do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Gilvânia Silva; o presidente da Fundação Cultural Palmares, José Hilton Santos Almeida; o chefe da Defensoria Pública da União no Estado da Bahia, Átila Ribeiro Dias; a representante da secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Maria do Socorro Guterres; o chefe de gabinete do comandante da Marinha, Vice Almirante Celso Luiz Nazareth; além de outras autoridades e diversos moradores da comunidade.

Histórico – Existente há mais de 200 anos, a comunidade quilombola Rio dos Macacos enfrenta um conflito com a Marinha do Brasil há cerca de 42 anos, quando o local onde a comunidade está instalada foi escolhido para a construção da Base Naval de Aratu. Desde então, os integrantes da comunidade, que hoje conta com mais de 300 pessoas, alegam ser alvo de ações violentas, praticadas por oficiais da Marinha, na intenção de expulsar cerca de 46 famílias residentes no local.

O conflito ganhou ainda mais força após a decisão da Justiça Federal na Bahia, que determinou a desocupação de área situada na Vila Naval da Barragem pela comunidade quilombola. Em maio de 2013 o MPF ajuizou recurso contra decisão perante o Tribunal Regional Federal da Primeira Região.

Em 2011, o MPF já havia proposto ação civil pública pedindo que a Justiça determinasse a permanência da comunidade no local, mas os pedidos não foram acatados. Em junho de 2012 o órgão expediu uma recomendação ao Comando do 2º Distrito Naval da Marinha do Brasil, visando a coibição de prática de atos de constrangimento físico e moral contra os quilombolas. Em outubro de 2013, o MPF realizou audiência pública, onde foi apresentada proposta do Governo para reassentamento da comunidade, e emitiu recomendação para a publicação do RTID pelo Incra.

Com informações da Assessoria de Comunicação do MPF/BA

http://www.prba.mpf.mp.br/mpf-noticias/direitos-do-cidadao/rio-dos-macacos-mpf-defende-suspensao-de-processo-contra-quilombolas

 

 

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 A greve da PM e o projeto de nação

15/04/2014

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Ônibus recolhidos às garagens, escolas e universidades suspendem aulas, muita gente sequer sai de casa. Está criado mais um clima de pânico em Salvador, desta vez graças à greve da PM decretada na noite de terça-feira (15). Quais são os interesses que estão por trás da mobilização da polícia? Qual o projeto de nação está embutido na disputa em curso?

A greve da PM se não for debelada em curto prazo poderá vir a ser gigantesca pedra no meio do caminho da campanha do candidato petista. Greve duradoura poderá significar pá de cal nas ilusões de Rui Costa. Nestes percalços a campanha ganha certo tom de indefinição, ficamos diante de uma imagem difusa, sobretudo quando nos aproximamos da Copa do Mundo.

Paira no ar a suspeita de que algo poderá ocorrer na Copa do Mundo. Muitos temem, outros aguardam ansiosos a reedição das jornadas de Junho 2013 cujas consequências sempre são imprevisíveis. Todos se preparam para alguma surpresa. O desejo de mudanças atravessa todas as camadas sociais, mas falta-nos talvez a vanguarda capaz de acionar as sínteses e os passos necessários para o caminho das transformações. Leia o resto deste post »


Dinheiro teria sido fator decisivo para Paulo Souto mudar de ideia

11/04/2014

Por Josias Pires

Observadores da cena política baiana acreditam que o fator decisivo para Paulo Souto mudar de ideia e voltar a postular sua candidatura ao governo estadual teria sido a oferta vultosa de recursos para a campanha vinda de ricos empresários. Um tanto cansados de gerir seus interesses por meio de um governo de meia esquerda, o alto empresariado – ou pelo menos, setores dele – estaria apostando firme num representante direto, ex-governador testado, para sempre articulado com a engrenagem capitalista.

A oposição tentará repetir ao nível da eleição estadual o fenômeno soteropolitano de aproveitar-se e fomentar a rejeição ao PT, que levou à vitória de Neto. Quem dispõe de pesquisas minuciosas podem inferir que a rejeição ao petismo baiano tem potencial de crescimento – resta saber se esse crescimento será capaz de superar a maioria que elegeu o PT nas duas últimas campanhas. O esquema de Neto-Souto-Geddel e o arco empresarial que o apoia acredita que sim e, evidentemente, usará a campanha televisiva para ganhar os eleitores.

Como sabemos, o uso do tempo no horário eleitoral da tevê é decisivo na eleição – vide o que ocorreu com o ex-prefeito João Henrique (2008), que entrou na segunda disputa com índices de rejeição altíssimos e, embalado pela grana e propaganda de Geddel/governo federal, ganhou a eleição em Salvador para fazer um dos governos mais desastrosos da história da cidade. Embalado agora por milhões injetados diretamente pelo “mercado” este mesmo esquema pretende desbancar o petismo wagneriano.

E o PT – e seus aliados de todos os lados – será capaz de resistir à impetuosidade do esquema adversário e provar para os baianos que seu governo merece continuar positivo e operante? Evidentemente que o poder da máquina governamental – para além do PT – terá o papel de tentar desequilibrar a força adversária. Para a eleição de Wagner em 2006 (contra Paulo Souto) quem teve papel decisivo foi Luís Inácio Lula da Silva e foi o governo federal fiador indispensável para a sua reeleição. Até agora a eleição de Dilma parece assegurada. Isto também ajuda – e muito – o candidato petista Rui Costa.

O governador Wagner pediu, por meio da imprensa, que a oposição venha debater projetos. Até hoje os eleitores decidem levando em conta interesses mais comezinhos. A nossa educação política ainda não alcançou o debate consistente de projetos de governo e de Estado. A Bahia tem uma carência profunda, fatal, de projetos consistentes. O projeto que prevaleceu aqui nos últimos 50 anos foi o da mercantilização da vida baiana em praticamente todos os setores e relações sociais. Neste sentido, somos hoje plenamente capitalistas, mesmo que vivamos em um capitalismo profundamente desigual e medíocre. Por isso é salutar o alerta do governador para o debate de projetos. É o que todos nós esperamos. Que o PT apresente o seu projeto; e que as oposições apresentem os seus projetos. E que tenhamos capacidade política de separar o joio do trigo. Ilusão?

Sabemos todos nós que o PT tornou-se o gestor do capitalismo local, tentando – e muitas vezes logrando êxito – instaurar o investimento social, buscando reverter a tremenda desigualdade brasileira. Contudo, se é verdade que a economia dos últimos dez anos mexeu para melhor na vida de 80% dos brasileiros – e isto será decisivo para a reeleição de Dilma – contudo carecemos de um projeto de nação alternativo ao do capitalismo/ dos capitalistas. Isto é óbvio. É inaceitável os valores hegemônicos do consumismo e do mercadismo obsceno prevalecerem entre nós sem que os seus prejuízos sejam denunciados, combatidos e suprimidos. Afinal, são os valores hegemônicos que nos legaram esta sociedade violenta, hipócrita, egoísta, narcísica. O sonho de transformá-la acabou?

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Teia de Cordéis portugueses e brasileiros

04/04/2014

Teia Cordeis 1

Por Josias Pires

O I Congresso Nacional de Trovadores e Violeiros, realizado na Bahia em 1955, teve à frente o poeta alagoano-baiano Rodolfo Coelho Cavalcante e contou com a presença de cantadores de todo o país, inclusive do pioneiro editor João Martins de Athayde. Conta a folclorista Hidelgardes Vianna que durante o tempo que ficou na Cidade da Bahia, hospedado nas imediações da Ladeira de São Bento, o pernambucano teve a companhia assídua e persistente de Cuíca de Santo Amaro, que outrora havia vendido nas ruas e feiras livrinhos de histórias publicados por Athayde.

Pernambuco, Paraíba, Ceará foram estados que saíram na frente na edição e publicação de folhetos, dando continuidade à forte tradição oral sustentada por trovadores e violeiros da mais alta capacidade poética. Na Bahia, Rodolfo Coelho Cavalcante e Cuíca de Santo Amaro, sem nenhuma dúvida os dois grandes trovadores populares do século XX no estado, foram também os primeiros a produzirem localmente em grande quantidade (para os padrões da atividade e da época), nas décadas de 1940 e 1950, sobretudo, quando passaram a abastecer o mercado local com enorme variedade de títulos semanais, abrindo franca concorrência com os folhetos pernambucanos.

Teia Cordeis 2                                                                   Teia Cordeis 3

Assim como sempre alimentou o/ foi alimentado pelo samba do Rio de Janeiro, mantendo ao longo de séculos um fluxo e refluxo com aquele estado, a Bahia mantém, ainda que sem a mesma evidência para o caso do samba no Rio de janeiro, mantém um circuito de alguma espécie com a literatura popular de Recife e outros endereços do Nordeste – algo inevitável, obviamente. Traçar os contornos de tal circuito, porém, é tarefa ainda para ser executada, até onde sei.

Enquanto esta história aguarda a sua escrita, vamos tomando conhecimento de iniciativa relevante no campo do conhecimento da literatura popular brasileira. O livro catálogo “Teia de Cordéis”, de Maria Alice Amorim e Arnaldo Saraiva, editado pela Fundação de Cultura Cidade do Recife (2013) contém as imagens de capas e versos de mais de 500 folhetos de literatura popular que ficaram em exposição, em 2011/2012, no Museu de Arte Popular, da Prefeitura de Recife – sim, lá há um Museu de Arte Popular que abrigou a grandiosa exposição com folhetos portugueses e brasileiros. Foram 254 folhetos portugueses da coleção de Arnaldo Saraiva e 258 brasileiros da coleção de Maria Alice Amorim. Folheto do segundo ano do século XVII (1602) aos livrinhos do século XX.

Arnaldo Saraiva apresenta-nos a seguinte lista temáticas dos folhetos: poesia, narrativa, teatro, crítica, autos, dramas, tragédias, farsas, entremezes, monólogos, desafios, comédias, sátiras, invectivas, paródias, anedotas, cartas, crônicas, biografias, histórias, contos, moralidades, dissertações, elogios, exemplos, testamentos, orações, oráculos, hinos, canções, elegias, fados, décimas, odes, coplas, aventuras, paixões, sonhos, viagens, suspiros, sucessos, confissões, velhos e novos príncipes, bandidos, soldados, namorados, clérigos, criados, deputados, fanfarrões, fantasmas, Adão e Eva, São João e S. Pedro, Paulo e Virgínia, Manoel e Maria, Imperatriz Porcina, Carlos Magno, Bertoldo, A Padeira de Aljubarrora, A donzela Teodora, Magalona, João de Calais, Bocage, José do Telhado, Deus e o Diabo.

É uma lista, evidentemente, incompleta dado a riqueza de títulos e temas da exposição, que publica alguns folhetos ligados ao ciclo das navegações, como o de João Calais e o poema antológico A Triste Vida de Um Marujo que ao lado do romance da Nau Catarineta foram algumas das matrizes centrais do folguedo que ficou conhecido como Marujadas, Cheganças de Marujos, Fandangos no Nordeste brasileiro. Da coleção de Maria Alice saem autores e temas clássicos de Portugal e do Brasil ao lado da poesia de novos autores.

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Os dois curadores publicam textos de apresentação muito pertinentes. Publico abaixo os três primeiros parágrafos do texto De Portugal e do Brasil: o próximo, o distante, voz própria, de Maria Alice Amorim. Que comparece também com um ensaio “Existe um novo cordel? Imaginário, tradição, cibercultura”.

“O novelo de Ariadne, no labirinto vai unindo ramagens, cosendo rupturas, redesenhando começos, bifurcações. É Aracne que de si própria extrai os fios com que tece a precisão e a beleza, desafios à deusa Atenas. Nem pista sem saída, nem rumo estéril, os muitos fios que compõem a paisagem tradicional da literatura popular brasileira, conhecida sobretudo pelos matizes da poética de violeiros repentistas e de cordelistas, deixam vislumbrar caminhos herdados, mudanças de rota, voz própria. A partir do instante inaugural, no século XVI, entre terras lusas e brasileiras cordões umbilicais engendravam heróis, mitos emblemas. Inicialmente guiada por prévios roteiros de criação, exteriores à cultura local, a literatura de cordel se vale da astúcia de Ariadne e do primor artístico de Aracne, abraçando o desafio de não se enredar na própria teia, não se perder em labirintos, nem se deixar devorar. Assume voz própria, conquista autonomia criadora no continuuum das tramas seculares de engenhosa narrativa poética, constituindo-se patrimônio imaterial do Nordeste brasileiro e, de maneira exuberante, no Estado de Pernambuco.

Recife sempre se destacou, desde o início do século XX, na invenção, edição e difusão do folheto popular. Foi considerando este relevante dado histórico e, igualmente, o volume e a importância da produção de/sobre o folheto popular brasileiro, disseminado país afora ao longo de mais de um século e a partir de matrizes poéticas populares medievais de procedência europeia, que surgiu a pertinente iniciativa de propor à pauta do Museu de Arte Popular (MAP), da Prefeitura da Cidade do Recife, uma exposição que pudesse abranger a produção editorial portuguesa, a partir mesmo da datação dos mais antigos exemplares de que se tem notícia em acervos institucionais e particulares – o século XVIII – e que contemplasse, ainda, a produção editorial brasileira estabelecida como produção cultural do Brasil, inaugurada com autores considerados pioneiros na consolidação da tradicional poética cordelística no país, a exemplo de Leandro Gomes de Barros, Francisco das Chagas Batista, Silvino Pirauá de Lima, João Martins de Athayde.

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Assim, proposta aceita, aconteceu no MAP, entre março de 2011 e maio de 2012, a exposição Teia de Cordéis – desdobrada em suas expografias: Cordéis Portugueses/Coleção Arnaldo Saraiva, Cordéis Brasileiros/Coleção Maria Alice Amorim – sob a curadoria de ambos os colecionadores no tocante à exibição dos portugueses e somente sob a de Maria Alice Amorim quanto aos brasileiros. O presente catálogo trata, pois, do registro dessa atividade museológica que, na primeira parte, se caracterizou por ter sido pioneira, em território nacional, quanto ao expressivo volume de literatura de cordel d’além mar aqui jamais antes exibido numa mesma ocasião e espaço, abarcando edições do período histórico em que foi prolífica tal produção editorial: os séculos XVII, XVIII, XIX e XX. Esse primeiro momento permitiu, portanto, que o público pudesse conferir no MAP, durante quase três meses, documentos raros, inclusive um folheto português de 1602, então o mais antigo da coleção de Arnaldo Saraiva”.


Quilombolas baianos se unem em apoio ao Rio dos Macacos

08/02/2014

Quilombolas Encontro Esc Pq

Por Jackson Sousa

Salvador sediou neste sábado (8) o Encontro das Associações e Comunidades Quilombolas do Estado da Bahia, na Escola Parque, Caixa D’Água. O evento contoo com mais de 500 lideranças quilombolas de 11 macro regiões do estado, para debater políticas públicas para esses quilombos e reforçar apoio à comunidade Rio dos Macacos. Leia o resto deste post »


Fuzileiros da Marinha derrubam casa no quilombo Rio dos Macacos

30/01/2014
Somos quilombo X
Nota da Associação dos Advogados de Trabalhadores Rurais – AATR
“Hoje, os moradores da comunidade quilombola foram surpreendidos com mais um ato de violência e arbitrariedade da Marinha de Guerra do Brasil. Os fuzileiros navais derrubaram a casa de Seu Luis Gozanga de Souza Oliveira, quilombola, filho de Dona Maria, uma das quilombolas mais idosas da comunidade, nascida e criada naquelas terras. Leia o resto deste post »

URGENTE: Fuzileiros derrubam casa em Rio dos Macacos

30/01/2014

Enquanto Antonio Lessa, chefe de gabinete do ministro da Defesa, acompanhando do Almirante Nazaré, alta autoridade da Marinha percorriam o quilombo Rio dos Macacos, na manhã desta quinta-feira (30), com lideranças da comunidade para definir o traçado da estrada alternativa de acesso ao lugar, um grupo de fuzileiros navais irrompeu na área e derrubou a casa de Luis Oliveira, filho de d. Maria Oliveira, moradora da área há 86 anos. Revoltada com a situação algumas pessoas da comunidade deslocaram-se para a entrada da Vila Naval da Barragem, onde estão neste momento estão cobrando providências das autoridades.

– É um absurdo completo. Enquanto o Ministério da Defesa quer resolver o problema alguns oficiais da Marinha estão criando mais problemas. Queremos a solução urgente dessa situação, conclamou d. Olinda Oliveira, uma das lideranças da comunidade e irmã de Luis Oliveira.


Fuzileiros armados quebram cerca em Rio dos Macacos

29/01/2014

Cerca de dez fuzileiros navais, armados, percorreram ontem (28) à tarde o interior do quilombo Rio dos Macacos, inquirindo moradores acerca da participação no ato de protesto realizado na segunda-feira (27) e quebrando pequenas cercas feitas por algumas famílias para proteger hortas do acesso de animais.

–       Chegaram aqui fazendo perguntas, afrontando as pessoas e quebrando as cercas. Dissemos para eles que temos autorização do governo para fazer nossos plantios mas não quiseram nos ouvir, relatou um morador que preferiu não se identificar.

Em documento publicado no site do Ministério da Defesa dia 15 passado, o ministro Celso Amorim garantiu que apoia a construção do centro comunitário, a viabilização do fornecimento de água, reparação de imóveis, o plantio, cultivo e criação de animais, além de repudiar quaisquer atos de violência.

–       Queremos saber de onde partiu a ordem para esses fuzileiros entrarem em nossa comunidade e fazer o que fizeram, cobrou a fonte.

 


A Tarde: Quilombo Rios dos Macacos protesta

28/01/2014

Numa nota curta publicada na página A5 desta terça-feira (28) 0 jornal A Tarde noticia:

“Moradores da comunidade quilombola Rio dos Macacos, localizada na Vila Naval da Barragem (Simões Filho – Grande Salvador) protestaram, ontem à tarde, contra agressões de oficiais do 2o. Distrito Naval da Marinha do Brasil contra or irmãos Ednei e Rosemeire Messias dos Santos. Uma estrada que dá acesso à Base Naval de Aratu foi fechada. Os quilombolas pedem a apuração do crime de tortura contra os irmãos Messias dos Santos, a construção de uma entrada para a comunidade alternativa à guarita da Vila Naval, a permissão para fazer as casas do quilombo, a publicação – no Diário Oficial – do relatório técnico feito pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e a titulação de propriedade do território. Dois inquéritos – instaurados pelo Ministério Público Federal (MPF-BA) e pelo Ministério Público Militar (MPM) apuram as denúncias de agressão. Imagens da Câmara de Segurança da Vila Militar foram solicitadas pelo MPF-BA há 21 dias”. Leia o resto deste post »


Quilombolas de Rio dos Macacos protestam contra violência

27/01/2014

Quilombo Man pós prisão Rose

Uma manifestação dos quilombolas de Rio dos Macacos, em protesto contra a violência praticada por sentinelas da Marinha contra duas lideranças da comunidade dia 06 de janeiro passado, parou por algumas horas, no início da tarde desta segunda-feira (27),  a estrada da Base Naval de Aratu, defronte à guarita do condomínio residencial Vila Naval. Leia o resto deste post »


Ministro da Defesa anuncia apoio às reivindicações dos quilombolas de Rio dos Macacos na Bahia

22/01/2014

Rio do Macaco

 

Os incidentes entre moradores da comunidade quilombola Rio dos Macacos, no município de Simões Filho (BA), e militares do condomínio residencial da Marinha conhecida como Vila Naval da Barragem, ocorridos no dia 6 de janeiro passado, quando dois membros da comunidade foram detidos sob a alegação de supostas ameaças e desacato contra as sentinelas de serviço levaram o ministro da Defesa Celso Amorim a anunciar a posição oficial sobre o assunto.

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Nesta terça (19), 19h, Auditório da Fac. Visconde de Cairu

18/11/2013
Foto da capa
Organizado por Raphael Fontes Cloux e Izabel de Fátima Cruz Melo o livro reúne textos deles dois e mais: Marlon Marcos, Liliane Ferreira Mariano da Silva, Cristiane Batista da Silva Santos, Ricardo George Souza Santana que exercitam a multidisciplinaridade.

Valdina Pinto lança autobiografia na próxima terça (26)

18/11/2013

No Forte da Capoeira,

Lançamento: autobiografia da Makota Valdina,

Santo Antonio Além do Carmo, 26/11, 18h.

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“É preciso não ter vergonha de suas origens. E ir em busca da história que ainda não foi escrita (…) os valores que precisam ser resgatados no sentido da construção de um mundo futuro, com justiça, equilíbrio e harmonia em face de suas diversidades étnicas, culturais e sociais; isso tem que começar a partir do lugar em que estamos no mundo”. Valdina Pinto.

A escrita, edição e lançamento deste livro podem ser tomados como oferenda, que esta brava e doce mulher , professora e cuidadora de gentes e de inquices põe a circular entre todos nós, a voz insistente e pungente de Valdina Pinto, guerreira da paz e da fé

Do chão batido do antigo Engenho Velho da Federação nasceu Valdina e sua história de enfrentar desafios e ajudar na construção de um mundo melhor para todos. Na Associação de Moradores num  tempo em que estas organizações sociais enfeixavam a luta pelas liberdades democráticas e pelas melhorias urbanas. Valdina que abraça a religião dos seus ancestrais torna-se embaixadora da tolerância religiosa, do diálogo que se espalha por dezenas e dezenas de palestras e encontros em todo o mundo. Valdina Pinto é uma das pessoas indispensáveis do nosso tempo. (Josias Pires)


Cidades rebeldes: Passe livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil

09/08/2013

Cidades rebeldes capa Final.indd Do site da Boitempo Na esteira dos recentes protestos que abalaram o país, a Boitempo lança Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil. Trata-se do primeiro livro impresso inspirado nos megaprotestos que ficaram conhecidos como as Jornadas de Junho, além de ser o principal esforço intelectual até o momento de analisar as causas e consequências desse acontecimento marcante para a democracia brasileira. Escrito e editado no calor da hora, em junho e julho, Cidades rebeldes é um livro de intervenção, que traz perspectivas variadas sobre as manifestações, a questão urbana, a democracia e a mídia, entre outros temas. Publicada em parceria com o portal Carta Maior e com o apoio da Fundação Rosa Luxemburgo, a obra segue a linha do livro Occupy: movimentos de protesto que tomaram as ruas, com o mesmo formato e preço (R$10,00 o impresso, R$5,00 o e-book), e consolida uma nova coleção da Boitempo, de livros de intervenção e teorização sobre acontecimentos atuais, intitulada “Tinta Vermelha”, em referência a um trecho do discurso do filósofo esloveno Slavoj Žižek no Occupy Wall Street, em 2011. Para tornar o livro acessível ao maior número de pessoas – estimulando-as, quem sabe, a ir às ruas por mudanças –, autores cederam gratuitamente seus textos, tradutores não cobraram pela versão dos originais para o português, quadrinistas e fotógrafos abriram mão de pagamento por suas imagens, o que possibilitou deixar o volume a preço de custo. Leia o resto deste post »


Candidatos ao governo da Bahia nas primeiras pesquisas

20/07/2013
A presidenta Dilma seria reeleita se a votação fosse hoje

A presidenta Dilma seria reeleita se a votação fosse hoje

Duas pesquisas eleitorais divulgadas nas duas últimas semana oferecem um primeiro retrato da posição de postulantes ao governo do estado. A última, do Instituto Bahia Pesquisa e Estatística (Babesp) divulgada nesta sexta-feira no site Bahia Notícias entrevistou 1.203 eleitores de 70 municípios baianos, entre os dias 8 e 17 de julho. Os dados apontam para um número expressivo de indecisos tanto em âmbito nacional quanto local (quase 90%), prevê reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) e vantagem, na Bahia, para qualquer candidato do DEM, seja Paulo Souto ou ACM Neto, único que supera o item “não sabe”. Leia o resto deste post »


O Brasil no olhar dos viajantes – João Carlos Fontoura

20/07/2013

“Documentário sobre os relatos estrangeiros das primeiras viagens feitas ao país, entre os séculos XVI e XIX, e a influência que tiveram na construção da imagem do Brasil no exterior e entre os próprios brasileiros. O filme resgata testemunhos de homens que viram um país ainda desconhecido, primitivo e exótico tecer as bases de sua sociedade e de sua história”.
Documentário de João Carlos Fontoura difundido pela TV Senado.


A luta do Quilombo Brejo dos Crioulos

20/07/2013

Por Alexandre Gonçalves, Articulação Popular São Francisco Vivo

As famílias remanescentes de quilombolas do Brejo dos Crioulos, localizado entre os municípios de São João da Ponte, Varzelândia e Verdelândia no norte de Minas, ganha apoio na luta pelo Território e na Libertação das Lideranças Encarceradas.

Nesta semana o advogado popular Roberto Rainha, da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, reuniu-se com representantes da Comissão Pastoral da Terra de Minas Gerais e com os Quilombolas de Brejo dos Crioulos – região Norte de Minas Gerais.

A Rede Social, que já participou de atividades ligadas à luta dos Quilombolas em Minas Gerais, irá contribuir com a luta da comunidade de Brejo dos Crioulos, que vive um difícil momento, com 4 lideranças presas há 10 meses. Leia o resto deste post »


OCEANIA

14/07/2013

asia-oceania

Carlos Drummond de Andrade

Amo burra, burramente
certa menina enfezada
para lá dos mares do sul.
Ela vem por sobre as ondas
enfeitiçar minha vida,
atrapalhar minha mesa,
dizer que espere … esperarei. Leia o resto deste post »


Desmandos continuam na prefeitura de Salvador

14/07/2013

Por Josias Pires

Órgãos estão sendo usados como aparelho eleitoral

Órgãos estão sendo usados como aparelho eleitoral

O ex-prefeito João Henrique Carneiro deveria estar preso trancafiado numa prisão de segurança máxima dado ser um sujeito de alta periculosidade, que produziu desmandos de toda ordem nos cofres da prefeitura de Salvador. Mas nada. Tornar-se-á radialista, já está testando o formato de um programa de rádio que pretende levar ao ar nos próximos dias. É contra exemplos tão radiosos quanto este que milhões de brasileiros foram às ruas protestar.

A cara de pau deste JH é de dar raiva. A atual gestão descobriu outro dia que o ex-prefeito fez repasses mensais milionários para uma prestadora de serviços de saúde que simplesmente não existe! E não acontece nada! O Ministério Público, o novo gestor, os vereadores de oposição, a imprensa, todos recebem uma informação desta espécie e passa como se nada de mais tivesse acontecido. Provavelmente estamos todos anestesiados com as doses cavalares de maldades a que somos submetidos todos os dias… Leia o resto deste post »


Lídice da Mata articula candidatura ao governo da Bahia

13/07/2013

Senadora Lídice da Mata (PSB/BA) destaca lançamento da Frente Parlamentar Mista dos Direitos da Criança e do Adolescente na Câmara Federal

A pesquisa Séculos/Bahia Notícias divulgada neste final de semana e que aponta a dianteira de ACM Neto na corrida para a eleição do próximo governador mostra um quadro um tanto desconfortável para o governismo.

Não importa, no caso, as declarações enfáticas de Neto de que não há hipótese de ser candidato a governador em 2014, o que importa é que está crescendo na Bahia o voto oposicionista, expondo a “fadiga do material” petista, na expressão do governador Jaques Wagner. Leia o resto deste post »


A capoeira perde Frede Abreu, seu maior pesquisador

13/07/2013

Fred Abreu

Por Josias Pires

O escritor, pesquisador e historiador baiano Frederico José de Abreu, conhecido como Frede Abreu morreu nesta quinta-feira (11) deixando um vazio no mundo da capoeira e um valioso legado de pesquisas, sobretudo o acervo que reuniu no Instituto Jair Moura, por ele fundado, que conta com mais de 40 mil títulos, entre livros, recortes de publicações impressas, CDs, fotos e vídeos sobre capoeira e cultura afro-brasileira. Leia o resto deste post »


Estado policial avança no Brasil

08/07/2013

Polícia Mata na favela

A socióloga Vera Malaguti Batista alerta para o risco da expansão do “Estado policial” e da gestão militar da vida dos pobres

por Rodrigo Martins — Carta Capital

Os espetáculos de truculência e despreparo das polícias estaduais na repressão às manifestações, somados à barbárie cotidiana nas favelas e periferias das grandes cidades, fizeram ressurgir a bandeira da desmilitarização das polícias. Uma proposta muito distante da realidade, lamenta a socióloga Vera Malaguti Batista, secretária-geral do Instituto Carioca de Criminologia e professora da Universidade Cândido Mendes. Antes disso, sugere a especialista, é preciso interromper é a expansão do chama de “Estado de polícia”. “Precisamos parar de acreditar que vamos resolver os problemas do Brasil com mais polícia e repressão”, diz Batista, organizadora do livro Paz Armada, Criminologia de Cordel, lançado em 2012 pela Editora Revan. Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista. Leia o resto deste post »


Qual será o alcance da reforma política feita pelo atual Congresso?

25/06/2013

Em plena ebulição política e cidadã que vivemos neste momento recebo a msg via e-mail de uma amiga propondo nova corrente na Internet, corrente do bem, entenda-se. Ela escreve:

“É assim que começa.

Peço a cada destinatário para encaminhar este e-mail a um mínimo de vinte pessoas em sua lista de endereços e postar nas redes sociais, pedindo a cada um deles para fazer o mesmo.
Em três dias, a maioria das pessoas no Brasil terá esta mensagem. Esta é uma ideia que realmente deve ser considerada e repassada para o Povo.

Lei de Reforma do Congresso de 2013 (emenda à Constituição) PEC de iniciativa popular: Lei de Reforma do Congresso (proposta de emenda à Constituição Federal)

1. Fica abolida qualquer sessão secreta e não-pública para qualquer deliberação efetiva de qualquer uma das duas Casas do Congresso Nacional. Todas as suas sessões passam a ser abertas ao público e à imprensa escrita, radiofônica e televisiva. Leia o resto deste post »


“A mídia e a política estão dominadas pelo dinheiro”

25/06/2013

Paulo Nogueira B jr

Via Luis Nassif on Line, Do Brasil Econômico.
Cassiano Viana e Octávio Costa

Diretor-executivo do Brasil e de mais dez países no FMI, Paulo Nogueira Batista Jr. tem uma visão privilegiada da cena mundial.
Diretor-executivo do Brasil e de mais dez países no Fundo Monetário Internacional (FMI), o economista Paulo Nogueira Batista Jr. vive em Washington desde 2007 e, de seu posto, tem uma visão privilegiada da cena mundial.

Na semana passada, ao desembarcar no país, mostrou-se surpreso com a dimensão da onda de protestos. Em entrevista ao Brasil Econômico, além de destacar o poder de mobilização das redes sociais, atribuiu a insatisfação dos jovens a uma combinação de fatores, como o desencanto com a política, as deficiências crônicas no transporte urbano, na educação e na saúde, e o momento desfavorável pelo qual passa a economia.
Quanto ao último ponto, é otimista. “Se o PIB crescer 3%, o mercado de trabalho se mantiver forte e o governo conseguir estabilizar a inflação, creio que o quadro de ânimo em relação à economia vai melhorar gradualmente”. O que mais o preocupa é a extrema volatilidade dos mercados financeiros.

A especulação, adverte ele, está desenfreada e os países podem sofrer com a livre movimentação de capitais. “É preciso cautela. O mundo continua à mercê da turma da bufunfa, que tem poder de fogo extraordinário”. Leia o resto deste post »


O que vem depois da queda da tarifa?

23/06/2013

Passe Livre

O movimento dependerá da capacidade de não confundir rejeição ao atual sistema político-partidário com recusa da democracia. É urgente incluir na agenda a refundação do modelo policial.

Por Luiz Eduardo Soares

Há uma semana escrevi sobre o movimento pelo “passe livre” (www.luizeduardosoares.com), chamando a atenção para o fato de que o novo surpreende e assusta, porque rompe a estabilidade das expectativas, coloca em xeque nossos esquemas cognitivos, revela a precariedade da ordem social e evoca o espectro de nossa finitude. Somos levados a reconhecer que não apenas a vida humana é frágil como aquilo que chamamos “realidade” é débil e movediço. Por isso, o desconhecido tende a suscitar em nós reações defensivas e explicações que funcionam como a confirmação do que já se sabe — ou se supõe saber. Se o propósito é conhecer, devemos buscar, com humildade, a compreensão autorreflexiva e a desnaturalização das descrições correntes. Até porque todo esforço de entendimento é também ação política. Leia o resto deste post »


Movimento Passe Livre em Salvador define pauta

21/06/2013

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Em reunião realizada na tarde desta sexta-feira (21), integrantes do Movimento Passe Livre, em Salvador, aprovaram uma pauta de questões consideradas prioritárias, a maioria delas relacionada às questões da mobilidade urbana. Integrantes do movimento também manifestaram-se em favor do adiamento do ato de rua que estava previsto para ser realizado neste sábado.

“Eis a lista de encaminhamentos feitos em plenária (sem nenhuma ordem especial de importância):

1. O Passe Livre é pauta prioritária do movimento
2. Assegurar Passe Livre para estudantes e desempregados
3. Auditoria das contas do metrô
4. Auditoria das contas “caixa-preta” do SETPS
5. Reativação do Conselho Municipal de Transporte
6. Estabelecer o Conselho da Cidade com caráter deliberativo
7. Lutar contra a privatização da Estação da Lapa
8. Lutar pela municipalização do transporte
9. Lutar pela estatização das empresas de transporte
10. Assegurar transporte 24 horas
11. Lutar por uma melhor política de mobilidade urbana
12. Implantação de ciclovias em toda a cidade
13. Lutar pela Tarifa Zero
14. Auditoria dos gastos da Copa
15. 10% do PIB para educação pública, gratuita, e de qualidade.
16. Anulação da PEC 37
17. Lutar contra a criminalização dos movimentos sociais
18. 100% do Pré-sal e da Petrobrás para financiamento estatal
19. Aumento em mais de 100% nos alimentos de Cesta básica.
20. O repúdio do movimento à mídia golpista, que busca manipular o movimento
21. O movimento se articulará com as pautas das manifestações que estão ocorrendo nacionalmente
22. Fazer uma carta aberta com as pautas do movimento
23. Mobilizar de forma criativa, dialogar com grupos artísticos
24. Convocar demais movimentos sociais para compor as manifestações”

O evento é definitivamente APARTIDÁRIO e sem líderes. Busquemos sempre o consenso!”


20 de Brumário: pra onde vai esse barco?

21/06/2013

Por Paulo Costa Lima

Se de um lado o coração se enche de esperança com todos os jovens que recriaram a sacralidade do coletivo Brasil, por outro, paira uma incômoda sensação de manipulação midiática e usurpação da causa.

Sonhar e sonhar e sonhar, dizia Gonzaguinha, mas com os pés no chão e boas propostas. Pois então, tudo depende do que vai acontecer nesse tempo de reviramento entre a manifestação de 200 pessoas na Cinelândia, e os milhões que a partir de hoje lotam as praças de todo o País?

Estive na manifestação em Salvador, e vibrei com a mobilização. Vi muitos cartazes com frases bonitas, e cada jovem com o seu,a grande maioria em espírito de paz e de participação. Mas, pra onde vai esse barco? Leia o resto deste post »


Realidade impõe-se à fantasia: Saramandaia Existe!

19/06/2013

O Bairro de Saramandaia, constituído a partir dos anos 70 em Salvador, reúne hoje cerca de 12 mil habitantes em área central e valorizada (vizinha da Rodoviária e do DETRAN). Dois grandes projetos em andamento afetam diretamente essa área: o projeto da Linha Viva, via expressa pedagiada que, a ser implementada em seu atual projeto, resultará na remoção de cerca de 3000 pessoas que ali vivem há décadas. O outro projeto, o da Linha 2 do Metrô, ao oferecer a Rodoviária como contrapartida para a PPP, tem impacto negativo na geração de renda de inúmeros moradores do bairro, além de abrir outra frente imobiliária altamente especulativa em terra pública do Estado da Bahia.

Saramandaia existe. O bairro não pode continuar na invisibilidade das políticas públicas. Seus moradores têm de ser respeitados e tratados como cidadãos soteropolitanos. Seu apoio é fundamental. Tire uma foto com um cartaz Saramandaia Existe. Registre uma mensagem. Grave um depoimento. Envie para saramandaiaexiste@gmail.com

Essa é uma ação do Plano de Bairro Saramandaia, desenvolvido pelo grupo de pesquisa Lugar Comum/PPGAU-FAUFBA, junto com a Rede de Associações de Saramandaia, com apoio do PROEXT/2012.


Movimento Passe Livre no Roda Viva

18/06/2013

O programa traz dois líderes do Movimento Passe Livre: a estudante de direito Nina Cappello e o professor de História Lucas Monteiro de Oliveira. A edição repercute a onda de protestos em São Paulo contra o aumento da tarifa de ônibus e a situação do transporte público no Brasil.


Pela extinção da PM

16/06/2013

Por Vicente Safatle,professor livre-docente do Departamento de filosofia da USP (Universidade de São Paulo).
Folha de S. Paulo

No final do mês de maio, o Conselho de Direitos Humanos da ONU sugeriu a pura e simples extinção da Polícia Militar no Brasil. Para vários membros do conselho (como Dinamarca, Espanha e Coreia do Sul), estava claro que a própria existência de uma polícia militar era uma aberração só explicável pela dificuldade crônica do Brasil de livrar-se das amarras institucionais produzidas pela ditadura.

No resto do mundo, uma polícia militar é, normalmente, a corporação que exerce a função de polícia no interior das Forças Armadas. Nesse sentido, seu espaço de ação costuma restringir-se às instalações militares, aos prédios públicos e aos seus membros. Leia o resto deste post »


Trailer definitivo do filme Cuíca de Santo Amaro

15/06/2013

Este é o trailer do filme documentário de longa metragem Cuíca de Santo Amaro, O Poeta mais Temido da Bahia, patrocinado pelo Programa Petrobras Cultural, dirigido pelos cineastas Joel de Almeida e Josias Pires.

O filme narra aspectos da trajetória do poeta popular, ‘trovador-repórter’ e propagandista, o desassombrado Cuíca de Santo Amaro, Ele, O Tal, personagem criado por José Gomes, que atuou na Bahia, sobretudo, nas década de 1940, 1950 e início de 1960. Leia o resto deste post »


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